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Dimensões dos eventos adversos a medicamentos no Brasil

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Introdução: Os efeitos danosos ocasionados pelo uso de medicamentos tornam-se preocupantes, especialmente em uma sociedade medicalizada como ocorre no Brasil. Os medicamentos estão entre as principais causas de Eventos Adversos, afetando diretamente a segurança do paciente. Objetivo: O presente trabalho tem como objetivo descrever a prevalência e fatores associados a eventos adversos a medicamentos (EAM) referidos por usuários de medicamentos no Brasil. Métodos: Trata-se de um estudo transversal de base populacional, realizado no período de setembro de 2013 a fevereiro de 2014, com dados coletados na Pesquisa Nacional sobre Acesso, Utilização e Promoção do Uso Racional de Medicamentos (PNAUM). O inquérito foi realizado mediante aplicação de questionários em entrevistas domiciliares. Foram consideradas todas as pessoas que referiram o uso de pelo menos um medicamento, seja de uso contínuo, eventual ou relativo a contracepção, e que tenham relatado pelo menos um problema com o seu uso. Realizou-se uma análise descritiva para estimar a prevalência e os intervalos de confiança a 95% (IC 95%) de EAM entre as variáveis estudadas, e foram calculadas as razões de prevalência bruta e ajustada, através da regressão de Poisson, na investigação dos fatores associados aos EAM. Resultados e Discussão: A prevalência de EAM na população brasileira foi de 6,6% (IC 95% 5,89-7,41%), sendo maior e estatisticamente significante, após a realização da análise ajustada, entre pessoas do sexo feminino; residentes nas regiões Centro-Oeste e Nordeste; que consumiam maior número de medicamentos; que percebiam seu estado de saúde como “ruim”; e que se automedicavam. Os resultados encontrados foram semelhantes aos encontrados na literatura, com exceção da variável idade, fato que chamou atenção para o consumo de medicamentos em adultos jovens. Os fármacos mais relacionados com o aparecimento de EAM foram: dipirona (4,5%), levonorgestrel+etinilestradiol (3,9%), hidroclorotiazida (3,5%). Os EAM mais referidos pelos entrevistados foram sonolência (12,5%), dor epigástrica (10,5%) e náusea (6,8%). A dipirona foi o fármaco que esteve mais associado ao aparecimento de eventos adversos no Brasil, isto provavelmente é decorrente do fato de ser um dos medicamentos mais comercializados dentro da sua classe terapêutica e de ser um potencial causador de reações adversas. Os EAM mais referidos pelos entrevistados foram de natureza leve, considerados evitáveis, e estiveram associados a medicamentos de uso comum pela população. Conclusão: A partir desse estudo foi possível identificar os fármacos e os eventos adversos mais comuns na população brasileira. Assim, é possível propor medidas preventivas para promoção do uso racional de medicamentos e para ocorrência de EAM na população, especialmente nos níveis primários de atenção à saúde, através, da colaboração do farmacêutico, como profissional de saúde.