TRABALHO DO(C)ENTE E PANDEMIA: REFLEXOS DO ENSINO REMOTO NA SAÚDE MENTAL DOS DOCENTES DO ESTADO DA PARAÍBA (BRASIL)

- 213020
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Resumo

Este resumo apresenta resultados parciais de uma pesquisa de mestrado, vinculada ao Observatório da Educação Básica. Tem como objetivo analisar as condições de trabalho e de saúde mental dos/as docentes da Rede Estadual da Paraíba durante e no pós pandemia. Neste recorte buscou-se analisar como as medidas adotadas durante o período pandêmico repercutiu na saúde mental destes docentes. Em março de 2020, a Covid-19 foi categorizada como uma pandemia, devido a sua propagação global, provocando impactos significativos na sociedade, sendo a educação um dos setores mais afetados. As aulas foram interrompidas e políticas públicas anunciadas, com a finalidade de substituir as aulas presenciais através do chamado ensino remoto. Na Paraíba foi implantado o Regime Especial de Ensino (Portaria nº 418 de 18 de abril de 2020). Dentre as estratégias, houve a formação dos professores para o uso das tecnologias. Sendo selecionados e capacitados 100 tutores entre os/as docentes, responsáveis pela formação dos demais docentes da rede, que iriam aprender a planejar e organizar as suas aulas utilizando a tecnologia. No ano de 2021 o Estado da Paraíba recebeu algumas premiações, como a de melhor ensino remoto do país, pois a Plataforma Paraíba Educa venceu o Prêmio Excelência em Competitividade, e em 2022 obteve o melhor desempenho nacional em termos de segurança sanitária (Governo da Paraíba, 2022). Apesar desses resultados, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas (INEP) revelou que a Paraíba executou ações insuficientes, sobretudo no acesso aos equipamentos digitais para professores/as e estudantes do ensino médio da rede estadual (Bezerra, 2022). Uma particularidade entre as premiações recebidas pelo estado da Paraíba, é que estas foram realizadas com base na proposta política do governo, não necessariamente na execução. Porém, uma análise crítica deve reconhecer que as políticas podem ser, ocasionalmente contraditórias ou incompletas, podendo afetar a sua implementação e/ou os resultados esperados. Dito isso, na pesquisa realizada com professores/as da rede estadual da Paraíba, sobre a avaliação da experiência no ensino remoto, um/a participante respondeu: Desgastante. Muito trabalho para pouco resultado. Além da baixa adesão dos alunos às aulas online, ainda vem as "ordens de cima" para mover todo mundo, mesmo sem a mínima participação. Para mim, isso não está ajudando a educação, mas mascarando um problema que deveria ser discutido e solucionado. O resultado de melhor média do Brasil é totalmente incompatível com a realidade vivida na educação estadual da Paraíba (Santana; Barbosa; Máximo, 2022, p. 13, grifo nosso). Essa percepção simboliza a implementação do “ensino” remoto sem uma preparação apropriada, em que os/as docentes tiveram de se adaptar rapidamente ao ambiente virtual, resultando em um desgaste emocional. Apesar dos resultados positivos com relação ao ensino remoto no estado, estes não correspondem à realidade enfrentada nas instituições. Na mesma pesquisa, 67,5% afirmaram que a quantidade de atividades que realizo ultrapassa a minha carga horária de trabalho, 47,9% reconhece que atendo as demandas do meu trabalho mesmo no meu horário de lazer, 36,9% afirma estou trabalhando horas extras não remuneradas (Santana; Barbosa; Máximo, 2022, p. 16, grifo das autoras). Devido à urgência em dominar os recursos tecnológicos para ministrar as aulas, ocorreu estresse e angústia ocasionada pela incerteza sobre o futuro, o acréscimo no tempo dedicado ao planejamento das aulas e no apoio aos alunos, além das necessidades pessoais, familiares e domésticas. Nos horários de descanso precisavam responder aos alunos e registrar as atividades na plataforma, além das cobranças e envio de solicitações da gestão, demandando total dedicação a todo instante (Santana; Barbosa; Máximo, 2022). Tudo isso resulta em uma hiperconexão, prejudicando a sua saúde, uma vez que as pausas são essenciais para preservar a saúde mental, tendo em vista que a exaustão compromete a capacidade cognitiva (Carneiro Junior; Cardoso, 2023). Perante o exposto, fica evidente que toda essa mudança trouxe consequências para as/os docentes, especialmente para sua saúde mental. Esta é uma questão que estamos analisando atualmente na pesquisa. Os resultados parciais indicam que 66,3% dos participantes relataram um aumento no controle do trabalho por parte da gestão, e 64,2 % declararam que isso afetou a sua saúde mental. Portanto, nota-se uma urgência em implementar políticas específicas, voltadas para a prevenção, promoção de saúde e na adequada gestão das condições de trabalho desses profissionais. REFERÊNCIAS BEZERRA, Liana Bastos. As políticas adotadas na rede estadual de ensino da Paraíba durante a pandemia de Covid-19: afirmação ou negação do direito à educação?. Campina Grande, 2022. 162 f. Dissertação (Mestrado em Educação) - Universidade Federal de Campina Grande, Centro de Humanidades. Disponível em: http://www.ppged.ufcg.edu.br/index.php/Disserta%C3%A7%C3%B5es_2022. Acesso em: 4 jul. 2023. CARNEIRO JUNIOR, José Airton; CARDOSO, Maura Lúcia Martins. “Sinto que estou sempre a falhar”: o dano existencial decorrente da hiperconexão do teletrabalhador docente. Educ. Pesqui., Vol. 49, 2023. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ep/a/VgLsMqq5Vj5Sd5k4BhXYpwj/?format=pdf&lang=pt. Acesso em 6 maio de 2024. GOVERNO DA PARAÍBA. Educação da Paraíba obtém o melhor índice do Brasil em segurança nas aulas presenciais. João Pessoa, 11 mar. 2022, 12:03. Paraiba.pb.gov.br. 2022c. Disponível em: https://paraiba.pb.gov.br/noticias/educacao-da-paraiba-obtem-o-melhor-i…. Acesso em: 26 abr. 2024. PARAÍBA. Portaria n. 418, de 17 de abril de 2020. Regime especial de ensino, como medida preventiva à disseminação do COVID-19. João Pessoa, 2020b. Disponível em: https://auniao.pb.gov.br/servicos/arquivo-digital/doe/janeiro/abril/dia…. Acesso em 7 maio 2023. SANTANA, Daniely; BARBOSA, Valéria; MÁXIMO, Thais Augusta. Vida que segue em tempos de pandemia: a relação saúde e trabalho docente na Paraíba. Revista Trabalho En(cena), v. 7, 2022. DOI: 10.20873/2526-1487e022022. Disponível em: https://sistemas.uft.edu.br/periodicos/index.php/encena/article/view/14…. Acesso em: 10 ago. 2023.

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Eixo Temático
  • Área Temática 7: Politicas Educacionais
Palavras-chave
TRABALHO DOCENTE, SAÚDE MENTAL, PANDEMIA