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O sistema de transmissão elétrica do Brasil está em constante expansão. A transmissão desempenha um papel crucial na integração entre produção e consumo de energia, levando eletricidade das usinas até os pontos de distribuição. As redes nacionais de transmissão abrangem mais de 170.000 km e têm previsão de alcançar 200.000 km ainda nesta década. No entanto, a necessária expansão enfrenta desafios socioambientais, como a perda de vegetação nativa e a fragmentação de ecossistemas. Impactos ambientais variam entre fases de instalação e manutenção das linhas, exigindo estratégias para mitigar danos. No licenciamento convencional trifásico, os Projetos Executivos são apresentados para análise previamente ao início das obras de implantação. Um impacto que tende a ser subdimensionado é a perda de vegetação nativa, principalmente no que tange o delineamento do corte seletivo durante a fase de operação. Um método alternativo de baixo impacto ambiental é proposto neste estudo para identificar árvores que representem risco às linhas de transmissão, utilizando a tecnologia LiDAR (Light Detection and Ranging). Essa abordagem permite a detecção precisa de vegetação perigosa e quantificação de áreas de corte seletivo, promovendo uma gestão eficiente e sustentável das faixas de servidão. A primeira etapa desta metodologia consistiu na criação dos Modelos Digitais de Terreno (MDT) e Elevação (MDE) a partir da nuvem de pontos da varredura a laser aerotransportado, para que fosse possível estimar, remotamente, a altura das árvores presentes na faixa de servidão. Posteriormente, de posse do projeto executivo de engenharia, foi possível gerar um modelo tridimensional do cabo, simulando as condições mais adversas esperadas para a região de estudo em termos de temperatura do ar e velocidade do vento. A partir de uma combinação entre o modelo contendo a altura das árvores na faixa de servidão e o croqui de corte seletivo (NBR 5422/2024), foi possível identificar os indivíduos, ou grupos de indivíduos, que apresentavam risco aos componentes da linha de transmissão por estarem próximos de ultrapassar a distância de segurança “cabo-copa”. Foram selecionadas 22 unidades amostrais para conferência em in loco das alturas, com auxílio de um clinômetro. A estimativa da altura dessas árvores com base na diferença entre os MDE e de MDT, gerados a partir da “nuvem de pontos”, encontrou variações percentuais de diversas amplitudes. Apesar disso, uma unidade amostral apresentou uma diferença inferior a 1% (-0,96%) entre a altura real da árvore e a estimada (MDE-MDT), o que representou menos de 1 cm. Nesse ponto que compunha a amostra, a densidade de retornos na “nuvem de pontos” foi a maior dentre os demais. Esse fato indicou uma possibilidade promissora, em que, com dados coletados através da tecnologia LiDAR com especificações adequadas para o uso florestal (maior densidade de pontos de retorno), pode ser possível gerar modelos digitais mais precisos.
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