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Contextualização: O Estágio de Nutrição em Saúde Coletiva da Universidade de Fortaleza, tem carga horária de 360 horas e segue um projeto pedagógico que visa o desenvolvimento de competências. Destaca-se dentre elas a de “atuar de forma interdisciplinar, em equipes interprofissionais no desenvolvimento de atividades de alimentação, nutrição e saúde”. O estágio em seu processo de ensino aprendizagem utiliza as competências técnicas e também as socioemocionais, designadas competências de vida que envolvem Cognição, Colaboração, Comunicação e Cidadania buscando o protagonismo do graduando. Nesse sentido, o Núcleo de Atenção Médica Integrada (NAMI) da Universidade de Fortaleza (UNIFOR) se caracteriza como um cenário de prática fundamental para alcançar o desenvolvimento de tais competências, pois se caracteriza como um centro de práticas em saúde para o atendimento integrado à população e oferece um atendimento humanizado, interprofissional. O Estágio utiliza desse espaço para desenvolver algumas atividades previstas na carga horária do estágio. Entre elas destaca-se a consulta compartilhada, tema deste relato, uma estratégia de intervenção que utiliza quatro horas do estágio com intuito de oferecer aos pacientes acompanhados nos setores do núcleo orientações quanto a mudanças no estilo de vida e orientações nutricionais.. Descrição da Experiência: Cada turma com média de cinco alunos realizava uma vez por semana atividades orientadas pelo professor tutor, nos diferentes serviços do NAMI (Medicina, Fisioterapia, Fonoaudiologia, Terapia Ocupacional). A proposta pedagógica era possibilitar aos alunos a vivência da interdisciplinaridade e o reconhecimento da atuação profissional de outras categorias. Foram realizadas consultas compartilhadas entre alunos de Nutrição e alunos/profissionais dos ambulatórios, com intervenções do tipo avaliação antropométrica, aplicação do marcador de consumo alimentar do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional e orientações alimentares com uso de materiais educativos para situações específicas (Transtornos do Espectro Autista e do Déficit de Atenção com Hiperatividade, seletividade alimentar, Síndrome de Down, Síndrome de Willian, hipo/hipertireoidismo, labirintite, disfagia, hipertensão arterial, diabetes mellitus, doença do refluxo gastroesofágico, excesso de peso, déficit de crescimento, endometriose, dislipidemia e esteatose hepática). O público envolveu crianças, adolescentes, adultos, idosos e gestantes. Para identificar a percepção dos docentes quanto a esta experiência, foi aplicada a matriz SWOT (em português matriz FOFA Forças-Oportunidades-Fraquezas-Ameaças).. Objetivo e período de Realização: Relatar a experiência da vivência de atividades interprofissionais do Estágio em Saúde Coletiva, a partir da visão de docentes do curso de Nutrição. O acompanhamento das atividades práticas pelos docentes nutricionistas ocorreu durante os semestres 2023.2 e 2024.1.. Resultados: Quanto às Forças, verificou-se o acolhimento dos outros profissionais para compartilhar seus atendimentos, propiciando a integralidade da atenção. Além disso, a adequada estrutura física e disponibilidade de materiais também foram citados como Forças. Como Fraquezas, identificou-se os atendimentos realizados de forma pontual, que não permitiram o acompanhamento dos casos e, em algumas situações, como crianças autistas. No quesito Oportunidades, reconheceu-se a complementaridade das diferentes áreas da saúde, a presença de um espaço favorável para explorar mais a relação discente-serviço-usuário e para realizar sessão de abordagem alimentar junto com a equipe da Terapia Ocupacional e Fonoaudiologia, além da participação dos alunos em grupos de orientação parental previamente estabelecidos, o que poderia ser realizado no setor da Psicologia, área da saúde não envolvida nesta vivência. Quanto às Ameaças, apontou-se o absenteísmo de pacientes; priorização médica pelos acadêmicos de medicina; mesmo público em alguns serviços em determinado dia da semana, gerando baixa adesão; e mudança de docente no acompanhamento das turmas.. Aprendizado e Análise Crítica: Percebe-se que a realização das consultas compartilhadas permitiram aos alunos experimentar o exercício profissional na atenção secundária à saúde, com suas potencialidades e desafios. A consulta compartilhada é um instrumento de trabalho (Luz et al., 2016), que busca a interação de várias abordagens que possibilitem o manejo eficaz da complexidade do trabalho multiprofissional (Brasil, 2009). Em relação ao acompanhamento das crianças com TEA foi proposto a realização de reuniões prévias com profissionais do serviço e disponibilizar planos de intervenção terapêutica dos pacientes buscando contribuir com um acompanhamento mais eficaz dos casos. Além disso, a inclusão da nutrição no acompanhamento de crianças com TEA, torna-se essencial, considerando o impacto que uma abordagem nutricional adequada pode ter no cuidado integral desses pacientes e suas famílias. As consultas compartilhadas foram uma ferramenta eficaz para a promoção da mudança de comportamento em saúde, com vistas à dimensão biopsicossocial do usuário, bem como importante instrumento para solucionar e/ou orientar a resolução de problemas imediatos e identificar a real demanda do usuário, a fim de direcioná-lo para ações efetivas (Lima, 2021). Nesse sentido, a atividade buscou na lógica da clínica ampliada fornecer uma assistência integral e qualificada, evitando privilegiar algum conhecimento específico.. Referências: BRASIL. Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à saúde. Clínica ampliada e compartilhada / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Política Nacional de Humanização da Atenção e Gestão do SUS. Brasília: Ministério da Saúde, 2009. LIMA, R.D. Consulta compartilhada: numa dimensão biopsicossocial. Revista Humanidades e Inovação, v.8, n.55, p.329-333. Disponível em: https://revista.unitins.br/index.php/humanidadeseinovacao/article/view/…. Acesso em: 10 jun. 2024. LUZ, A.R.; VIANNA, M.S.; SILQUEIRA, S.M.F.; SILVA, P.C.; CHAGAS, H.A.; FIGUEIREDO, J.O.; MORTIMER, F.M.; STARKE, A.C. Consulta compartilhada: uma perspectiva da clínica ampliada na visão da residência multiprofissional. Revista Gestão & Saúde, [S. l.], v. 7, n. 1, p. 270–281, 2016. Disponível em: https://periodicos.unb.br/index.php/rgs/article/view/3419. Acesso em: 10 jun. 2024..
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