Medicamentos e aprendizagem: o governo dos vivos pelos medicamentos
Introdução: Em Maracanaú (CE), desde 2014, fármacos, como o metilfenidato são disponibilizados gratuitamente aos munícipes, sendo que as prescrições deste fármaco, em sua maioria, são oriundas de um serviço de neuropediatria que atende em média 150 crianças/mês. Objetivos: Conhecer os principais diagnósticos emitidos pelo serviço de neuropediatria em Maracanaú-Ceará, bem como os principais fármacos prescritos no manejo dos problemas diagnosticados. Metodologia: Os dados foram obtidos diretamente dos prontuários das crianças, com idade entre 0 e 17 anos, residentes em Maracanaú, atendidas na Clínica Monteneuro no período de Janeiro de 2014 a Junho de 2016. As principais variáveis investigadas foram: idade, sexo, prescrição de medicamentos, número de consultas, diagnóstico, medicamentos prescritos, queixas clínicas. Os dados foram inseridos e analisados no Programa Epi Info versão 7.2.0.1. Resultados: Foram contabilizados um total de 821 crianças, 611 (74,4%) meninos e 210 (25,6%) meninas, sendo que 530 (64.5%) receberam prescrição de medicamentos e 463 (56,4%), somente, tinham registro de diagnóstico. Os principais diagnósticos encontrados foram: Transtornos específicos do desenvolvimento das habilidades escolares (CID 10 - F81) (164; 30%) e Transtornos hipercinéticos (CID 10 - F90) (123; 22,8%). Outras morbidades não relacionadas diretamente à aprendizagem também foram diagnosticadas (253; 46,8%). Os médicos emitiram no período um total de 341 (41,5%) laudos para as escolas dos indivíduos atendidos. Das crianças com diagnósticos, 421 (78,0%) eram do sexo masculino e 119 (22,0%) do sexo feminino. A dificuldade de aprendizagem foi verificada em 752 (42,5%) dos assistidos, sendo os fármacos prescritos para esta condição: amitriptilina (43; 40,0%), periciazinha (42; 23,6%), carbamazepina (39; 30,0%), metilfenidato (37; 23,4%) e risperidona (30; 24,6%). Conclusões: Os dados encontrados sugerem que o serviço de neuropediatria, ao qual são referenciados indivíduos com dificuldade de aprendizagem, faz emprego de medicamentos como instrumentos mediadores do aprimoramento do desempenho escolar. Os medicamentos aparecem como tecnologias capazes de tratar transtornos e de controlar e estimular os processos vitais do corpo e da mente; trata-se de uma tecnologia de otimização.