Estudo do Potencial Tripanocida do Veneno da formiga Odontomachus bauri
Introdução: Substâncias bioativas de origem animal podem servir de modelos para serem utilizadas como drogas na terapêutica. Recentemente, demonstramos que o veneno da formiga da subfamília Ponerinae, Dinoponera quadriceps, possui ação antimicrobiana e tripanocida. Em estudos posteriores, identificamos no transcriptoma da glândula de veneno da D. quadríceps várias componentes com potencial terapêutico. A abordagem proposta no presente projeto é dar continuidade ao estudo das formigas do Nordeste do Brasil. A Doença de Chagas permanece sendo um problema de saúde pública e as drogas disponíveis usadas no tratamento mostram efeitos colaterais importantes. A busca de drogas mais eficazes e com menos efeitos colaterais é o grande desafio atual. Objetivos: O projeto estuda a ação do veneno da formiga Odontomachus bauri (subfamília Ponerinae) sobre as formas epimastigota, tripomastigota e amastigota do Trypanosoma cruzi. Métodos: As O.bauri serão solubilizadas em diferentes concentrações e adicionadas à cultura de formas epimastigotas (cultivados em meio LIT, a 28ºC) e tripomastigotas (obtidas através de infecção de células LLCMK2 e cultivadas em meio DMEM, a 37ºC e 5% de CO2) de Trypanosoma cruzi. As culturas, após tratamento, serão observadas com 48 e 72 h, através de microscópio invertido, sendo a viabilidade avaliada através de ensaios com MTT. Os valores de CI50 e CL50 serão determinadas por regressão não linear com intervalo de confiança 95%. As células LLCMK2 serão utilizados para a padronização da infecção com formas tripomastigotas de T. cruzi. A infecção celular será observada diariamente até completar 5 dias, para assim avaliar o ciclo intracelular do parasito. Após a padronização, as células infectadas experimentalmente serão tratadas com O.bauri. Decorridos 48 e 72 horas as lamínulas serão fixadas e coradas com Giemsa e o número de amastigotas/100céls será determinado utilizando microscópio óptico. A atividade anti-amastigota será expressa como: %AA = [1- (nº amast/100céls) tratadas/ (nº amast/100 céls) controle] x 100. Verificaremos também as alterações ultraestruturais através da microscopia eletrônica de transmissão e analisaremos os efeitos da O.bauri sobre a integridade da membrana plasmática através citometria de fluxo e microscopia de fluorescência. Os resultados serão expressos em média ± erro padrão da média. Comparações estatísticas serão analisadas utilizando ANOVA com Dunett’s post-test no programa GraphPad Prism 5.