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A importância das técnicas de identificação e caracterização de cristais de uso farmacêutico: a análise da flutamida

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Introdução: A flutamida, uma anilida substituída, é um potente antiandrogênio não-esteróide que tem sido usado no tratamento do carcinoma de próstata, como monoterapia ou em combinação com outros agentes. A difração de raios X de pó (PXRD) é uma técnica estrutural não destrutiva que se baseia na leitura do padrão de interferência específico causado pelos átomos de uma amostra cristalina sobre as ondas de um feixe incidente de raios X. Esta técnica permite identificar elementos presentes em uma amostra, bem como suas respectivas proporções. A espectroscopia de infravermelho (IR) é uma técnica vibracional, uma vez que se baseia no fato de que as ligações químicas possuem frequências vibracionais específicas. Ela é capaz de medir, dessa forma, a quantidade de energia transmitida quando uma amostra é submetida a um feixe de radiação infravermelha. Esta técnica também permite identificar elementos presentes em uma amostra. As técnicas de calorimetria exploratória diferencial (DSC) e termogravimetria (TG) monitoram o comportamento de uma amostra quando submetida às variações de temperatura em um sistema com temperatura e atmosfera controladas. O DSC mede a variação da capacidade calorífica da amostra, enquanto que a TG mede suas variações de massa. As referidas análises térmicas auxiliam na identificação da amostra, na determinação de pureza, da estabilidade térmica, etc. Objetivos: Demonstrar a importância da utilização de técnicas estruturais (PXRD), vibracionais (IR) e térmicas (DSC/TG) para identificar e caracterizar a matéria-prima flutamida. Métodos: A flutamida foi submetida às técnicas de difração de raio X de pó (PXRD), espectroscopia de infravermelho (IR), calorimetria exploratória diferencial (DSC) e termogravimetria (TG). O padrão de difração de raios X de pó (PXRD) foi registado utilizando um sistema D8 Advanced (Bruker AXS), equipado com um goniômetro theta/theta, configurado na geometria de Bragg-Brentano. Uma fonte de radiação Cu Kα e um detector LynxEye foram usados para irradiar a amostra e registrar a radiação difratada, respectivamente. A amostra foi varrida entre (2θ) 5-35° num modo de varredura por passos (0,01 passo e 5 seg). O espectro de infravermelho (IR) foi registado utilizando um espectrômetro Bruker VERTEX 70. Os espectros foram obtidos utilizando o método de reflectância total atenuada (ATR) num acessório Miracle (Pike) baseado num cristal de ZnSe. A termogravimetria (TG) e a calorimetria exploratória diferencial (DSC) foram realizadas simultaneamente em um sistema Jupiter STA 449 (Netszch). As medições foram obtidas a partir da temperatura ambiente até 500 °C usando uma taxa de 5 K.min-1 numa atmosfera de N2 utilizando um cadinho de alumínio perfurado contendo 10 mg de amostra. Resultados: O difratograma experimental da flutamida mostrou-se compatível com o difratograma calculado. O espectro obtido também está em conformidade com o encontrado nas bases de dados para a flutamida. A análise térmica evidenciou fusão da amostra em 110,9 °C, em concordância com o especificado para a flutamida. Conclusão: As técnicas empregadas comprovaram a idoneidade da matéria-prima cristalina, utilizando-se de diferentes parâmetros. Os picos bem definidos observados e a temperatura de fusão bem estabelecida evidenciaram a pureza da amostra e ainda comprovaram que a amostra se encontrava na forma cristalina. Apoio Financeiro: CAPES, CNPq.