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Programas de intervenção em coparentalidade: tópicos abordados e técnicas cognitivo-comportamentais utilizadas
Lívia Lira
Departamento de Psicologia / Centro de Educação e Ciências Humanas / Universidade Federal de São Carlos
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Crie um tópicoAs Teorias Cognitivo-Comportamentais aplicadas ao contexto de interações em família preconizam que indivíduos são influenciados pelos pensamentos, emoções e comportamentos de cada um de seus membros. Nesse contexto existe a coparentalidade, interação entre dois cuidadores (por exemplo, pai e mãe) para educar uma ou mais crianças. A qualidade dessa relação coparental tem sido positivamente associada a importantes indicadores de ajustamento familiar, como autoeficácia parental, satisfação conjugal e autorregulação infantil. O objetivo deste trabalho foi realizar um levantamento dos programas de intervenção existentes (com foco em melhorar a coparentalidade). E, por meio de uma revisão sistemática da literatura, descrever as principais técnicas cognitivo-comportamentais utilizadas e os componentes abordados. As buscas foram realizadas nos bancos de dados eletrônicos Bireme, PsycNET, Periódicos CAPES e Revistas IndexPsi, entre março e abril de 2020. As palavras-chave utilizadas foram “coparentalidade”, combinada com “treinamento”, “intervenção” ou "programa", em português, inglês e espanhol. Após a aplicação dos critérios de exclusão, foram mantidos 32 trabalhos, que forneceram informações sobre 17 programas de intervenção conduzidos nos Estados Unidos, Japão, Austrália, Portugal e Canadá. De maneira geral, as intervenções são realizadas predominantemente em grupo e tinham como público-alvo tanto casais casados quanto pais divorciados. Diversas técnicas cognitivo-comportamentais foram utilizadas pelos programas, como: (a) Ensino de habilidades de comunicação: iniciar e encerrar conversação, fazer e responder perguntas, gratificar e elogiar, dar e receber feedback; soluções para conflitos e técnicas de negociação; (b) Instruções: o facilitador pode dizer: “Fale mais alto”, “Olhe nos olhos do interlocutor”, “Fale mais pausadamente”, “Diga o que você está sentindo”. Algumas intervenções contam com o recurso adicional do manual didático; (c) Modelagem e Modelação, respectivamente: O facilitador reforça progressivamente os comportamentos exigindo cada vez mais habilidades de comunicação dos participante; O facilitador pode solicitar que um participante observe o seu comportamento (do facilitador) interagindo com outro participante durante a sessão ou que observe o comportamento de outra pessoa em outro contexto. (d) Role-play e (e) Tarefa de casa. Os temas abordados foram reflexões acerca do papel parental, habilidades para lidar com dificuldades, estratégias para favorecer o desenvolvimento de interações positivas e os impactos das interações entre os pais na vida dos filhos. Destaca-se o uso da técnica de elaboração do plano coparental, que pode ser útil para profissionais da área. Vale ressaltar a relevância de tais informações para profissionais e pesquisadores, que poderão se basear neste estudo e promover programas de intervenção no contexto familiar.
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