Sensibilidade ecológica na infância: materiais não estruturados como promotor de brincadeira sustentável

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Resumo

A infância é a idade das brincadeiras. A criança, quando brinca, explora o mundo que acerca, pois ela vive inúmeros momentos de experiências que promovam a liberdade, ativa seu pensamento à criação. Na contramão, nos inquieta a questão da falta de produção de “brinquedos feitos por quem brinca” (Amado, 2022), pelas quais as infâncias vêm enfrentando, por escassez de experiências com a natureza. Desse modo, o brincar infantil tende a reforçar a lógica do consumo exacerbado, particularmente entre crianças pequenas, que são alvo fácil das estratégias mercadológicas. Em outras palavras, destacamos para a problemática de crianças cada vez mais emparedadas, com brinquedos plastificados, que muito pouco ou raramente brincam descalças, ou exploram a natureza como caçadores de aventuras, usando a imaginação para criar suas próprias narrativas do experienciar. Essa agrura se intensifica quando, não nos atentamos ao quanto os brinquedos podem ser danosos para à saúde das crianças, pois além de muitos destes compostos serem tóxicos, o consumo desenfreado destes trazem impactos socioambientais imensuráveis. Pois, conforme pesquisa realizada pelo Instituto Alana (2020), 90% dos brinquedos produzidos mundialmente são feitos com algum tipo de plástico, que pode permanecer no meio ambiente por até 500 anos. Tais danos negativos para os impactos tanto da publicidade infantil, com os brinquedos plásticos, inclusive do estímulo de uma sociedade consumista de recursos, já que em 2024 a indústria dos brinquedos teve crescimento de 6,1% em unidades vendidas, em comparação com 2023 (Central do Varejo, 2025), é passo fundamental para solucionarmos os urgentes desafios ambientais da atualidade (Alana, 2020). Diante desse cenário, este trabalho apresenta reflexões oriundas do projeto de pesquisa interinstitucional "Baú Brincante" (UFBA/UESB), que investiga o potencial da sucata ou materiais não estruturados para a produção do brincar livre de crianças de um Centro de Educação Infantil (CEI) no município de Jequié - BA, e suas implicações para a Educação Infantil. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, com o método etnográfico, por meio de observações participantes, diário de bordo e registros fotográficos. Trata-se de um estudo qualitativo etnográfico, baseado sobre a teoria do jogo segundo uma abordagem sociocultural (Brougère, 2016; Barros, 2018; Tiriba, 2018; Machado, 2021) que reconhecem as crianças como agentes sociais, de sua competência para a ação, para a comunicação e troca de cultural. Os resultados obtidos indicam que o uso de materiais não estruturados promove a criatividade e a autonomia infantil, permitindo às crianças explorarem diferentes possibilidades de construção e narrativa em suas brincadeiras. O Baú Brincante demonstra um olhar sensível para as questões ambientais, ao apresentar possibilidades de brincar que não apenas respeitam a infância como um espaço de liberdade e criação, mas também incentivam a construção de uma consciência ecológica desde os primeiros anos de vida. O ato de criar brinquedos a partir de materiais recicláveis revelou-se uma prática poderosa para despertar a sensibilidade ecológica e estimular uma conexão mais profunda com o meio ambiente. A pesquisa reafirma que essa experiência lúdica de produção de brincadeiras não apenas reduz o descarte inadequado de resíduos, mas também promove o consumo consciente, principalmente entre as crianças, alinhando-se a uma educação para a sustentabilidade, um dos desafios globais enfrentados pela sociedade contemporânea. Referências ALANA, Instituto. Infância plastificada O impacto da publicidade infantil de brinquedos plásticos na saúde de crianças e no ambiente. Universidade Federal de São Carlos, 2020. AMADO, João. Brinquedos feitos por quem brinca: uma tradição milenar, um direto e um patrimônio a proteger In: TEIXEIRA, Cristina Maria d’Ávila (Org). A lira do brincar: a ludicidade da educação infantil à educação universitária. ISBN- 9786525138039. Editora: CRV, Curitiba, 2022. p 23-36. BARROS, Maria Isabel Amando de. Desemparedamento da infância: A escola como lugar de encontro com a natureza. 2ed. Alana: Rio de Janeiro, 2018. BROUGÈRE, Gilles . Entrevista: objetos têm importância no brincar por provocar imaginário. Jornal Cruzeiro, 15/09/2017. Disponível em: http://www.jornalcruzeiro.com.br/materia/819890/objetos-tem-importancia…. Acesso em 10/11/2017. MACHADO, Ana lúcia. Infância plastificada: evolução do brincar sem plásticos em 12 passos. Natura Brasil: Julho, 2021. Disponível em:xxxxxxx Acesso em 10/02/2025. MERCADO BRASILEIRO DE BRINQUEDOS DIMINUIU FATURAMENTO EM 2024 MAS CRESCEU EM UNIDADES. Central do Varejo: Redação - Publicada em 11 de fevereiro, 2025. Disponível em: https://centraldovarejo.com.br/mercado-brasileiro-de-brinquedos-diminui…. Acesso em 17/02/2025 TIRIBA, Léa. Prefácio In.: BARROS, Maria Isabel Amando de. Desemparedamento da infância: A escola como lugar de encontro com a natureza. 2ed. Alana: Rio de Janeiro, 2018.

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Eixo Temático
  • Área Temática 9 : Cultura, Currículo e Pesquisa Educacional
Palavras-chave
Brincar Livre, Baú Brincante, Pedagogia Ecológica, Educação Infantil