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Estudo do efeito da Liraglutida e da associação com o Levetiracetam na determinação do estresse oxidativo em hipocampo de camundongos submetidos ao modelo de abrasamento induzido por pentilenotetrazol

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Introdução: A epilepsia é uma desordem cerebral proveniente de descargas elétricas anormais e recorrentes, que levam a convulsões. O abrasamento tem sido utilizado como modelo para estudar a epilepsia clínica, já que os animais submetidos a este modelo tem aumento progressivo da atividade convulsiva, através de aplicações repetidas de doses subconvulsivas de um agente químico, como o pentilenotetrazol (PTZ). O estresse oxidativo pode ser um fator causador da progressão das convulsões. O tratamento da epilepsia ainda é um desafio, devido à refratariedade em 20 a 30% dos pacientes. A liraglutida (LIRA) é um agonista do receptor de GLP-1 aprovado para o tratamento do Diabetes Mellitus tipo 2. GLP-1 é uma incretina e também um neuropeptídeo produzido por células neuronais. Existem evidências do efeito promissor dos agonistas de GLP-1 no tratamento dos transtornos neurológicos, portanto, decidimos investigar o efeito deste na epilepsia e o possível sinergismo com o anticonvulsivante levetiracetam (LEV). Objetivos: Avaliar o efeito da LIRA e da associação desta ao LEV no modelo de abrasamento induzido por PTZ através da determinação do estresse oxidativo no hipocampo (HC) dos animais. Métodos: Os camundongos swiss (25-34g) receberam PTZ (35mg/kg, i.p. n = 8, cada) em dias alternados, por 21 dias e foram pré-tratados com LEV 50 mg/kg e/ou LIRA (nas doses 75 μg/kg e 150μg/kg) ou salina, por via i.p. Após o último dia de administração, os animais foram sacrificados e o HC de cada animal foi dissecado e, então, foram realizados os testes para a determinação do estresse oxidativo (nitrito, MDA e GSH). Os dados foram analisados por ANOVA seguida por Tukey, com significância de p <0,05. O projeto foi aprovado pela Comissão de Ética em Pesquisa Animal (CEPA) da UFC sob o número 97/15. Resultados: Observou-se que o grupo PTZ apresentou níveis aumentados de nitrito comparado ao controle (89,36±9,476 vs 57,29±3,606), que foram revertidos pela administração de LEV (59,39±5,141 vs 89,36±9,476), LIRA75+LEV (55,74±5,381 vs 89,36±9,476) e LIRA150+LEV( 61,61±5,438 vs 89,36±9,476). O grupo PTZ também apresentou aumento significativo dos níveis de MDA comparando-se ao controle (705,0 ± 81,28 vs 489,00 ±43,88), o qual foi revertido pela administração de LIRA 75 (435,4±18,58), LIRA 150 (435,1±13,29), LIRA 75+LEV (462,8±17,68) e LIRA 150+LEV (466,2±18,42). Além disso, o PTZ levou a uma redução significativa da dosagem de GSH em relação ao controle (377,4±30,39 vs 652,0±55,86). Essa redução foi parcialmente revertida pelo tratamento com LIRA e LEV. Todos os grupos tratados apresentaram níveis semelhantes aos basais, exceto o grupo LIRA75+LEV. O grupo LIRA150+LEV apresentou aumento significativo em relação ao grupo PTZ (627,5±23,88 vs 377,4±30,39). Conclusão: Os nossos achados demostraram que a LIRA foi capaz de reverter, sozinha, os níveis de MDA no HC, sugerindo, assim, que ela possui efeitos antioxidantes. Na dose 150, ao ser associada ao LEV, além da redução de MDA, observou-se redução de nitrito e aumento de GSH, o que sugere possível sinergismo entre as drogas. O estresse oxidativo está diretamente ligado à epileptogênese, logo, infere-se que, a LIRA pode apresentar um papel importante na redução do processo convulsivo. Entretanto, mais estudos devem ser feitos para determinar, efetivamente, tais efeitos, a fim de comprovar se há de fato ação anticonvulsivante. Apoio financeiro: CAPES, CNPq, UFC.