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A partir da Literatura produzida pelo Campo de Implementação de Políticas Públicas, este texto busca promover reflexões acerca da atuação da burocracia envolvida na entrega de serviços educacionais brasileiros. Com base em Cavalcante e Lotta (2015), Muylaert (2019) e Fortunato (2024), o trabalho revela a gramática utilizada por pesquisadores do campo para estabelecer tipologias de características existentes na atuação de profissionais do Estado brasileiro que organizam, administram e implementam políticas educacionais. Os estudos apontam para um resgate da clássica conceituação da “burocracia” por Marx Weber, colocando-a em diálogo teórico com modalidades atuais do exercício das estruturas organizacionais, tais quais: a capacidade de traduzir e interpretar textos normativos, participação na tomada de decisão sobre a ação pretendida pela política, entre outras. A burocracia educacional, então, transita entre a hierarquia de implementação das políticas. Se, em uma extremidade, encontram-se aquelas personagens no alto escalão, dotadas de poder para formular e modular a agenda sobre o fenômeno público, na outra, encontram-se os agentes implementadores na linha de frente, reconhecidos pela possibilidade de reinterpretação da norma, subordinados aos recursos que dispuserem na interação com os destinatários. De forma intermediária, encontram-se diversos outros agentes, os quais, somados às outras personagens, compõem a trama do cenário de implementação de políticas educacionais. Destacam-se os burocratas de médio escalão, muitas vezes, sinalizados como aqueles que são responsáveis pelo diálogo entre os do alto escalão e os que se posicionam no nível da rua, como, por exemplo, o caso dos diretores escolares, os quais realizam as conexões entre as secretarias (ou suas representantes) e os professores. É claro que, a depender da função que exerça, o diretor escolar pode descer ao nível da rua para contribuir na implementação, interagindo diretamente com os usuários: estudantes. A Literatura do campo tem pensado neste como um agente híbrido (Mùylaert, 2019). Como agentes implementadores que contribuem para o alcance da política, registram-se os burocratas de "Back Office", ou seja, aqueles cujas funções se restringem aos bastidores da entrega de serviços, desempenhando um papel indispensável. Ainda assim, todas as personagens citadas dispõem de certos graus de discricionariedade, aqui entendido como espaço de liberdade individual para tomada de decisões por parte da burocracia. Ou seja, as pesquisas do campo de implementação têm apontado para o uso deste dispositivo como uma marca dos agentes envolvidos na entrega dos serviços educacionais. Conforme sinalizam Rosistolato, Pires do Prado e Martins (2024), em investigação qualitativa de cunho etnográfico, a interação da burocracia com os destinatários revela a necessidade, ao modo que for possível, de cumprimento da política, ainda que, para isso, alguns contornos não previstos possam gerar desigualdades inconscientes, abandonando prerrogativas de equidades. Este cenário reforça a ideia de Fortunato (2024), quando aponta que a burocracia educacional serve, antes de tudo, a si própria. Ao descrever a complexa trama envolvendo a burocracia educacional brasileira, este texto procurou contribuir para reflexões acerca dos papéis desempenhados pelos agentes nas distintas cadeias de implementação das políticas públicas educacionais, caracterizando determinadas ações como marcas de alguns perfis da burocracia. Referências Bibliográficas Cavalcante, P. O., & Lotta, G. O. (2015). Burocracia de médio escalão: perfil, trajetória e atuação.https://repositorio.enap.gov.br/jspui/bitstream/1/2063/2/Burocratas%20d…. Fortunato, I. (2024). A quem interessa a burocracia na educação?. Revista Ambienteeducação, e023004. https://publicacoes.unicid.edu.br/ambienteeducacao/article/view/1341. Muylaert, N. (2019). Contribuições da Ciência Política para o campo educacional: o burocrata de nível de rua. Educação Online, 14(31), 1-9. http://educacaoonline.edu.puc-rio.br/index.php/eduonline/article/downlo…. Rosistolato, R.; Pires do Prado , A;. Martins, L. R. (2024). Etnografia na Implementação de Políticas Públicas Educacionais. Revista @ @ ambienteeducação, e023042. https://publicacoes.unicid.edu.br/ambienteeducacao/article/view/1321.
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