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O perfeccionismo pode ser definido pelo estabelecimento de padrões elevados de desempenho, associados à crítica excessiva sobre o próprio desempenho, dúvida sobre a qualidade da atividade realizada e autovalor atrelado ao desempenho. São vários os modelos teóricos utilizados para descrever a estrutura do perfeccionismo, entretanto, todos eles compreendem o perfeccionismo como multidimensional. Mais recentemente, o perfeccionismo vem sendo estudado a partir de duas dimensões mais gerais, conhecidas como esforço perfeccionista e preocupações perfeccionistas, sendo que a primeira parece estar associada a desfechos adaptativos e a segunda a desfechos mais negativos, em diferentes contextos. As investigações acerca da estrutura, desenvolvimento e rede nomológica do perfeccionismo ganharam força nos últimos 15 anos, uma vez que diferentes grupos de pesquisa vêm apontando para seu importante papel no desenvolvimento e na manutenção de diferentes psicopatologias, bem como destacando a necessidade de que o perfeccionismo receba a devida atenção nos programas de intervenção, já que colabora no sentido de reduzir a adesão e eficácia do tratamento. Assim, pois, o perfeccionismo é processo transdiagnóstico e aparece associado a transtornos de ansiedade, de humor, do espectro obsessivo-compulsivo, alimentares, além de ser visto com frequência em pessoas com fadiga rônica, que experimentam burnout e ideação suicida. Nesse sentido, o presente trabalho vem propor algumas reflexões conceituais acerca do papel transdiagnóstico do perfeccionismo, associando seus dois componentes mais gerais a desfechos mais ou menos adaptativos, além de problematizar a importância da consideração do perfeccionismo na clínica a fim de melhorar a aliança terapêutica e efetividade do tratamento. Mais especificamente, pretende-se apresentar os resultados de um estudo realizado com estudantes universitários, de pós-graduação, de todas as unidades da federação, visando associar o perfeccionismo a sintomas de ansiedade e depressão. Participaram 3434 discentes, com média de idade de 30,67 anos (DP=6,19 anos), sendo 70,7% de mulheres e 93,5% provenientes de instituições públicas. Foram aplicadas escalas de perfeccionismo, questionários de ruminação e preocupação, além da DASS-21 para mensuração de sintomas de ansiedade e depressão. Os principais resultados apontam que as preocupações perfeccionistas são os melhores preditores tanto de sintomas de ansiedade quanto de depressão. No entanto, ruminação prediz apenas sintomas de depressão enquanto preocupação prediz apenas sintomas de ansiedade. Os resultados apontam para dois aspectos importantes dos modelos transdiagnósticos - multifinalidade e trajetória divergente – que aparecem na relação entre perfeccionismo, ansiedade e depressão. Implicações funcionais desses resultados serão discutidas.
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