ANATOMIAS DIVERSAS

vol. 1, 2019 - 117089
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Resumo

Resumo: Nas Artes da Cena, o corpo humano ocupa posição de destaque em suas práticas técnicas, criativas e simbólicas. Tendo em vista o ingresso de estudantes indígenas de diversas etnias neste primeiro vestibular indígena, o projeto tem como objetivo o intercâmbio de saberes sobre o corpo e as artes. Como essas diferentes etnias pensam e estudam o corpo e a arte? Se subjaz a ideia de corpo a ideia de sujeito, conhecer diferentes concepções e usos do corpo e da arte nos levaria a repensar nossas próprias concepções de sujeito no mundo? Nesta primeira etapa do projeto foram realizados encontros com @s ingressantes indígenas para junt@s descobrirmos linguagens e expressões artísticas a partir de nossas diversidades. Planejamos os encontros como meio de construção gradual e orgânica dos produtos artísticos desse projeto para estimular a reflexão sobre a diversidade étnica e cultural como modos de ser e de saber. Gravações de conversas e cantos, acervo de fotos e vídeos, desenhos, pinturas e práticas corporais foram sendo recolhidos, buscando captar por meio destas expressões, memórias desses corpos. Busca-se a integração entre estudantes indígenas e não indígenas por meio de formas sensíveis de construção de conhecimento, ampliando as perspectivas sobre corpo e suas simbologias, captadas por registros na forma de livro-de-artista e performance, problematizando a universalização da ideia de corpo e de arte, de “corpo em arte”. Segue-se a elaboração de oficinas/vivencias em artes visuais, dança e artes cênicas, tomando o corpo-sujeito como eixo e como lugar onde diversos saberes se manifestam. Observamos que nossa apreensão das Artes se faz de modo fragmentado, pela separação entre as linguagens artísticas: música, dança, artes visuais. Já nas diferentes culturas dos povos indígenas, podemos observar que essas expressões se encontram mais integradas, ainda que cada uma delas possua seu próprio saber. Outra questão é a integração com a própria vida, ou seja, observamos que a arte está imbricada no viver cotidiano e ritual, implicando num modo de ser. Um exemplo, são os grafismos corporais. Eles não são simplesmente linhas, mas presentificam no corpo uma “segunda” presença, fazendo co-existir múltiplos planos de realidade. O contato com culturas tão diversas nos fez olhar com estranhamento para nossa própria cultura e percebe-la como uma cultura a mais, no meio de tantas outras.

Eixo Temático
  • Aprimoramento técnico – Artes (BAS)
Palavras-chave
corpo
Artes
decolonial
Indigena