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Diante da constatação do uso crescente de observatórios ou rede de observatórios, como um dispositivo institucional para a Saúde, enquanto tecnologias de informação e comunicação inseridas no ciberespaço, buscou-se investigar a sua atuação na produção e difusão de conhecimento na pandemia de COVID-19, no Brasil e no mundo. Trata-se de um estudo comparativo de casos múltiplos que analisou conteúdo das informações em 10 websites observatórios de saúde. Os resultados preliminares apontaram para a tendência de criação de novas seções sobre a pandemia, além do trabalho de curadoria com publicações de notícias, boletins epidemiológicos, links, artigos, estudos e pesquisas. Cabe ainda destacar a inserção de novas ferramentas, o uso de redes sociais e diversidade de linguagens. Os resultados revelaram a relevância do trabalho dos observatórios em monitorar estados de saúde, reunir produção de conhecimento e fornecer informações de qualidade baseadas em evidências. Ressalta-se ainda o potencial para mobilizar redes de interessados no acesso às informações confiáveis acerca da pandemia. Conclui-se com reflexões sobre a importância dos sistemas universais e gratuitos de saúde, bem como sobre o potencial intercultural e comunicativo desses observatórios de saúde enquanto redes de informação e comunicação para produção de conhecimento e disseminação de informações na pandemia de COVID-19.
Em resposta à COVID-19, países em todo o mundo implementaram medidas sociais e de saúde pública, que são ações de indivíduos, instituições, comunidades, governos e organismos internacionais, para o controle da pandemia. Na crise global, as instituições de pesquisa têm papel fundamental e a ciência é uma das principais aliadas para definir estratégias de combate à doença, seja na busca de tratamentos e vacinas, na elaboração de modelos de proteção ou no estudo dos impactos em comunidades. Nesse contexto, aponta-se o crescimento de observatórios ou rede de observatórios dedicados à Saúde Coletiva. A conformação de redes que articulam instituições, pesquisadores, gestores e profissionais vem ratificando a força de colaboração enquanto dispositivos institucionais para a Saúde, bem como tecnologias de informação e comunicação inseridas no ciberespaço. Estudos destacam a função de oferecer informações confiáveis para acompanhamento de políticas, planejamento e tomadas de decisão baseadas em evidências (PAIM; RANGEL-S, 2020).Nessa perspectiva, buscou-se investigar a atuação de observatórios de saúde na produção e difusão de conhecimento na pandemia de COVID-19, no Brasil e no mundo.
Analisar a atuação de observatórios de saúde na produção de conhecimento e difusão de informações confiáveis na pandemia de COVID-19, no Brasil e em outros países; Descrever e caracterizar os tipos de publicações e ferramentas que abordam conteúdos referentes à temática da COVID-19, presentes em um conjunto de sites nacionais e internacionais de observatórios de saúde.
Minayo e Sanches (1993) ressaltam a relevância das abordagens qualitativas para estudar a configuração de fenômenos, processos e instituições. Trata-se de um estudo comparativo de casos múltiplos que teve como ponto de partida os resultados de tese de doutorado (PAIM, 2019) que analisou conteúdo das informações em um conjunto de 10 websites de observatórios de saúde. À luz do referido estudo, foram realizadas, no mês de setembro de 2020, novas visitas aos 10 sítios para identificar possíveis mudanças nas estruturas, conteúdos e estratégias de comunicação motivadas pela pandemia. Além disso, foi elaborado e aplicado o roteiro de observação técnico-comunicacional com o foco na atuação deles na produção de conhecimento e disseminação de informações confiáveis durante a pandemia. Cada sítio compôs um arquivo individual com cópias dos principais conteúdos e observações. Essas notas de campo foram registradas de forma a apoiar a caracterização individual e subsidiar a análise comparativa. Resultados e Discussão A investigação constatou publicações e ferramentas que abordam conteúdos referentes à COVID-19 em 7 dos 10 sites visitados. Desse modo, partiu-se da análise dos seguintes observatórios de saúde: Bretagne/França; Europeu; RH Opas; Escocês; Astúrias/Espanha; Regiões Italianas e Análise Política em Saúde(OAPS)/Brasil. Os resultados apontaram para a tendência de criação de novas seções com informações sobre a pandemia, além da curadoria de publicações de notícias, boletins epidemiológicos, links, estudos e pesquisas. Destaca-se o OAPS com contribuições em diversas frentes de pesquisa sobre múltiplas dimensões da crise. Há também registros da inserção de ferramentas, como a do Observatório Europeu de Sistemas e Políticas de Saúde, que coleta e organiza informações atualizadas sobre como os países estão respondendo à crise, permitindo comparações. Cabe ainda destacar o uso de redes sociais e a preocupação com utilização de várias linguagens para públicos diversos. Esse aspecto revela um olhar para a interculturalidade à luz do conjunto de competências pedagógicas, comunicacionais e linguísticas relacionadas por Ramos (2017) para comunicar e trabalhar em saúde.
Os resultados revelaram a relevância do trabalho dos observatórios em monitorar estados de saúde, reunir produção de conhecimento e curadoria de informações baseadas em evidências. Ressalta-se ainda o potencial para mobilizar redes de gestores, profissionais, pesquisadores e cidadãos interessados em informações confiáveis. Assim, evidências de trabalho em cooperação entre instituições, pesquisadores e/ou países, fortalecem a capacidade de troca de saberes e intercâmbio de experiências e informações. Os sites dão visibilidade às notícias, achados científicos, estratégias de enfrentamento e trazem contribuições de pesquisadores sobre múltiplas dimensões da crise global sanitária, econômica e política. Conclui-se com reflexões sobre a importância dos sistemas universais e gratuitos de saúde, bem como sobre o potencial intercultural desses observatórios de saúde enquanto redes de informação e comunicação para produção e difusão de conhecimento na pandemia de COVID-19.
MINAYO, M. C. S.; SANCHES, O. Quantitativo-qualitativo: oposição ou complementaridade? Cad. Saúde Pública, v. 9, n. 3, p. 239-262, jul.-set. 1993 PAIM, M.C. Observatórios: redes de informação e comunicação para políticas de saúde?” 2019. 193f. Tese (Doutorado) - Universidade Federal da Bahia, 2019. PAIM M.C.; RANGEL-S, M.L. Observatórios enquanto redes sociotécnicas: a dinâmica da associação para atuação na análise de políticas e sistemas de saúde. Interface Comunicação, Saúde, Educação. Botucatu, 2020; v.24. (Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-32832020000...) RAMOS, N. Comunicação em saúde, interculturalidade e competências: desafios para melhor comunicar e intervir na diversidade cultural em saúde. In: RANGEL-S, M. L.; RAMOS, N. (org). Comunicação e saúde: perspectivas contemporâneas. Salvador: EDUFBA, 2017.
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