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Este estudo quantitativo, descritivo e exploratório pretendeu mensurar e comparar a Humanização existente em Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e avaliar e comparar a Responsividade do Sistema Único de Saúde (SUS) à Satisfação e Importância atribuídas por usuários, profissionais e gestores dessas UBSs. Foi utilizado um instrumento adaptado desenvolvido e validado pela Organização Mundial de Saúde (OMS)1 abordando domínios propostos pela mesma (Dignidade, Autonomia, Confidencialidade, Comunicação, Pronta Atenção, Qualidade da Estrutura Física, Escolha do Prestador do Cuidado), com acréscimo de questões relativas a Serviço Odontológico, Conselho Gestor e outras de Humanização relacionada aos trabalhadores. Utilizou-se estatística descritiva e inferencial para análise dos dados (p
O Brasil, em seu Sistema Único de Saúde (SUS), lida com a influência de contrastes socioculturais, ambientais, econômicos, demográficos e de cunho político, refletidos na divergência de território abrangido, tipos de demanda, e, sobretudo, de formação e postura empregadas por profissionais e gestores, ante os modos de gerir e agir, na prática do cuidado à saúde. Mesmo passados mais de 15 anos da implantação da Política Nacional de Humanização (PNH)2, ainda há dúvida sobre o quanto o SUS realmente consegue oferecer (Responsividade) dos aspectos não técnicos da assistência (Dignidade, Autonomia, Confidencialidade, Comunicação, Pronta Atenção, Qualidade da Estrutura Física, Escolha do Prestador do Cuidado, Conselho Gestor, Vínculos, Cogestão e Clínica Ampliada), na percepção das três categorias de sujeitos envolvidas na Assistência. Impera o cuidado voltado para o modelo biomédico, centrado em procedimentos, fortalecido pelo individualismo, tendo a produtividade em detrimento da resolutividade, ou há expressão significativa da prática de Humanização proposta, onde os atos são centrados nos sujeitos, havendo vínculo e responsabilização, por todos os envolvidos na produção de saúde?
O objetivo deste estudo foi proporcionar avaliação da Responsividade do SUS, pela quantificação da Humanização aplicada na Assistência à Saúde e percebida por profissionais (P), usuários (U) e gestores (G), bem como Satisfação e Importância atribuídas pelos mesmos, em três UBSs de Bauru/SP: Rosa (R), Orquídea (O) e Hortência (H), comparando dados obtidos entre categorias de participantes e entre UBSs estudadas, a fim de oferecer informações capazes de colaborar com os gestores do município.
Houve escolha intencional de três UBSs de Bauru, com modelo mais tradicional de assistência e características referentes a área física, território e demanda que pudessem interferir na Humanização, sendo o cálculo amostral feito com base no número médio de atendimentos mensais das UBS. A coleta de dados foi realizada de Dez./2017 a Jul./2018, através de questionário (65 questões fechadas e uma aberta), traduzido e adaptado do proposto pela OMS para medir Responsividade, sob supervisão da pesquisadora. Atribuiu-se escores de 1 a 4 para questões sobre Responsividade (média ≥3 = presença de Humanização e Satisfação>Responsividade.
Concluiu-se que o município ainda apresenta déficit de Humanização, menor em algumas UBSs que em outras e que longo tempo de espera para atendimentos, sobretudo para os de referência, parece ser generalizado, bem como a falta de conhecimento e participação do Conselho Gestor. A maior concentração de déficits significantes ocorreu na UBS H, em vários domínios, mesmo com estrutura física e número de profissionais parecerem proporcionais ao número de habitantes. O fato da UBS R, com grande precariedade da Estrutura Física, apresentar maior presença de Humanização, sugere que o formato de gestão, constância no atendimento humanizado, o Vínculo criado e população adscrita pequena tiveram influência maior que o referido domínio em déficit. Para desenvolvimento pleno da Humanização, a utilização de uso dos dispositivos sugeridos pela PNH como, por exemplo, a implantação de Grupos de Trabalho em Humanização, dentro das próprias UBSs, poderiam trazer inúmeros benefícios a todos os envolvidos.
1. De Silva A, Valentine N. Global Programme on Evidence for Health Policy. Measuring Responsiveness: Results of a Key Informants Survey in 35 Countries. GPE Discussion Paper Series, nº 21. Geneva: World Health Organization; 2000. 2. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria Executiva. Núcleo Técnico da Política Nacional de Humanização. Humaniza SUS. Política Nacional de Humanização – Documento Base para Gestores e Trabalhadores do SUS. Brasília (DF); 2004. 3. Vieira de Lima TJ, Arcieri RM, Garbin CAS, Moimaz SAS, Saliba O. Humanização na atenção básica de saúde na percepção de idosos. Saúde Soc. 2004;23(1):265-76. 4. Hollanda E, Siqueira SAVS, Andrade GRB, Molinaro A, Vaitsman J. Satisfação e responsividade em serviços de atenção à saúde da Fundação Oswaldo Cruz. Ciênc Saúde Col. 2012;17(12):3343-52. 5. Nora CRD, Junges JR. Política de humanização na atenção básica: revisão sistemática. Rev Saúde Púb. 2013;47(6):1186-200.
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