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Avanços na imunoterapia trouxeram novas possibilidades terapêuticas para muitos tipos de tumores, decorrentes de um entendimento profundo das características de diferentes subpopulações de linfócitos presentes no microambiente tumoral. No entanto, muitos pacientes ainda não respondem bem às imunoterapias, e estudos sugerem que isso pode estar relacionado à presença de células mieloides com fenótipos pró-tumorais nesse ambiente. O estudo das células mieloides no microambiente tumoral é crucial para entender a progressão do câncer, pois essas células regulam a resposta imunológica e adaptam o ambiente ao redor do tumor. Elas podem contribuir para a progressão tumoral e resistência à terapia, suprimindo a resposta imunológica ou promovendo a sobrevivência das células tumorais. Além disso, a presença e atividade de certas subpopulações de células mieloides podem indicar o curso da doença.

Nossa pesquisa utilizou uma abordagem inovadora, integrando dados de scRNA-Seq de sete tipos diferentes de câncer, resultando na identificação de 29 subpopulações de células mieloides, revelando uma complexidade antes desconhecida. Entre as subpopulações de macrófagos, destacam-se duas: Mac_LA, derivada de monócitos e expressando altos níveis de PD-1 e TREM2; e RTM_Int, uma população de macrófagos intersticiais residente do tecido, expressando genes como FOLR2, PDL-2, IL-10 e TGF-beta, conhecidos por sua função imunossupressora.

O impacto clínico dessas subpopulações foi avaliado em coortes do TCGA de pacientes com câncer de ovário seroso de alto grau e câncer de mama triplo negativo, e validado por imunohistoquímica em coortes de pacientes matriculados no INCA. A alta expressão de TREM2 ou FOLR2 foi associada a menor sobrevida global em câncer de mama triplo negativo. Em pacientes com câncer de ovário seroso de alto grau, a presença de macrófagos RTM_Int, com alta expressão de FOLR2 e PDL-2, foi associada a menor sobrevida global e progressão livre de doença.

Essas descobertas têm importantes implicações terapêuticas, sugerindo possíveis alvos específicos para tratamento e destacando a importância de populações específicas de macrófagos no microambiente tumoral. Nosso estudo fornece informações valiosas para a prática oncológica, identificando biomarcadores de prognóstico e abrindo caminhos para novas estratégias de tratamento personalizadas para dois tipos tumorais extremamente letais em mulheres.

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Instituições
  • 1 INCA
  • 2 Universidade Federal de Santa Catarina
  • 3 Univerdade de São Paulo
  • 4 Instituto D'or
  • 5 Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo - LIM 31
  • 6 Univerdade Federal de Santa Catarina
  • 7 Instituto Nacional do Câncer
  • 8 Universidade de Campinas
Categoria
  • III - Iniciativas para o Controle do Câncer
Palavras-chave
Imunoterapia do câncer
Medicina de precisão
microambiente tumoral
scRNA-Seq
macrófagos