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À sombra de Franco: retalhos, costuras e suturas da memória histórica espanhola
Matheus França Ragievicz
Universidade Federal do Paraná
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Crie um tópicoRafaela Kessler Kist
Muito interessante sua fala, Matheus, principalmente para pensarmos no ensino e como um manual didático tem tanta força, pois continuou sendo usado ainda por governos democráticos.
Pensando nisso, minha pergunta é: há alguma atualização desse livro ainda usada hoje em dia? Ou há outros livros que, de alguma forma, vão na mesma direção, produzindo efeitos de sentido semelhantes ao que você bem expos sobre Franco? Fiquei curiosa em saber como esse momento histórico se materializa nos manuais hoje em dia, você chegou a encontrar alguma coisa?
Também fiquei curiosa em saber como você fez a escolha dos textos para análise?
Parabéns pelo belíssimo trabalho!!
Gesualda Rasia
Parabéns pelo belíssimo trabalho, Matheus! Gostaria de te ouvir falar, no debate, sobre como se dá a relação entre a constituição de uma narratividade nos livros didáticos, no termos de Peled-Elhanan (Ideologia e propaganda na educação) e a sedimentação de uma memória, nos termos de Pêcheux (O papel da memória).
Matheus França Ragievicz
Muito obrigado pela pergunta, profa. Gesualda! Conversaremos mais no debate.
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Matheus França Ragievicz
Rafaela, muito obrigado pelas suas questões. Elas são muito pertinentes ao trabalho! Respondendo às perguntas:
1. Há alguma atualização desse livro ainda usada hoje em dia?
Hoje em dia acredito que o livro não siga em circulação, embora eu não possa confirmar a informação. Há um amplo debate sobre a memória histórica que resultou, por exemplo, na exumação de Franco (o ex-ditador) do "Valle de los Caídos". Então, não me parece plausível seu uso frente às políticas de memória em vigor na Espanha. Segundo algumas notícias, o livro continuou a ser reeditado e distribuído depois de 1997, como vemos nesse texto: https://vallisoletvm.blogspot.com/2009/11/la-enciclopedia-alvarez-un-mito-gestado.html?showComment=1263063969064.
2. Ou há outros livros que, de alguma forma, vão na mesma direção, produzindo efeitos de sentido semelhantes ao que você bem expos sobre Franco?
"El Parvulito" era o primeiro de uma série de livros, conhecida como "Enciclopedia Álvarez". Esses livros seguiam a mesma linha editorial e acompanhavam os alunos durante todo processo de escolarização, do pré-escolar até o final do ensino médio. Portanto, seja "El Parvulito" ou as "Enciclopedias Álvarez", até o ponto em que pude averiguar, ambos se baseavam na política nacional-católica perpetrada pelo franquismo. Se tiver interesse, recomendo o artigo de Capelato (2009), https://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0102-01882009000100005&script=sci_arttext&tlng=pt, que me parece demonstrar bem a coesão que havia na política educacional franquista nos livros didáticos.
3. Fiquei curiosa em saber como esse momento histórico se materializa nos manuais hoje em dia, você chegou a encontrar alguma coisa?
Recomendo a reportagem "Asignatura pendiente" https://www.rtve.es/alacarta/videos/informe-semanal/informe-semanal-asignatura-pendiente/5423827/. Nela há o relato de alunos e de pesquisadores da história sobre a questão. De forma geral, segundo o que nos é apresentado, há um "desconhecimento" dos estudantes sobre o franquismo. Conforme os relatos dos alunos, esse momento histórico é estudado muito pontualmente por meio de memorização de datas e de linhas temporais. A partir do minuto seis, há uma discussão mais direcionada sobre livros didáticos.
Um adendo: quando começei a investigar mais sobre "Franco" me lembrei do livro didático de história que eu costumava usar (a parte) durante a oitava séria (atual nono ano) em 2008. O livro se chamava "Nova História Crítica" e foi tirado de circulação após críticas de diferentes editoriais (Veja, Estadão, Globo - até o diretor geral de jornalismo da Rede Globo publicou um artigo defenestrando o livro). Meu ponto: nesse livro há uma menção a Franco e à Guerra Civil Espanhola (1936-1939): https://drive.google.com/drive/folders/1-00vvRWpotWvXNFoJAbgF2y8o2Ix0-zk?usp=sharing. Ainda que eu não tenha tido acesso aos materiais usados hoje, nós, como estudantes brasileiros, também fomos expostos aos relatos sobre o franquismo. Esse é um exemplo. Vale a pena dar uma olhadinha no material!
4. Também fiquei curiosa em saber como você fez a escolha dos textos para análise?
Quando começei a retraçar meu objeto de pesquisa na tese, em 2019, estava muito presente no universo midiático espanhol a exumação de Franco do "Valle de los Caídos". Tentanto me reencontrar na tese, me deparei, por meio da reportagem acima, com esse livro. Fiquei muito curioso e então vi que ainda era muito produtivo realizar análises sobre el "El Parvulito".
Muito obrigado, mais uma vez, Rafa!
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