Preparação e caracterização in vitro de micro/nanopartículas de PLGA contendo PJOV 56
Introdução: Micro/nanoencapsulamento é uma estratégia bastante utilizada para o melhoramento da atividade e direcionamento de drogas antitumorais. Com base nisso, o estudo realizado buscou preparar e caracterizar nanopartículas de PLGA contendo a droga sintética antitumoral PJOV 56, da classe das quinoxalinas. Estas apresentam diversas atividades biológicas de interesse farmacêutico, como a antibacteriana e antifúngica. No caso da PJOV 56, foi identificada atividade antiproliferativa. Objetivos: Desenvolver e caracterizar parcialmente um sistema de micro/nanopartículas biodegradáveis poliméricas contendo PJOV 56 para futura aplicação antitumoral. Métodos: O método utilizado consistiu em separar 100 mg do polímero Ácido poli-láctico-co-glicólico (PLGA; Purasorb 5002A, Purac) solubilizados em 2 ml de diclorometano (Merck) A esta fase foram adicionados 200 μL a uma concentração de 5 mM de PJOV 56. A solução foi vertida na fase aquosa (9 mL) do surfactante Álcool polivinílico (PVA, Sigma-Aldrich), 1,5% (m/v). Esta emulsão foi submetida à ultrassonicação (Q125 Sonicator, QSonica), a uma amplitude de 70% ou 30% durante 1 minuto. Depois disso, a suspensão foi deixada sob agitação branda por 4 horas para evaporação da fase orgânica. O residual foi centrifugado por três vezes a uma velocidade de 3.220 x g a 4ºC durante 25 min. Após esse processo, o sobrenadante foi retirado e o pellet ressuspenso em 1,5 mL de água destilada e congelado para posterior liofilização. As partículas liofilizadas foram analisadas em um equipamento Zetasizer Nano ZS (Malvern). Além disso, houve análise por MEV. Resultados: Em um primeiro lote, foram preparadas partículas controle e contendo PJOV 56 a uma amplitude de 30%. Como resultado, foram obtidas, em triplicata, partículas de tamanhos (nm) 1.676,0; 1.563,0 e 1.426,0 do controle; e 1.210,0; 842,5 e 868,3 com a droga. O Potencial zeta medido (mV) no controle foi de -13,5; -15,5 e -17,1; e de -27,4; -39,9 e -29,6 nas partículas com PJOV 56. Os índices de polidispersão (PDI) variaram de 0,7 a 1. Como os tamanhos apresentaram uma escala micrométrica, outro lote foi preparado com a amplitude de 70%. Este continha apenas partículas controle. Destas, o tamanho (nm) foi de 335,9; 338,9; 495,0 e 385,6. O Potencial zeta variou entre -7,68 e -8,76 mV. Comparando separadamente, as amostras controle e as que continham PJOV 56 apresentaram tamanhos diferentes a 30%. As partículas controle foram, em média, cerca de 500 nanômetros maior do que as partículas com a droga, mas ambas possuíam diâmetros elevados. Porém, a uma amplitude de 70% o tamanho médio passou a ser de cerca de 389 nm, indicando um sucesso na mudança da amplitude para a diminuição do tamanho das partículas. Já o Potencial zeta do controle a 30% mostrou-se baixo, mas ainda o dobro do controle a 70%, indicando certa proximidade entre as partículas e instabilidade de dispersão. Isto não ocorreu na amostra com a droga, que apresentou carga de cerca de -30 mV, representando estabilidade, ou seja, menor possibilidade de agregação. Na análise por MEV, as partículas se mostraram esféricas e homogêneas. Conclusão: Os próximos passos da pesquisa devem ser, então, buscar maior estabilidade nos tamanhos das partículas, tendo em vista diminuir o PDI e realizar os testes também com a droga encapsulada a 70% de amplitude. Além disso, a quantificação da droga encapsulada deve ser analisada para posterior aplicação em modelos de linhagens tumorais. Apoio financeiro: CNPq e Fiocruz