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A Atenção Primária à Saúde tem avançado no processo de informatização das unidades de saúde, buscando maior agilidade e modernização, qualificação e integração dos dados clínicos, integralidade da assistência, entre outros benefícios. Apesar do aparato legal e das iniciativas e estímulos do Ministério da Saúde (MS), ainda há muitos desafios a serem superados nesse processo, dentre os quais destacamos as questões relacionadas a infraestrutura como a conectividade e equipamentos, adesão dos profissionais as ferramentas tecnológicas e adequado registro dos dados, etc. O relato de experiência apresenta o processo de implantação do prontuário eletrônico do cidadão (PEC) em 54 Unidades de Saúde gerenciadas pela OSS SPDM PAIS no município de São Paulo com adesão ao Programa Saúde na Hora no contexto da pandemia do Covid 19. Além dos desafios inerentes ao processo de informatização foi somado os desafios do cenário da pandemia, exigindo adequações e ajustes de estratégias que evitassem aglomerações e exposição dos profissionais a riscos de contaminação. Diante do exposto, visando a continuidade do processo foram utilizadas estratégias para capacitação remota associadas ao apoio institucional in loco, o que possibilitou o avanço da implantação do PEC em 32 unidades de saúde até o momento.
O MS instituiu o Sistema de Informação em Saúde para a Atenção Básica (SISAB), sendo, vigente para fins de financiamento e de adesão aos programas e estratégias da Política Nacional de Atenção Básica. A operacionalização do SISAB é feita por meio da estratégia e-SUS Atenção Básica (e-SUS AB) que busca um novo modelo de gestão de informação no apoio a municípios e serviços de saúde na gestão efetiva da AB e na qualificação do cuidado dos usuários. O Prontuário Eletrônico do Cidadão (PEC) compõe o e-SUS AB e visa apoiar o processo de informatização das UBS nas ações de gerenciamento; organização da agenda; registro monitoramento e avaliação das ações de saúde no território; etc. Outras iniciativas do MS buscam incentivar a informatização dos serviços de saúde, como o Programa Saúde na Hora. O programa viabiliza o custeio para implantação do horário estendido de funcionamento das Unidades de Saúde tendo como requisitos a utilização do prontuário eletrônico. O município de São Paulo fez a adesão ao Programa em dezembro de 2019 e 54 unidades de saúde com 243 eSF e 66 eSB inscritas são gerenciadas pela OSS SPDM/PAIS.
O presente artigo tem por objetivo apresentar o processo de implantação do PEC-ESUS nas 54 unidades de saúde com 243 eSF e 66 eSB gerenciadas pela OSS SPDM/PAIS no município de São Paulo com adesão ao Programa Saúde na Hora bem como as estratégias criadas para a implantação durante a Pandemia do COVID-19.
Após adesão ao Programa Saúde na Hora, foi elaborado plano de ação para atender aos requisitos, dentre eles a implantação do PEC. A proposta inicial se deu em 03 etapas: 1. alinhamento sobre o Programa com ênfase no PEC – em reunião presencial com os gerentes; 2. Treinamento teórico-prático dos profissionais – presencial em grupos, em laboratório de informática; e 3. Implantação do PEC – com imersão das supervisoras de planejamento nas unidades em apoio aos profissionais. Em meio a pandemia de Covid19, com a necessidade de distanciamento social e o desafio da implantação do PEC foi retomado o plano alterando as estratégias: 1. alinhamento sobre o Programa com ênfase no PEC – através de videoconferência com os gerentes; 2. Treinamento teórico dos profissionais – através de videoconferência com as supervisoras de planejamento in loco para acompanhamento das aulas e apoio nas atividades práticas e 3. Implantação do PEC – com imersão das supervisoras na unidade em apoio aos profissionais. Resultados e Discussão Em meio ao processo de implantação do PEC nas 54 unidades de saúde gerenciadas pela OSS SPDM PAIS com adesão ao Programa Saúde na Hora, houve a declaração de pandemia de Covid 19 pela Organização Mundial da Saúde, e entre as principais estratégias para minimizar o avanço do vírus estava o distanciamento social, portanto, o plano para implantação do PEC sofreu ajustes se adequando às plataformas digitais disponíveis combinada com o apoio de supervisores de planejamento in loco, permitindo desse modo maior interação e esclarecimentos de dúvidas, sem provocar aglomerações em salas de treinamento na forma tradicional e cumprindo o objetivo de implantar o PEC. Na primeira fase (dezembro de 2019 e janeiro de 2020), antes do cenário pandêmico, foram realizados treinamentos presenciais e implantação do PEC em 12 unidades de saúde e na segunda fase, onde os treinamentos foram retomados e ajustados as tecnologias remotas combinadas (setembro de 2020) foram realizados em 20 unidades de saúde até o momento, demonstrando que é possível utilizar as ferramentas remotas associadas as ações in loco para avançar e consolidar o processo de utilização do PEC nas unidades de saúde.
A implantação do PEC nas unidades de saúde contribui com o processo de informatização do SUS. São inúmeros os benefícios desta ferramenta, dentre as quais: maior agilidade e modernização do serviço; qualificação do fluxo de informação e tomada de decisão, compartilhamento de dados dos usuários pela equipe clínica, minimiza sobreposição e fragmentação das ações e contribui com a integralidade da assistência. Porém este processo também traz consigo grandes desafios, como a capacitação em meio à pandemia, a adesão dos profissionais e a qualificação do registro dos dados. Nesse sentido, a próxima fase após o processo de implantação do PEC será o monitoramento do uso da ferramenta e o acompanhamento dos dados oriundos do PEC de forma regular e sistematizada, através dos relatórios SISAB e dos indicadores do Programa Saúde na Hora, de modo a permitir intervenções oportunas para consolidação da informatização, qualificação dos dados e consequentemente da assistência integral ao paciente.
http://aps.saude.gov.br/ape/esus/manual_3_2/introdutorio https://aps.saude.gov.br/ape/saudehora
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