Agentes antioxidantes como suplemento do tratamento da mucosite oral
Introdução: A mucosite oral (MO) é um efeito secundário comum em pacientes oncológicos submetidos à radioterapia e/ou quimioterapia dirigida a cavidade oral, esta patogenia é caracterizada por repartição completa da epiderme e epitélio da mucosa, assim como causa lesões ulcerativas resultando em restrição da ingestão oral. A MO limita a capacidade dos pacientes a melhores modalidades de tratamento anticâncer, comprometendo os resultados da terapêutica oncológica e a qualidade de vida do paciente. Estudos tem demonstrado que as drogas anticancerígenas e a radiação provocam o aumento dos níveis das citocinas pró-inflamatórias e, principalmente, as espécies reativas de oxigênios (EROs). Dentro deste contexto muitos agentes antioxidantes têm sido sugeridos no tratamento da MO induzida pela terapia anticâncer. Objetivos: Este estudo objetivou apontar a importância dos agentes antioxidantes como suplemento no tratamento da MO. Métodos: Uma revisão bibliográfica foi realizada por meio de 24 artigos no período de 2012 a 2017 na Biblioteca Virtual de Saúde (BVS); e para garantir acesso ao maior número de artigos na íntegra utilizou-se o sistema de acesso livre aos periódicos CAPES, tendo sido utilizados os seguintes descritores: “oral mucositis” e “Antioxidant agents”. Destes, 9 artigos se incluíram a temática proposta. Os critérios de inclusão para este estudo consistiram em artigos publicados em inglês com os artigos completos disponíveis nas bases de dados. Os critérios de exclusão foram: documentos oficiais, capítulos de livros, notícias editoriais, texto não científico, artigo repetido que estivesse em mais de uma base de dados e que não contemplassem o objetivo do estudo. Resultados: Os estudos foram concordantes na eficácia significativa de agentes antioxidantes como Rebamipide, Edaravone, Vitamina E (gama-tocotrienól) e Melatonina na proteção contra o desenvolvimento de MO. Tal eficácia, baseia-se principalmente na eliminação de EROs, o que impede eventos como a lipoperoxidação lipídica de membranas biológicas (que ocasiona morte celular) e a sinalização de inflamassomas. Além disto, estudos revelam que, além de reduzirem o nível inflamatório da MO na terapia anticâncer, os agentes antioxidantes não interferem nos efeitos antitumorais da radioterapia ou da quimioterapia, sendo que alguns deles exercem efeitos antiproliferativos em células neoplásicas. Verificou-se ainda que a etiopatogenia da MO não está totalmente esclarecida, assim não está bem elucidado se a eficácia de alguns antioxidantes contra essa doença se resume apenas à depleção de EROs. Conclusão: Portanto, são fundamentais mais estudos sobre a patogenia da MO em relação a importância do aumento da produção das EROs, visando uma melhor compreensão da eficácia dos antioxidantes na redução desse quadro inflamatório, a fim de diminuir a grande incidência dessa lesão e/ou consolidar os conhecimentos já adquiridos.