Errar é humano, mas e o terapeuta? Pode falhar?

Vol 1, 2020 - 133063
Simpósios Nacionais
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Resumo

Quando alguma coisa vai mal no processo terapêutico, a maior parte dos terapeutas tende a atribuir a responsabilidade aos clientes e as suas dificuldades de adesão, comprometimento ou personalidade. O que fazemos quando nossos maiores esforços esbarram em resultados negativos ou muito abaixo do esperado? De que vale falar de nossas falhas e esmiuçar nossos sombrios medos na relação terapêutica se não for para encontrar o que pode ser aprendido a partir desses tropeços e deslizes? O campo da prática clínica em TCC e da capacitação de terapeutas é, em geral, repleto de orientações teóricas e práticas sobre como fazer avaliações diagnósticas, planejar intervenções, implementá-las e atingir os resultados esperados. A literatura sobre como atuar para dirimir sintomas e superar transtornos psiquiátricos é bastante ampla e tende a oferecer ao terapeuta, tanto iniciante quanto mais experiente, uma fonte de segurança para a condução da psicoterapia. No entanto, o mesmo não ocorre quando se trata das características da relação terapêutica e das dificuldades vivenciadas pelos profissionais no contato regular com seus clientes. A eficácia da terapia pode ficar comprometida por fatores alheios aos protocolos, provocando entre outras coisas o abandono precoce do tratamento e a desconfiança dos serviços de saúde mental. Alguns temas como dúvidas ou falhas dos terapeutas contam com um número bem menor de publicações e de oportunidades de troca com colegas em eventos científicos. Tomando por base uma revisão narrativa da literatura sobre os erros mais comuns cometidos por terapeutas, a proposta dessa apresentação é enumerar e discutir algumas das falhas encontradas na prática clínica e no comportamento dos terapeutas. Dentre essas, encontram-se erros relativos à fase inicial do contato com o cliente, a realização de avaliações incompletas, a ignorar os dados científicos, a estabelecer limites equivocados entre o terapeuta e o cliente, a não envolver o cliente no processo de mudança, a não abordar as questões do término da terapia e a não considerar os limites e o bem-estar do próprio terapeuta. O objetivo é promover a reflexão e o debate sobre um aspecto da prática clínica que pode gerar efeitos adversos no cliente e interferir diretamente nos resultados da terapia. De tal modo que esse tema seja levado em conta tanto na formação de novos terapeutas quanto na prática de terapeutas experientes que se defrontam com desafios clínicos.

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Instituições
  • 1 Clínica Particular, Rio de Janeiro, Rj
Eixo Temático
  • Intervenções psicológicas “bem-intencionadas” são suficientes? A segurança na prática da psicologia baseada em evidências.
Palavras-chave
Terapia cognitivo-comportamental
Relação terapêutica
Efeitos adversos em psicoterapia