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Abstract

PREVALÊNCIA DE INSEGURANÇA ALIMENTAR E HÁBITOS ALIMENTARES DOS USUÁRIOS DE UMA UNIDADE BÁSICA DE SAÚDE

Autores/as: Janaína Maiana Abreu Barbosa (Universidade CEUMA; [email protected]); Nayara Rafaelle Corrêa Silva (Universidade Federal do Maranhão; [email protected]); Adriana Sousa Rego (Centro Universitário Santa Terezinha – CEST; [email protected]); Allanne Pereira Araújo (Centro Universitário Santa Terezinha – CEST; [email protected]); Alexandro Ferreira dos Santos (Centro Universitário Santa Terezinha – CEST; [email protected]), Alice Vitória Lima Souza (Centro Universitário Santa Terezinha – CEST; [email protected]); Felipe Antônio Gomes Matos (Centro Universitário Santa Terezinha – CEST; [email protected]); Marina Vitória Batista Santos (Centro Universitário Santa Terezinha – CEST; [email protected]);

 

Resumo

Introdução:

              O Direito Humano à Alimentação Adequada é um direito essencial que deve ser garantido a todas as pessoas. Em 2006, a Lei Orgânica de Segurança Alimentar e Nutricional (LOSAN) representou um marco fundamental para a garantia da Segurança Alimentar e Nutricional (SAN) no Brasil, com o objetivo de assegurar que todo cidadão tenha acesso à alimentação em quantidade e qualidade adequadas, respeitando seus hábitos alimentares e sem comprometer o acesso a outras necessidades básicas (BRASIL, 2006). No entanto, a Insegurança Alimentar (IA) continua a ser um desafio significativo. Ela não se refere apenas à quantidade insuficiente de alimentos, mas também à sua qualidade, afetando o estado nutricional das pessoas e contribuindo para outras condições como a dupla carga da má nutrição, entre outras patologias. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD-C) de 2023 indicam que 27,6% dos domicílios brasileiros enfrentam incerteza quanto à disponibilidade de alimentos, limitando a qualidade ou a quantidade de alimentos para as refeições diárias. Esses números refletem uma situação crítica, especialmente entre os usuários do Sistema Único de Saúde (SUS), onde a prevalência de IA é elevada e associada a um padrão alimentar inadequado (Zanardo, Soares e Gomes, 2020). Nesse cenário, o enfrentamento da IA deve ser priorizado nas políticas públicas para garantir o direito à alimentação adequada, promovendo saúde, dignidade e qualidade de vida para todos.

Objetivo:

             Este estudo tem como objetivo verificar a prevalência de Insegurança Alimentar e os hábitos alimentares dos usuários de uma Unidade Básica de Saúde (UBS).

Método:

             Os resultados foram analisados utilizando o software Stata® versão 16.0. Esta pesquisa foi submetida e aprovada pelo Comitê de Ética e Pesquisa da Universidade CEUMA sob o parecer nº 5.541.100. O estudo realizado é de caráter observacional conduzido entre agosto e outubro de 2022. A pesquisa envolveu uma amostra de adultos e idosos de ambos os sexos, todos cadastrados em uma UBS no município de São José de Ribamar, Maranhão. O questionário utilizado incluiu 30 perguntas com variáveis sociodemográficas, medidas antropométricas (peso, altura e cálculo do Índice de Massa Corporal - IMC), hábitos alimentares e a Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (EBIA) na versão longa de 14 perguntas, para avaliar diretamente a dimensão de insegurança alimentar. A parte do questionário que avaliou os hábitos alimentares foi baseada com base no Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN). Os dados quantitativos foram organizados em um banco de dados utilizando o software Microsoft Office Excel ® 2016. A análise dos dados foi realizada utilizando o software Stata® versão 16.0.

Resultados/Discussão:

             Foram avaliados 170 chefes de família cadastrados na UBS, dos quais 67,65% eram mulheres, 48,24% solteiros, 68,24% tinham renda de um a dois salários mínimos, 66,47% apresentavam excesso de peso e 86,47% viviam em situação de insegurança alimentar. Considerando os hábitos alimentares, constatou-se que apenas 27,65% (n=47) possuíam o hábito de consumir alguma fruta no café da manhã, 89,41% (n=152) consumiam açúcar no café, 85,88% (n=146) relataram não consumir refrigerante, 61,76% (n=105) tinham o hábito de beliscar entre as refeições e 85,29% (n=145) relataram não consumir doces, chocolates, balas ou guloseimas. Os estudos de Lima et al. (2022), que avaliaram 65 usuários no Centro de Saúde de Jequié-BA, constataram que a maioria dos entrevistados era do sexo feminino (83,1%). Esse fato pode ser explicado pela maior responsabilidade das mulheres no cuidado com a alimentação da família, como também observado nos estudos de Santos, Bernardino e Pedraza (2020). Além disso, Lima et al. (2022) identificaram que a maioria dos entrevistados (55,4%) relatou rendimentos entre um e dois salários mínimos. Este dado socioeconômico é importante para entender as limitações no acesso a alimentação e a prevalência de insegurança alimentar. De maneira semelhante ao presente estudo, Melo et al. (2023) ao avaliarem 400 usuários adultos de uma Unidade Básica de Saúde localizada na região leste de saúde do Distrito Federal, encontraram que 60% dos pesquisados apresentavam excesso de peso, refletindo uma tendência nacional preocupante de aumento do sobrepeso e da obesidade (Melo et al., 2023). Simões e Januário (2023), afirmam que há relação entre excesso de peso e doenças crônicas não transmissíveis, associadas à má alimentação e baixo nível de escolaridade. No que concerne à Insegurança Alimentar (IAN), Massad et al. (2024) identificaram em seus estudos, realizados com 345 idosos de 9 Unidades Básicas de Saúde (UBS) no estado de Mato Grosso, que 50,3% dos participantes encontravam-se em algum nível de Insegurança Alimentar. Os hábitos alimentares observados também refletiram padrões inadequados de consumo alimentar. Apenas 27,65% dos entrevistados relataram consumir frutas no café da manhã, enquanto 89,41% adicionavam açúcar ao café. Esses dados são consistentes com outras pesquisas que apontam para um baixo consumo de alimentos in natura e um alto consumo de açúcares adicionados (Santos, Bernardino e Pedraza, 2020). A alta prevalência do consumo de açúcar pode contribuir para problemas de saúde como diabetes e obesidade. Nos estudos de Melo et al. (2023), foi evidenciado que o consumo de bebidas adoçadas, como refrigerantes, foi de 15,9% na frequência de cinco ou mais dias por semana.

Considerações Finais:

             Os resultados deste estudo indicam uma alta prevalência de insegurança alimentar e hábitos alimentares inadequados entre os chefes de família atendidos na UBS, evidenciando um problema de saúde pública significativo. Além disso, o excesso de peso e a significativa prevalência de insegurança alimentar observada na maioria dos participantes reflete a necessidade de políticas públicas mais eficazes para melhorar a qualidade da alimentação e reduzir os níveis de insegurança alimentar. As limitações deste estudo incluem o uso de uma amostra específica de uma única UBS, o que pode limitar a generalização dos resultados, e a coleta de dados baseada em autorrelato, que pode estar sujeita a viés de memória. No entanto, este estudo contribui para a compreensão da IA e dos hábitos alimentares em populações vulneráveis, e sugere a necessidade de intervenções direcionadas para melhorar a situação alimentar e nutricional dessas populações.

Referências:

LIMA, T. et al. Prevalência de insegurança alimentar e nutricional em famílias assistidas em um centro de saúde no município de Jequié - BA. Revista Espaço Ciência & Saúde, [S. l.], v. 10, n. 1, p. 14–25, 2022. DOI: 10.33053/recs.v10i1.592. Disponível em: https://revistaeletronica.unicruz.edu.br/index.php/saude/article/view/5…;. Acesso em: 10.jul.24.

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SIMÕES, Camilla de Moura; JANUÁRIO, Tamires Matos. Avaliação nutricional dos frequentadores de uma Unidade Básica de Saúde (UBS). Studies in Health Sciences, Curitiba, v.4, n.1, p.195-200, 2023. Disponível em:< https://ojs.studiespublicacoes.com.br/ojs/index.php/shs/article/view/10…;. Acesso em: 12.jul.24.

SOUZA, Jordana Rocha de; FASSINA, Patricia. Comparação do estado nutricional e de hábitos alimentares de usuários de uma unidade básica de saúde acompanhados pela nutricionista do local nos períodos antes e durante a pandemia de COVID-19. Brazilian Journal of Health Review, Curitiba, v.5, n.4, p.13655-13668, jul./ago., 2022. Disponível em:<https://ojs.brazilianjournals.com.br/ojs/index.php/BJHR/article/view/50… em: 12.jul.24.

ZANARDO, Maria Luiza Rosa; SOARES, Gustavo Schemer da Fonseca; GOMES, Caroline de Barros. Da cor da pele ao consumo de frutas, verduras e legumes: Insegurança Alimentar e suas associações. Revista de Segurança alimentar e nutricional. Campinas, v. 30. e023033. 2023. Disponível em: <https://periodicos.sbu.unicamp.br › san › download>. Acesso em: 10.jul.24.

Palavras-chave: Insegurança alimentar. hábitos alimentares. Unidade Básica de Saúde.

Fonte(s) de financiamento/apoio: Trabalho sem financiamento/apoio.

Conflito de interesses: Não há conflito de interesse a declarar

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Institutions
  • 1 Universidade Federal do Maranhão
  • 2 UNIVERSIDADE CEUMA
  • 3 CENTRO UNIVERSITÁRIO SANTA TEREZINHA-CEST
Track
  • Effects of Food and Nutrition Insecurity
Keywords
Insegurança alimentar.
hábitos alimentares.
Unidade Básica de Saúde.