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O trabalho analisa o apego emocional de alunos em relação a seus professores e ex-professores, explorando os impactos da "monogamia dos afetos" nas relações humanas, particularmente no ambiente educacional. Inserido no contexto do neoconservadorismo global e das violências sociopolítico-ambientais, o estudo discute como dinâmicas afetivas conservadoras podem influenciar tanto a prática pedagógica quanto os desafios enfrentados pela educação contemporânea. A expressão "monogamia dos afetos" refere-se à centralização de vínculos emocionais positivos em uma única figura, o que, no âmbito escolar, manifesta-se na dificuldade de alunos em reconhecerem e validarem a mediação de outros professores além daquele com quem construíram uma relação afetiva central. Tal dinâmica, ao limitar o potencial de aprendizado colaborativo e interdisciplinar, reflete também os valores propagados por estruturas neoconservadoras, que promovem controle emocional e relações hierárquicas, em questão a estrutura monogâmica cristã que nega a validade de relações de afeto positivas em concomitância em prol de uma monocultura de afetos. É sabido que a escola é a primeira experimentação da vida pública de crianças e adolescentes, entretanto, da casa para a sala de aula, os alunos levam consigo aprendizados e símbolos informados por estruturas sociais, em questão a monogamia dos afetos, que impõe a validade de apenas um vínculo positivo em detrimento da negação de vínculos positivos em concomitância. Nesse sentido, os alunos chegam a sala de aula na expectativa de estabelecerem um vínculo de afeto positivo com seu professor e negar as demais que se derem em concomitância, sentindo-se traídos caso isso ocorra. Para compreender o fenômeno, este trabalho faz uso de uma abordagem metodológica que inclui a análise de um filme ilustrativo sobre a relação afetiva entre professores e alunos (“Escritores da Liberdade” (2007) e promove uma autoetnografia com base em experiências vividas em sala de aula do próprio autor. A revisão bibliográfica revelou escassez de estudos diretamente relacionados ao tema, evidenciando a necessidade de aprofundamento teórico. Essa carência, limita a compreensão mais ampla dos impactos emocionais nas práticas educacionais causados pelo que se pode denominar de “monogamia escolar”. Os resultados indicam que a monogamia dos afetos constitui um desafio para a docência. Alunos frequentemente resistem à mediação de outros professores, o que dificulta a diversificação das práticas pedagógicas e perpetua um modelo de relação monogâmico e conservador, em que só é válida as relações entre um homem e uma mulher, esposo e esposa, mãe e filhos em detrimento da diversidade afetiva presente na sociedade. O apego emocional dos alunos e professores é frequentemente reforçado por dinâmicas sociais que reproduzem desigualdades e exclusões, inclusive, mortes, tendo em vista o número de mortes por feminicídio causado por maridos e ex-companheiros de esposas que suspenderam a lógica monogâmica (ou tentaram fazer por meio do divórcio). O estudo também destaca como a centralização afetiva em um único indivíduo reflete as relações de poder e controle características de sociedades marcadas pelo neoconservadorismo. Essas relações não apenas perpetuam desigualdades estruturais, mas também dificultam a construção de redes afetivas mais democráticas e colaborativas. Dessa forma, o apego excessivo dos alunos a determinados professores pode ser entendido como uma pequena expressão das tensões emocionais e políticas presentes na sociedade contemporânea, e especialmente da violência contra a mulher. Referências: ESCRITORES da Liberdade. Direção de Richard Lagravenese. Estados Unidos: Paramount Pictures, 2007. (122 min.), color. Legendado. HOOKS, Bell. Ensinando a transgredir: a educação como prática de liberdade. São Paulo: Martins Fontes, 2013. SANTOS, Silvio Matheus Alves. O método da autoetnografia na pesquisa sociológica: atores, perspectivas e desafios. Plural, São Paulo, SP, v. 24, n. 1, p. 214- 241, ago./2017. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/plural/article/view/113972. Acesso em: 10 out. 2024. MOURA, Jéssica. Feminicídio em alta afasta Brasil da igualdade de gênero. 2023. Disponível em: https://www.brasildefato.com.br/2023/11/27/feminicidio-em-alta-afasta-b…. Acesso em: 14 out. 2024. NÚNEZ, Gení. Descolonizando afetos: experimentações sobre outras formas de amar. São Paulo: Planeta do Brasil, 2023.
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