QUALIFICAÇÃO DAS LINHAS DE CUIDADO PARA PACIENTES COM HAS: CARACTERIZAÇÃO E AÇÃO TERRITORIAL NA ATENÇÃO PRIMÁRIA DA VÁRZEA - RECIFE

Vol.1 - 2021 - 136367
Comunicação Oral
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Resumo

Resumo

A hipertensão arterial sistêmica (HAS) é uma condição clínica que atinge cerca de 32,5% da população brasileira adulta e figura como fator de risco das principais causas de mortalidade atuais no Brasil. Apesar da sua magnitude e transcendência, ainda é uma patologia com diagnóstico subestimado, necessitando de atuação direta em seus macro e microprocessos de cuidado para tornar-se menos mórbida e letal. Foi identificado em duas equipes de saúde da família (ESF) na cidade do Recife um subdiagnóstico da HAS e esta pesquisa-ação utilizou ferramentas longitudinais para iniciar um processo de qualificação de informação e cuidado na atenção básica. Com a execução das primeiras etapas de otimização do dado epidemiológico local, foi possível identificar perda de informação nas ferramentas habituais de categorização dos pacientes com hipertensão das ESFs, de forma que uma proposta de nova ferramenta e mudança da perspectiva da equipe representou um aumento de 97 pessoas com diagnóstico clínico de HAS em uma das ESFs. Em análise de macrocenário epidemiológico, discutir o impacto da vigilância epidemiológica em associação com os inquéritos de vigilância, o e-SUS AB e a secretaria executiva de vigilância em saúde figura como tentativa de uniformização dos processos de cuidado, objetivando alcançar melhor êxito em âmbito de SUS para a HAS, enquanto doença crônica não transmissível.

Introdução

A hipertensão arterial sistêmica (HAS) é uma condição clínica multifatorial e importante fator mórbido no Brasil. A cidade do Recife é uma das capitais brasileiras com maior prevalência de HAS, afetando 28,4% da população maior de 18 anos (Vigitel, 2019). A Estratégia Saúde da Família atende aos requisitos da atenção a portadores de agravos crônicos: equipe multiprofissional de proximidade, encarregada da educação e promoção da saúde, com modo de agir proativo; no entanto, embora existam conhecimento técnico protocolado, bem como disponibilidade de exames e medicações, verifica-se na prática que o controle da HAS continua insatisfatório (FONTBONNE et al, 2018). Assim é porque os atos cuidadores eficazes não acontecem a nível de macro-organizações, mas na micropolítica das conexões estabelecidas pelos usuários e trabalhadores dentro das organizações - no agir cotidiano dos sujeitos em suas interações com o cenário nos quais se encontram (FRANCO et al, 2006). Propomos que a qualificação das linhas de cuidado integrais desses pacientes passam, imprescindivelmente, por uma gestão do cuidado que utilize as tecnologias leves do vínculo e da responsabilização (MALTA & MERHY, 2010).

Objetivos

Criação de vínculo longitudinal com os pacientes como garantia de integralidade do cuidado. Para este fim, planejamos: caracterizar a epidemiologia da HAS no território; qualificar a informação e aumentar o diagnóstico da doença por busca ativa, visto que a prevalência da doença na área é muito inferior àquela estimada para a cidade do Recife; e estratificar o risco cardiovascular dos pacientes adscritos e planejar o cuidado de acordo com fatores de risco clínicos e vulnerabilidade psicossocial.

Metodologia

O estudo foi uma pesquisa-ação longitudinal e contínua, realizado com duas Equipes de Saúde da Família da cidade do Recife, em Sítio Wanderley (SW) e Brasilit (BRS) em 2020. As etapas acontecem de forma cíclica, com 4 eixos de desenvolvimento, iniciando pelo diagnóstico epidemiológico da população adscrita à ESF, que visa responder quantos e quem são os usuários da ESF no momento da intervenção, onde se distribuem e como os dados referentes a epidemiologia deste grupo podem ser levantados. Segue-se com uma intervenção clínico-epidemiológica nos pacientes adscritos às ESF, que inclui uma classificação de risco cardiovascular e social, teleatendimento como ferramenta de triagem e consulta médica utilizando o método clínico centrado na pessoa, objetivando fortalecer o vínculo. Em sequência, o projeto se vincula a busca ativa de população com HAS e vulnerabilidade cardiovascular no território, e culmina com a manutenção de postura ativa no território e seguimento dos usuários vinculados. Resultados e Discussão Foi realizada, inicialmente, caracterização clínico-epidemiológica nos pacientes adscritos à ESF. Em SW, dentre os 2200 cadastrados no informatizaAPS, considerando as limitações da pandemia, 97 novos pacientes com HAS foram identificados, passando de 206 para 303, utilizando o cruzamento de informações fornecidas por ACSs na tabela de hipertensos e e-SUS AB, identificando-se perda de informação nas ferramentas habituais de categorização destes pacientes nas ESFs. Dentre os 1438 usuários das 02 microáreas com ACS em BRS, tem-se dados de prevalência de HAS atualizados desde agosto/2020, com 203 pacientes. Interviu-se com processo de teleatendimento de acordo com fluxograma específico por ESF: através da aplicação de perguntas objetivas, identificamos os pacientes que deveriam comparecer a USF para consulta, programamos as demais conforme estratificação de risco cardiovascular e social, em processo que ressalta a importância da postura ativa do serviço em buscar comunicação e fortalecimento do vínculo. Consultas agendadas conforme ordem de prioridade oportunizam a identificação de fatores de risco, bem como a atualização de dados clínico-laboratoriais para cuidado eficaz.

Conclusões / Considerações finais

O projeto propõe ação contínua em todas as suas etapas. Até então, iniciamos o processo de qualificação da informação: analisamos os dados dos usuários adscritos e estimamos o alvo baseado nos dados epidemiológicos do município. Enfrentamos muitos desafios devido a situação excepcional de pandemia, mas adaptamos o processo de trabalho, iniciamos o teleatendimento, buscando estabelecer prioridades no agendamento de consultas presenciais e evitar aglomerações, e iniciamos a classificação do risco cardiovascular destes pacientes. Os principais desafios futuros são envolver e integrar a atuação das agentes comunitárias de saúde, tanto no processo de busca ativa de novos pacientes quanto na vinculação dos habitantes do território, especialmente quando do pleno retorno das visitas domiciliares, e continuar a atualização de dados dos pacientes que estavam adscritos, mas não acompanhados, tendo sempre como norte a qualificação do tratamento e o cuidado individualizado e integral.

Referências

BRASIL, Ministério da Saúde. VIGITEL Brasil 2019: Vigilância de Fatores de Risco e Proteção Para Doenças Crônicas Por Inquérito Telefônico. Brasília, DF, 2020. FONTBONNE A, et al . Relações entre os atributos de qualidade de atenção aos usuários hipertensos e diabéticos na Estratégia Saúde da Família e o controle dos fatores prognósticos de complicações. Cad. saúde colet., Rio de Janeiro, v. 26, n. 4, p. 418-424, Dec. 2018. CORRÊA GCC, et al. Pesquisa-ação: uma abordagem prática de pesquisa qualitativa. Ensaios Pedagógicos (Sorocaba), vol.2, n.1, p.62-72. São Paulo, 2018. FRANCO, T.B.; As Redes na Micropolítica do Processo de Trabalho em Saúde, in Pinheiro R. e Mattos R.A. (Orgs.) , Gestão em Redes; Rio de Janeiro, CEPESC-IMS/UERJ-ABRASCO, 2006. MALTA, D.C.; MERHY, E.E. The path of the line of care from the perspective of non-transmissible chronic diseases. Interface - Comunic., Saude, Educ., v.14, n.34, p.593-605, jul./set. 2010

Eixo Temático
  • 8. Gestão do Cuidado e de Serviços de Saúde