Para citar este trabalho use um dos padrões abaixo:
A navegação de pacientes (NP) é um processo em que um indivíduo guia as pessoas com
diagnóstico ou suspeita de alguma doença crônica e as ajuda “navegar” pelo sistema e
serviços de saúde (FREEMAN, RODRIGUEZ, 2011; FREEMAN, 2012). É uma abordagem
amplamente promovida para aumentar a probabilidade de que os pacientes tenham uma
adesão efetiva ao tratamento recomendado, reduzindo as barreiras socioeconômicas,
raciais e étnicas do cuidado (CARROLL et al, 2010; FREEMAN, 2012). Desenvolvido pelo
médico americano Harold Freeman, em parceria com a Sociedade Americana do Câncer
(American Cancer Society – ACS) em 1990, no Hospital Harlem em Nova York, o primeiro
Programa de NP foi originalmente idealizado para pacientes oncológicos (FREEMAN, 2012;
CHILLAKUNNEL et al, 2015).
Dentre as principais estratégias para a estruturação deste modelo está a implantação de
programas de navegação de pacientes para a oncologia no Brasil, com a atuação da figura
do navegador de pacientes, nominado como “Assistente do Cuidado” (ANS, 2016). O papel
principal deste profissional seria o de ajudar o paciente a “navegar”, durante seu percurso
assistencial, pelo sistema e serviços de saúde, com a finalidade de facilitar e monitorar as
possíveis dificuldades de acesso aos mesmos (ANS, 2016).
Os navegadores supervisionam todo o processo de tratamento empoderando os pacientes,
fornecendo informações e suporte, atuando como elo de ligação entre eles e os profissionais
da equipe (CANTRIL, 2014; CHILLAKUNNEL, PAI, FERNANDES, 2015).
Dentre os princípios da navegação podemos citar:
1. Modelo centrado no paciente;
2. Foco em promover continuidade do cuidado em tempo adequado;
2
3. Estabelecer fluxo para jornada da paciente;
4. Eliminação de barreiras;
5. Definição clara das responsabilidades do navegador – integrado ao time que presta
assistência a paciente;
6. Treinamento adequado para o navegador
7. Projetar início e conclusão da navegação.
Atualmente, o diagnóstico tardio e a incapacidade de acesso ao tratamento, têm contribuído
significativamente para o aumento da morbidade e da mortalidade global (WHO, 2017).
A OMS divulgou, em fevereiro de 2017, um guia com novas diretrizes direcionadas ao
objetivo de aumentar as chances de sobrevivência das pessoas com câncer, visando
garantir que os serviços de saúde tenham como foco o diagnóstico e o tratamento precoces
(WHO, 2017).
Propõe um novo modelo de organização assistencial na atenção oncológica na saúde
suplementar, sustentado por 13 pilares que compreendem: 1) a centralização do cuidado ao
paciente; 2) o acesso a informação em todas as etapas do tratamento; 3) protocolos de
rastreamento e diagnóstico precoce; 4) integração de laudos de exames; 5) busca ativa de
pacientes com exames anormais; 6) estabelecimento de grupos multiprofissionais para
definição de melhores linhas de cuidado para a uniformização de decisões; 7) articulação da
rede de assistência; 8) monitoramento de indicadores assistenciais para avaliação dos
resultados do modelo; 9) estabelecimento de serviços de cuidados paliativos e tratamento
de suporte; 10) estruturação de novos modelos de remuneração, capacitação e treinamento
de profissionais da saúde; 11) a discussão sobre o Registro de Tumor na Saúde
suplementar; 12) estabelecimento de estruturas de cuidados paliativos e tratamento de
suporte; e a 13) implementação de Programas de Navegação de pacientes com a atuação
do “Assistente do cuidado” (navegador de paciente) (ANS, 2016).
Em 2023, o Oncoguia lançou o programa de navegação leiga de pacientes oncológicos.
Estes profissionais são pessoas que não necessariamente precisam ter alguma graduação
na área da saúde, porém precisam de um básico conhecimento sobre saúde e sistema de
saúde.
O Oncoguia contratou e treinou esses profissionais de acordo com um currículo global de
navegação leiga, que foi adequada para a realidade brasileira.
Em março de 2023, O Oncoguia iniciou uma parceria com o ambulatório de Ginecologia
Oncológica da Casa de Saúde Santa Marcelina de Itaquera. O atendimento abrange
pacientes com suspeita de câncer ginecológico, doença já diagnosticada e pacientes que
apresentam recidiva da doença.
Após o atendimento médico, a equipe encaminha os pacientes à sala da navegadora, onde
neste momento a pessoa é acolhida, e lhe é apresentado o programa de navegação.
Além disso no retorno do paciente é aplicado um questionário de qualidade de vida
chamado FACT-7 para conhecermos melhor como a doença está afetando o dia a dia
destes pacientes e assim referenciarmos melhor para os recursos existentes.
O objetivo principal é desenvolver um Programa de Navegação para pacientes oncológicos
adaptado à realidade de um Centro de Alta Complexidade em Oncologia brasileiro.
Trata-se de trabalho prospectivo, no período de 2 anos , com população de mulheres
diagnosticadas com câncer ginecológico oriundas do SUS que precisam iniciar tratamento
em um centro especializado. Cumprimento das etapas da navegação a fim de identificar as
principais barreiras encontradas, além de questionário com questões psicossociais para
melhor conhecimento da população estudada.
Navegação em oncologia visa estabelecer vínculo maior entre equipe assistencial e paciente
objetivando maior agilidade em todos os passos da assistência com finalidade de vencer as
etapas e barreiras, culminando com tratamento em prazo favorável sem prejuízo ao
prognóstico da paciente oncológica. Adicionalmente, o trabalho em questão tem objetivo de
utilização de recursos com maior eficiência, reduzindo com isso custo hospitalar,
internações clínicas pelo longo tempo de espera cumprindo a meta necessária ao
atendimento em tempo oportuno. A humanização e apoio integral ao paciente e familiares
em todas as etapas do processo serão prioridade na assistência.
Com ~200 mil publicações revisadas por pesquisadores do mundo todo, o Galoá impulsiona cientistas na descoberta de pesquisas de ponta por meio de nossa plataforma indexada.
Confira nossos produtos e como podemos ajudá-lo a dar mais alcance para sua pesquisa:
Esse proceedings é identificado por um DOI , para usar em citações ou referências bibliográficas. Atenção: este não é um DOI para o jornal e, como tal, não pode ser usado em Lattes para identificar um trabalho específico.
Verifique o link "Como citar" na página do trabalho, para ver como citar corretamente o artigo