"É possível uma integração entre TCC e ACT no tratamento de pacientes com transtorno de ansiedade generalizada?” Prática privada

Vol 1, 2020 - 132845
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Resumo

Em 1985, Beck e Emery publicaram um livro sobre transtornos de ansiedade que me auxiliou no trabalho desses quadros. Me senti satisfeito de constatar que o conceito de vulnerabilidade que eu usava nos meus atendimentos era descrito por eles como o esquema central dos transtornos de ansiedade e que a principal distorção cognitiva era a catastrofização. Dada a efetividade de métodos comportamentais e cognitivos de forma complementar houve uma tendência de se passar a referir à terapia comportamental e à terapia cognitiva como TCC. Com o advento do progresso da internet foi ficando progressivamente mais fácil acompanhar a evolução do conhecimento científico. Minhas leituras e experiências me favoreceram eu me tornar cada vez mais qualificado em tratar transtorno de pânico, fobia social e transtorno obsessivo-compulsivo. No que dizia respeito ao transtorno de ansiedade generalizada (TAG) comecei a estudar as pesquisas de Borkovec, que era a referência em TAG no início dos anos 90. Pouco depois, começou a aparecer o trabalho de Robert Lacouceur e seu grupo de pesquisadores canadenses, principalmente Michel Dugas, que desenvolveram o modelo de intolerância à incerteza para o tratamento do TAG. No final da década começou a surgir o trabalho de Adrian Wells sobre terapia metacognitiva (TM). E em 1999, Stephen Hayes e seus colaboradores lançaram o livro que concebia a terapia de aceitação e compromisso (ACT) como uma terceira onda, depois das ondas comportamental e cognitiva. No Programa de Pós-graduação em Psicologia, vários cursos e pesquisas geraram produtos relacionados a estas três últimas abordagens. Várias publicações as comparavam e havia indícios de que todas eram efetivas mas com um grau de eficácia menor do que para outros quadros de ansiedade. Depois de me aposentar comecei a me perguntar: será que TCC e ACT são mesmo incompatíveis? A primeira recomenda refletir sobre as interpretações, enquanto a segunda recomenda não fazer isso, apenas aceitar os acontecimentos internos, como sensações, sentimentos e pensamentos e se manter comprometido com o que for importante e significativo na vida de cada um. Concebi então um modo de tratar o TAG que começa com TCC e depois evolui para ACT e TM. Nesta apresentação vou apresentar um modelo que integra as duas abordagens e que vem se mostrando bastante eficaz.

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Eixo Temático
  • Diálogos de integração em TCC´s
Palavras-chave
terapia cognitivo-comportamental
terapia de aceitação de compromisso
terapia metacognitiva
transtorno de ansiedade generalizada