DIMENSIONAMENTO DE CARGA DE TRABALHO DE EQUIPE MÉDICA OBSTÉTRICA NO ESTADO DA BAHIA

Vol.1 - 2021 - 136388
Comunicação Oral
Favoritar este trabalho
Como citar esse trabalho?
Resumo

Resumo

Existe uma crise mundial de FTS e, no Brasil, essa se expressa pela desigualdade de distribuição de pessoal de saúde, particularmente nas regiões rurais, periferias urbanas ou locais de difícil acesso, tornando-se um grande obstáculo para a garantia do acesso a sistemas e serviços de saúde. Ressalta-se, que o debate entre a adequação da FTS e a organização das práticas nos serviços de saúde se constitui um grande desafio para a gestão, uma vez que o PFT está entre os tipos mais complexos de planificação. Esse cenário motivou a concepção desta pesquisa, que teve como objetivo geral: analisar a carga de trabalho de médicos ginecologistas-obstetras que atuam no CO e PA de uma maternidade estadual, a partir do método WISN. Trata-se de um estudo de intervenção, exploratório-descritivo com abordagem quantitativa e elementos qualitativos, no qual foram utilizadas as etapas metodológicas recomendadas pelo WISN para calcular e analisar a carga de trabalho dos profissionais médicos ginecologistas-obstetras atuantes no CO e no PA de uma maternidade do estado da Bahia. O trabalho indicou déficit de 14 obstetras plantonistas na unidade com carga de trabalho de 0,81.

Introdução

Sistemas de saúde em funcionamento requerem força de trabalho (FT) qualificada, distribuída equitativamente e acessível a toda população, uma vez que estes são bases para a garantia do acesso à saúde. No entanto, existe uma crise mundial de FTS, que no Brasil se expressa pela desigualdade de distribuição de pessoal de saúde, nas regiões rurais, periferias urbanas ou locais de difícil acesso, tornando-se um grande obstáculo para a garantia do acesso a sistemas e serviços de saúde(2,4,5,6). Ressalta-se, que o debate entre a adequação da FTS e a organização das práticas nos serviços de saúde se constitui um grande desafio para a gestão, posto que o planejamento da força de trabalho (PFT) está entre os tipos mais complexos de planificação(3). Com base no exposto, a realização de dimensionamento e a análise das cargas de trabalho da equipe médica do centro obstétrico (CO) e pronto atendimento (PA) de uma maternidade estadual é relevante para se pensar melhorias nos processos de trabalho e nas estratégias de captação, seleção e manutenção destes trabalhadores na unidade, o que poderá favorecer a melhoria na qualidade da atenção à saúde da mulher e da criança no âmbito estadual.

Objetivos

Este trabalho teve como objetivo geral analisar a carga de trabalho de médicos ginecologistas-obstetras que atuam no CO e PA de uma maternidade pública do estado da Bahia, a partir do método WISN e, como objetivos específicos: definir as atividades realizadas pelos obstetras na maternidade estadual durante o ano de 2019 e determinar seus padrões de tempo; contribuir para o dimensionamento da necessidade quantitativa desta força de trabalho.

Metodologia

Realizou-se um estudo de intervenção, exploratório-descritivo, quantitativo, com elementos qualitativos, utilizando as etapas metodológicas recomendadas pelo WISN(22) para calcular e analisar a carga de trabalho dos profissionais médicos ginecologistas-obstetras atuantes no CO e no PA de uma maternidade de 100 leitos, que compõe a Rede Cegonha na atenção à saúde da mulher e do recém nascido e localiza-se na cidade de Salvador, Bahia. Sendo selecionada por meio de amostra de conveniência, tendo como critério compor a rede própria estadual sob gestão direta. A coleta de dados ocorreu de 16 a 27 de setembro de 2019. Utilizou-se o diário de campo, para registro dos elementos qualitativos, diariamente, por um período de 11 dias(1). Para identificação do tempo médio despendido na execução das atividades foi realizada a técnica de amostragem do trabalho, que consistiu na observação direta, estruturada, não participativa, de uma amostra de sete médicos durante a jornada de trabalho de 12 horas. Resultados e Discussão Após o levantamento das atividades e seus respectivos tempos, foi identificada uma necessidade de 76 profissionais obstetras que, ao ser comparado aos 62 existentes na maternidade, resultou em um déficit de 14 obstetras plantonistas com pressão de carga de trabalho de 0,81. O estudo também apontou que o número insuficiente de obstetras na unidade de saúde foi decorrente da diversidade de vínculos precários, associado a processos de trabalho mal estruturados e déficit de equipe multiprofissional. Ambiguamente, a multiplicidade de vínculos revela o esforço da Secretária de Saúde do Estado da Bahia (SESAB) e da gestão da maternidade em garantir a continuidade da atenção à saúde da mulher e da criança, uma vez que busca contratar profissionais para execução do cuidado. Entretanto, explicita a vulnerabilidade dos médicos ao processo de precarização e desregulamentação do trabalho, passando a sofrer os impactos da diversidade de vínculos e ganhos salariais, gerando insatisfação naqueles que percebem uma menor remuneração, além de contribuir com a descontinuidade da assistência, já que o contrato com rendimentos menos atrativos tem dificuldades em fixar o trabalhador no serviço(2).

Conclusões / Considerações finais

O presente estudo, ainda que pioneiro, tem o potencial de contribuir no planejamento e tomada de decisão da gestão da SESAB e da maternidade pesquisada, uma vez que a partir do conhecimento da necessidade (em termos quantitativos) de obstetras para a equipe de plantonistas e das principais causas que, possivelmente, impactaram no déficit apresentado, pode-se obter subsídios para pensar em melhorias nos processos de trabalho e nas estratégias futuras de captação, seleção e manutenção deste tipo de trabalhadores na unidade. No entanto, aconselha-se a repetição da pesquisa na mesma maternidade, se possível por um período maior de observação, do mesmo modo que em outras do mesmo perfil para que recomendações mais sólidas sejam feitas.

Referências

1. FALKEMBACH, Elza Maria F. Diário de campo: um instrumento de reflexão. In:Contexto e educação. Ijuí, v.2, n.7, p.19-24,1987. 2. GADELHA, Paulo; CARVALHO, José Noronha de; PEREIRA, Telma Ruth. A saúde no Brasil em 2030:diretrizes para a prospecção estratégica do sistema de saúde brasileiro. Fiocruz/Ipea/Ministério da Saúde.Rio de Janeiro.2012. 3. NOGUEIRA, Roberto Passos. A força de trabalho em saúde.Revista de Administração Pública,v.17,n.3,p.61-70,jul./set.1987. 4. ORGANIZACIÓN MUNDIAL DE LA SALUD (OMS). Indicadores de carga de trabajo para la estimación del personal necessário. Ginebra, 2014. 5. VIANNA, Cid Manso de Mello. Estruturas do sistema de saúde: do complexo médico-industrial ao médico-financeiro.Physis:Revista de Saúde Coletiva, v.12, p.375-390,2002. 6. WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). World health statistics 2018: monitoring health for the SDGs, sustainable development goals. Geneva, 2018.

Eixo Temático
  • 7. Política, Planejamento e Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde