Prevalência de mutações somáticas e germinativas em BRCA1, BRCA2 e TP53 em pacientes com câncer de ovário

Vol 1, 2022 - 151602
Iniciativas para o Controle do Câncer
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Resumo

O câncer de ovário é uma das neoplasias ginecológicas com os mais altos índices de mortalidade e a frequente inativação de genes supressores de tumor como BRCA1, BRCA2 e TP53 contribui para a tumorigênese desse tumor. Os tumores de origem epitelial (EOC) representam cerca de 90% dos casos, sendo o subtipo seroso de alto grau (HGSOC) o mais frequente, estando associados a perda de função dos genes BRCA1/2. Esses genes são componentes-chave da via de reparo de quebras em dupla fita (DSB) de DNA por recombinação homóloga (HR). Outros genes supressores tumorais apresentam altos índices de variantes somáticas de perda de função em HGSOC, como o gene TP53, que possui mutações somáticas em 96% dos casos. A presença de variantes genéticas germinativas ou somáticas, com perda de função em BRCA1 e/ou BRCA2, é um indicativo para o desenvolvimento de estratégias de tratamento específicas baseadas no conceito de Letalidade Sintética, como a utilização de inibidores de PARP (iPARP). Não existem informações sobre variantes somáticas em casos de câncer de ovário na população brasileira para genes associados à HR, uma vez que os estudos são voltados às análises dos casos germinativos de câncer de ovário. É essencial averiguar os tipos de mutações somáticas, os impactos funcionais, a frequência de cada mutação e também a proporção de casos somáticos em relação aos germinativos em nossa população. Tais informações podem fornecer um panorama mais adequado às características somáticas das neoplasias de ovário que ocorrem no Brasil. O presente trabalho realizou o Sequenciamento de Nova Geração (NGS) de amostras pareadas (sangue periférico e tumor fresco congelado) de 56 pacientes EOC do INCA, a fim de identificar as variantes genéticas somáticas e germinativas e nos genes BRCA1, BRCA2 e TP53 em pacientes com câncer de ovário epitelial. Houve a caracterização quanto à patogenicidade para 112 variantes germinativas identificadas nos éxons dos genes de interesse, sendo 45 no gene BRCA1, 20 em BRCA2 e 47 em TP53. Dentre as variantes germinativas, ocorreu a identificação de 09 variantes com potencial de patogenicidade, sendo 05 no gene BRCA1, 04 em BRCA2 e nenhuma em TP53. As mutações somáticas totalizaram 70 variantes identificadas, sendo 11 no gene BRCA1, 22 em BRCA2 e 37 em TP53. Dentre as variantes somáticas, ocorreu a identificação de variantes com potencial de patogenicidade, sendo 06 no gene BRCA1, 21 em BRCA2 e 35 no gene TP53.

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Instituições
  • 1 Instituto Nacional de Câncer
  • 2 Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio)
Eixo Temático
  • Iniciativas para o Controle do Câncer
Palavras-chave
Câncer de ovário
Reparo de dano ao DNA
mutação genética