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Apresentação/Introdução: A Atenção Primária à Saúde é a principal porta de acesso à saúde e ponto de contato da população. Sua eficiência se efetiva ao passo que engloba o acolhimento, a escuta e a oferta de respostas resolutivas para a maioria dos problemas de saúde, assegurando a integralidade como eixo transversal ao cuidado (Brasil, 2017). Em contraponto, o trabalho nas unidades de saúde é frequentemente relatado com baixa interação interprofissional, a qual fica limitada, basicamente, às reuniões de equipe (Colomé et al., 2008), caracteriza-se por profissionais que desempenham suas funções isoladamente, sem buscar compreensões coletivas (Ferreira et al., 2009). As ações das equipes de saúde da família, por sua vez, são desenvolvidas de forma fragmentada, desarticulada e individualista, e ainda apresentam centralidade no profissional médico (Medeiros, 2011). A efetividade da Atenção Primária à Saúde (APS) perpassa a necessidade do trabalho em equipe com a integração dos conhecimentos (Giovanella et al., 2016). Por outro lado, percebe-se práticas ligadas ao modelo biomédico o que nos indica que as relações entre os profissionais de saúde são tão complexas quanto os próprios problemas de saúde. Por isso, o presente estudo tem como objetivo analisar quais os desafios para a realização do trabalho em equipe sob a ótica dos profissionais que compõem as eSF em um município do sul de Santa Catarina.. Objetivos: Este estudo tem como objetivo relatar os desafios do trabalho em equipe a partir da ótica dos profissionais que atuam nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) em Criciúma/SC.. Metodologia: Trata-se de estudo qualitativo que contemplou 12 UBSs do município de Criciúma/SC, sendo duas de cada distrito sanitário. A seleção das UBS participantes fora realizadas de maneira aleatória de acordo com distrito sanitário. O processo de seleção dos participantes foi por conveniência depois da definição do local do estudo, contando com 69 participantes. A coleta de dados foi realizada através de uma entrevista semiestruturada com questões relacionadas de perfil sociodemográfico e perguntas relacionadas ao objeto investigado. Após a coleta dos dados foi realizada a análise temática de conteúdo subsidiada pelo software Atlas.ti 23 dividida em três fases: pré-análise, exploração do material e tratamento dos resultados (Soratto, Pires, Friese, 2020). Os dados foram apresentados por meio dos trechos significativos dos principais códigos e de maneira completar por frequências relativas e absolutas. A pesquisa respeitou os preceitos éticos sendo aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa sob o número 5.821.159 e o anonimato dos participantes pela introdução de um código alfa numérico.. Resultados e Discussão: Os desafios do trabalho em equipe para os profissionais das Unidades de Saúde estão relacionados ao Déficit de incentivo e mobilização pessoal (n = 80 – 42,6%); Relações interprofissionais e comunicação (n = 57 – 30,3%); Organização do trabalho em saúde (n = 47 – 25%); Dificuldades estruturais e de recursos (n = 4 – 2,1%), que representam as subcategorias encontradas nesse estudo. A falta de estímulo ou reconhecimento do trabalho em equipe pela liderança desmotiva os profissionais a realizarem as atividades em equipe, sendo necessário ações concretas que promovam a expansão e fortalecimento contínuo da ESF. Boas Relações interprofissionais e a comunicação são essenciais para o bom desempenho da equipe. A dificuldade de comunicação congruente entre os profissionais de saúde está entre os principais fatores que contribuem para erros médicos, eventos adversos e, consequentemente, para a redução da qualidade dos cuidados. A falta de profissionais sobrecarrega a equipe, comprometendo a qualidade do trabalho em equipe, além disso, a alta demanda de trabalho gera estresse e esgotamento, afetando negativamente o ambiente de trabalho. Isso representa uma fragilidade em qualquer instituição, porém, na saúde esse problema pode interferir na qualidade do serviço prestado na APS (Costa et al., 2020). “Aqui falta de profissional, e não é questão organizacional, mas tipo, ter alguém pra farmácia ou pra recepção, porque se não sobrecarrega a equipe” (P24 - ACS). A ausência de infraestrutura adequada nas UBS compromete a qualidade e a segurança dos serviços de saúde, as instalações físicas inadequadas e falta de materiais são desafios que afetam tanto os profissionais quanto os pacientes.. Conclusões/Considerações finais: Foi possível compreender que os desafios para o trabalho em equipe, sob a ótica dos trabalhadores da saúde, estão relacionados a dificuldades na liderança e motivação, aspectos interpessoais e de comunicação, na organização do trabalho em saúde e dificuldades estruturais e de recursos, devem ser considerados para o estabelecimento do trabalho interprofissional. A cultura organizacional que valoriza o desempenho individual sobre a colaboração aliado a predisposição para o trabalho individual e a ausência de empatia nas atividades laborais foram alguns aspectos interpessoais surgiram como barreiras para o trabalho em equipe. São necessárias estratégias para promover a colaboração, melhorar a comunicação, reter profissionais qualificados, e investir em infraestrutura para o cuidado a saúde na perspectiva interprofissional que fortaleça a Atenção Primaria à Saúde.. Referências: COSTA, Eduardo; FERRAZ, Fabiane; TRINDADE, Letícia Lima; et al. Challenges in the work process in the Family Health Strategy. Revista CEFAC, v. 22, n. 2, p. e7619, 2020. FERREIRA, Ricardo Corrêa; VARGA, Cássia Regina Rodrigues; SILVA, Roseli Ferreira da. Trabalho em equipe multiprofissional: a perspectiva dos residentes médicos em saúde da família. Ciência & Saúde Coletiva, v. 14, n. suppl 1, p. 1421–1428, 2009. SORATTO, Jacks; PIRES, Denise Elvira Pires de; FRIESE, Susanne. Thematic content analysis using ATLAS.ti software: Potentialities for researchs in health. Revista Brasileira de Enfermagem, v. 73, n. 3, p. e20190250, 2020..
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