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Apresentação/Introdução As travestis e transexuais são indivíduos que têm menor visibilidade na comunidade LGBTQIAP+ e que estão mais expostas a vulnerabilidades devido a uma série de marcadores sociais. Quando se trata de saúde, essas pessoas têm particularidades que as diferem do grupo. Dada a escassa quantidade de produções científicas pontuais em relação ao acesso dessa população e como a sua qualidade influencia diretamente na qualidade de vida desses indivíduos, vislumbrou-se a necessidade de desenvolver este estudo, na perspectiva de que os serviços de saúde brasileiro se tornem acolhedores e eficazes na resolutividade das demandas da população trans. Dessa forma, esse estudo buscou responder a seguinte pergunta: Como se dá o acesso de pessoas trans e travestis aos serviços do SUS e como essas avaliam sua qualidade? Objetivos O objetivo geral do estudo foi caracterizar o acesso de pessoas transexuais e travestis ao Sistema Único de Saúde (SUS) e como objetivos específicos: Traçar o perfil sociodemográfico dos participantes da pesquisa; Identificar as vulnerabilidades do acesso dos participantes aos serviços de saúde; Analisar como os participantes classificam a qualidade do acolhimento e atendimento nos serviços públicos de saúde. Metodologia Trata-se de um estudo transversal de abordagem quantitativa e qualitativa. A população da pesquisa foi composta por pessoas travestis e transexuais maiores de 18 anos. O instrumento de pesquisa foi um questionário com variáveis sociodemográficas, questões de saúde e sobre o acesso, acolhimento nos estabelecimentos de saúde e preparo profissional com a população trans e travestis, disponibilizado a partir de redes sociais, no período de abril a maio de 2023. A principal variável analisada no estudo foi sobre o acolhimento da população da pesquisa nos estabelecimentos de saúde do SUS a fim de observar a qualidade da assistência prestada à população pelo sistema. Os dados foram compilados na ferramenta de planilhas Google Sheets® para limpeza e tratamento prévio dos dados. Para análise dos dados quantitativos, foram utilizadas como forma de sumarização, medidas de frequência percentual, com apoio do programa Statistical Package for the Social Sciences versão 18.0 (SPSS SPSS Inc., Chicago, IL, EUA). Resultados e Discussão O presente estudo contou com a resposta de 36 indivíduos, a maioria composta por mulheres transexuais (36,1%), homens transexuais (25%) e travestis (22,2%). Quanto ao nível educacional, a maioria possui ensino superior incompleto ou completo (55,5%). A maioria se autodeclarou branca e a outra metade são minorias étnicas. A faixa salarial mensal pessoal é de até um salário-mínimo, sendo que a renda e a escolaridade estão atreladas à empregabilidade. Quase todos utilizam ou utilizaram algum serviço de saúde do SUS, e pouco mais da metade tem seu nome social respeitado nesses serviços. A maioria dos respondentes afirmou ter sofrido algum tipo de preconceito ou discriminação por identidade de gênero no SUS. A queixa principal está relacionada ao desrespeito a nomes, pronomes e gênero. Não foi observado limitação física no acesso aos serviços de saúde do SUS, pois o grupo tem suas demandas resolvidas por tais serviços. Desrespeito ao nome, pronome, gênero, assédio sexual, constrangimento, discriminação, preconceito, transfobia e a demanda constante de preparo profissional para lidar com as demandas das pessoas transexuais são fragilidades que afetam a qualidade da assistência prestada ao grupo. Conclusões/Considerações finais O público da pesquisa foi composto majoritariamente por mulheres transexuais, com bom nível educacional, renda de 1 a 3 salários-mínimos, com boas condições de moradia e acolhidas por núcleos familiares, o que reflete que nossa pesquisa se restringiu a um núcleo privilegiado dentro do que normalmente se espera para a população de travestis e transexuais. Em relação a caracterização do acesso aos serviços de saúde do SUS, foi observado que não há limitações físicas, visto que o grupo têm suas demandas solucionadas por tais serviços, e mostra uma boa aceitação em relação ao acolhimento e atendimento pelos profissionais de saúde. No entanto, foram observadas algumas fragilidades no atendimento, como desrespeito ao nome, pronome, gênero, assédio sexual, constrangimento, discriminação, preconceito, transfobia e a cobrança constante por preparo profissional para lidar com as demandas das pessoas transgênero. Referências ALVES, Cláudio Eduardo Resende. Nome sui generis: o nome (social) como dispositivo de identificação de gênero. Sociedade Mineira de Cultura–Editora PUC Minas, 2020. BENTO, B; PELÚCIO, L. Despatologização do gênero: a politização das identidades abjetas. Estudos feministas. Florianópolis, 20(2): 25, p 569-581, maio-agosto, 2012. BITTENCOURT, D; FONSECA, V; MÁRCIO SEGUNDO. Acesso da população LGBT moradora de favelas aos serviços públicos de saúde: entraves, silêncios e perspectivas. Conexões PSI, v. 2, n. 2, p. 60-85, 2015 CERQUEIRA, Ticiana; DENEGA, Alessa; PADOVANI, Andréa. A importância do nome social para autoaceitação e aceitação social do público “trans”. Revista Feminismos, v. 8, n. 2, p. 26-39. ROCON, et al. O que esperam pessoas trans do Sistema Único de Saúde?. Disponível em: https://www.scielosp.org/article/icse/2017.nahead/10.1590/1807-57622016…. Acesso em: 17 agost. 2019.Contextualização: A puericultura na Atenção Primária à Saúde (APS) é uma das ações de saúde coletiva que acompanha a criança de maneira sistemática durante seus primeiros anos de vida. A criança é avaliada a partir do contexto familiar e aspectos relacionados ao crescimento e desenvolvimento infantil (aleitamento materno, alimentação complementar, rotina do sono, calendário vacinal e cuidados gerais com atenção especial aos registros da caderneta da criança) (Souza et al., 2021). Enquanto política pública voltada para a saúde infantil esta estratégia deve ser realizada em um contexto interprofissional, onde a equipe de saúde avalia a criança. Dentre os profissionais, o enfermeiro atuante na Estratégia de Saúde da Família (ESF) tem participado efetivamente do desenvolvimento das ações de puericultura por sua aproximação com a comunidade (Gaiva; Alves; Monteschio, 2019). Nesse contexto, na seara da pós-graduação stricto sensu, enfermeiros nos estágios à docência são convidados a participarem de atividades extraclasse como preceptores nos serviços de saúde que atendem pessoas em situação de vulnerabilidade social e entre o rol de atividades inclui-se a puericultura. Essa relação ensino e serviço é importante para aproximação da universidade e serviço de saúde, com intuito de melhorar a saúde da comunidade (Ferreira; Dantas; Valente, 2017).. Descrição da Experiência: Relato de experiência realizado em 2023, a partir da inserção de pós-graduandos por meio da disciplina de estágio à docência. A atuação era semanal por meio do acompanhamento de alunos da disciplina de Saúde da Criança de um curso de graduação em Enfermagem. Ao serem recepcionados pelos pós-graduandos, os alunos eram dispostos em duplas com a supervisão de um preceptor para dar início a consulta de puericultura. Utilizou-se um roteiro de entrevista para acompanhar o relato da anamnese e a caderneta de saúde da criança para registro dos dados antropométricos, coletados durante o exame físico. Ao finalizar, os alunos explicavam os achados da consulta aos pais/cuidadores, bem como os marcos do desenvolvimento atingidos e as medidas registradas na caderneta, dando-lhes um parecer acerca de como a criança seguia em crescimento e desenvolvimento saudável. Em casos nos quais a criança apresentava algum comportamento inapropriado ou alguma característica desfavorável, o preceptor acionava a enfermeira da Unidade Básica e assim eram realizados os encaminhamentos necessários.. Objetivo e período de Realização: Objetiva-se relatar a experiência de alunos de um programa de Pós-graduação em Enfermagem na puericultura numa cidade do Ceará. A preceptoria ocorreu nas segundas e terças-feira durante os meses de novembro e dezembro de 2023.. Resultados: A pós-graduação é responsável por acompanhar os alunos no desenvolvimento da consulta à criança e favorecer a aproximação entre comunidade, serviço e família. Avalia-se os comportamentos dos alunos em relação à sua desenvoltura assim como domínio teórico e prático. O papel do preceptor pós-graduando configura-se como apoio às tomadas de decisões pelos estudantes graduandos. Além disso, a docência é desenvolvida por meio do ensino durante os atendimentos e há compartilhamento de saberes entre os profissionais do serviço e universidade que permite ampliar as habilidades comunicativas aproximando serviço e ensino. Além disso, percebe-se a interdisciplinaridade enquanto meio que favorece parcerias durante a rotina da Unidade Básica (Ferreira; Dantas; Valente, 2017). O envolvimento de vários profissionais, como técnicos de enfermagem, agentes comunitários de saúde, fisioterapeutas, dentistas e médicos no cuidado prestado à criança e sua família contribui para a melhoria da assistência, bem como influencia a prática do enfermeiro (Gaiva; Alves; Monteschio, 2019).. Aprendizado e Análise Crítica: Por meio da experiência vivenciada, observa-se a relevância da preceptoria mediada pela pós-graduação, assim como a promoção da autonomia dos pós-graduandos e a segurança dos alunos no campo de prática para consulta de enfermagem na puericultura. O estágio à docência configura-se como importante aspecto da pós-graduação pois possibilita aperfeiçoar habilidades nos campos onde são estudados os objetos de estudo. Ademais, encoraja-se o desenvolvimento de competências e atitudes ao acompanhar os atendimentos, além de melhorar a qualidade da assistência prestada e proporcionar uma prática interdisciplinar, colocando o indivíduo, família e comunidade como alvo do cuidado.. Referências:
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