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No Brasil estima-se que atualmente cerca de 209.300.000 habitantes possuam alguma deficiência. Apesar de os números discordarem por não haver metodologia única sobre o tema, apontam para a necessidade de reflexão e ações efetivas em prol da acessibilidade no país. Muito embora tenhamos uma vasta legislação a respeito do espaço físico acessível, promulgada principalmente no período de 2004 a 2015 e com destaque para o Decreto 5296/04 que tornou obrigatória a aplicação da norma NBR 9050, observa-se que ainda hoje os direitos e a dignidade da pessoa com deficiência têm sido renegados. No âmbito universitário não seria diferente. Como consequência do cenário nacional, o campus principal da UNICAMP, objeto de pesquisa desse projeto, se desenvolveu desde 1960 sem ou com pouca preocupação ao atendimento dessas questões, como evidência o caso emblemático dos edifícios modulados e muito repetidos, apelidados de “pinotinhos”. No entanto, fatores como o envelhecimento da população nacional, a temática dos direitos da pessoa com deficiência em voga e a discussão sobre cotas para PCD na Universidade, impulsionou um movimento mais atento à questão da acessibilidade e mobilidade urbana na Unicamp. Este projeto tem por objetivo desenvolver uma metodologia de levantamento, análise e proposições que busque solucionar as questões de acessibilidade das edificações do campus principal da UNICAMP em um modelo que possa ser replicado nos demais campi e servir de referência para levantamentos em outras universidades e órgão públicos. Visamos atender inicialmente aos requisitos mínimos da norma NBR 9050/15 no que tange a Acessibilidade Arquitetônica e assim reverter o passivo que tem o campus hoje, ofertando acessibilidade nos cerca de 700 edifícios habitáveis que possui. Para tanto, duas principais etapas foram definidas: 1. Desenvolvimento da metodologia própria e levantamento; e 2. Obtenção de relatório e formulação do caderno de projetos para as unidades. No momento, os bolsistas trabalham na etapa de levantamento predial, visitando cada um dos edifícios do campus, coletando informações e formando o banco de dados que permitirá indicar o nível de acessibilidade da edificação e as respectivas ações que devem ser tomadas pela unidade para adequação. Assim, o projeto contribui para a promoção de acesso e permanência numa universidade que é pública e deve enxergar a pessoa com deficiência como cidadãos de direitos e não objetos de piedade pública nem outras qualificações, extraídos do vasto arsenal da subestimação e exclusão social.
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