Além das diferentes formas que a violência de gênero se expressa, seja psicológica, sexual ou física, ela também ocorre em diferentes contextos. O ambiente universitário é um desses espaços que reproduzem desigualdades e hierarquias sociais marcadas por uma diferenciação entre gêneros. A ocorrência desse tipo de violência pode gerar consequências no âmbito físico, social, psicológico e, até mesmo, no desenvolvimento profissional da vítima. Tendo em vista esse cenário, fica evidenciada a necessidade de ações dentro do âmbito universitário para prevenção e enfrentamento a violência de gênero, sendo uma delas a promoção de espaços de acolhimento e reflexão das estudantes a respeito de situações vivenciadas ou testemunhadas. Nesse sentido, foi realizada uma intervenção psicossocial com estudantes universitárias de uma Universidade Federal no interior do estado de São Paulo, onde foram conduzidos dois grupos que tinham por objetivo discutir sobre violência de gênero e desenvolver habilidades que contribuam para a prevenção da violência. Foram realizados cinco encontros semanais com cerca de 90 minutos de duração, dentre os temas abordados em cada um deles está: conceito da violência de gênero, sobretudo no contexto universitário; conceito de bystander e de assédio de segunda ordem; rede de proteção e fluxos de denúncia e encaminhamento; e práticas de autocuidados. Participaram três estudantes (graduação e pós graduação) em cada grupo. Foram utilizados os instrumentos de qualidade de vida (WHOOLQ Breef) e Autoestima, após a intervenção as participantes apresentaram aumentos nos escores de ambos. As autoavaliações das participantes e das facilitadoras dos encontros ao longo dos grupos foram positivas. O grupo se constitui como um espaço para obter mais conhecimentos referentes à violência de gênero, assim como um local de troca de experiência, e fonte de apoio e acolhimento entre as próprias participantes e as facilitadoras. Foram discutidas questões que atravessavam o ambiente universitário, assim como outras áreas de suas vidas pessoais, de forma que a troca de experiências pessoais enriqueceram ainda mais a discussão sobre o tema. O ambiente acolhedor desenvolvido pelas facilitadoras ao longo dos encontros favoreceu a participação e discussões a respeito dos temas propostos. Pesquisas futuras na área são necessárias para fomentar ações institucionais de prevenção à violência de gênero na universidade.