Processamento da Informação Social e Conduta Infracional em Adolescentes

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Detalhes
  • Tipo de apresentação: Comunicação Oral
  • Eixo temático: Screening de sintomas e características
  • Palavras chaves: Delinquência Juvenil; Processamento da Informação Social; Comportamento Violento;
  • 1 FFCLRP-USP

Processamento da Informação Social e Conduta Infracional em Adolescentes

Mariana Guedes De Oliveira Franco

FFCLRP-USP

Resumo

O modelo cognitivo do Processamento da Informação Social (PIS) é amplamente evocado para explicar os processos psicológicos subjacentes ao comportamento violento. Nesse âmbito, uma série de estudos adotando esse referencial verificou vieses no PIS de adolescentes infratores, quando comparados a não-infratores. Contudo, na literatura científica há consenso de que entre os adolescentes que apresentam comportamento infracional persistente, há quem pratique delitos violentos, envolvendo vítimas (delinquência persistente maior), e quem não apresente essa escalada de gravidade (delinquência persistente menor), e nenhum estudo buscando verificar diferenças no PIS de adolescentes com trajetórias infracionais distintas foi identificado. O presente estudo buscou diminuir essa lacuna da literatura, comparando dados relativos ao PIS de adolescentes apresentando delinquência persistente maior (G1/n=31), persistente menor (G2/n=32) e um grupo de comparação (G3/n=30). Os participantes responderam a uma Entrevista de Delinquência Autorrevelada, para identificação de sua trajetória infracional, e a uma Entrevista para Aferição do PIS, compreendendo a apresentação de vinhetas atinentes a situações sociais hipotéticas. Após comparações realizadas entre os grupos para vários elementos do PIS (ANOVA, com teste post hoc de Bonferroni), verificou-se que G1 e G2 não se diferenciaram na “Interpretação de Dicas Sociais”, porém ambos atribuíram, mais vezes, intenção hostil ao outro, quando comparados a G3 (F=18,82, p<0,000). Em outras etapas do PIS, todos os grupos se diferenciaram: diante das situações sociais hipotéticas, G1 construiu/acessou mais respostas associadas a comportamentos agressivos (F=34, p<0,000); G2 a comportamentos passivos (F=8,4, p<0,001); e G3 a comportamentos assertivos (F=41,98, p<0,000). As relações encontradas entre a delinquência persistente e o PIS indicam que a atribuição de hostilidade ao outro parece ser uma forma básica de perceber a vida social em meio aos adolescentes que apresentam implicação significativa em atividades delituosas. Para adolescentes que apresentam implicação significativa em atividades delituosas violentas, o viés presente no PIS, especialmente quanto à “construção ou acesso a respostas”, sugere que condutas agressivas parecem ser um modo preponderante de agir/reagir. Dessa forma, os resultados permitiram entrever relações entre o PIS e a persistência na delinquência, bem como com o agravamento do comportamento infracional, oferecendo indicações importantes para intervenções especializadas, psicológicas, junto a adolescentes em conflito com a lei, diferenciadas conforme perfil.

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