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As formações em psicoterapia tendem a realçar o aspecto teórico e técnico. Estes parecem ser suficientes para que o terapeuta compreenda e auxilie o cliente, ocupando o lugar do expert que sabe como o outro precisa pensar, sentir ou agir para alcançar a mudança desejada. Não há ênfase no processo experiencial e emocional dos próprios terapeutas como parte do processo de mudança dos clientes. A ênfase em aspectos mais racionais, lógicos e interpretativos no posicionamento dos terapeutas, é consequência desta visão, não restrita apenas aos modelos cognitivos, mas também psicanalíticos. Nas últimas décadas, porém, observa-se uma mudança de paradigma na psicoterapia, saindo do racionalismo e da interpretação para a valorização das emoções, dos processos emocionais na sessão e do contexto em que estas ocorrem. Até mesmo o próprio Aaron Beck, propôs a revisão do modelo cognitivo, destacando a importância do processamento automático e da possibilidade de utilização de experiências emocionais corretivas para driblar a rigidez dos esquemas do cliente que não consegue se beneficiar dos processos tradicionais de intervenção. Este redirecionamento em direção aos aspectos emocionais e relacionais, envolve vários desafios. Dentre eles, destacam-se: o uso de intervenções que facilitem a chegada e permanência do contato do cliente com suas emoções (1), a identificação do tipo de emoção ativada e sua produtividade no contexto da terapia (2), o uso de intervenções que facilitem a transformação das emoções do cliente e seu processo de mudança (3) e o desenvolvimento pessoal do terapeuta e a sua capacidade de suportar emoções dolorosas (4). O objetivo desta apresentação é enfatizar a importância dos aspectos emocionais no psicoterapeuta, utilizando como referencial o modelo da Terapia Focada nas Emoções (TFE), desenvolvida por Les Greenberg. Na TFE, o profissional não apenas ouve a estória, mas se oferece para senti- la junto com o cliente, facilitando um estado ampliado de foco nas reações corporais e não-verbais do cliente e nas reações do próprio terapeuta. Na perspectiva da TFE, chamamos este foco ampliado de sintonia empática (empathic attunement) e o ressoar da experiência do cliente no terapeuta de ressonância empática (empathic ressonance). A ressonância empática, auxilia em um tipo de compreensão que transcende a linguagem, facilitando a compreensão do significado daquilo que o cliente procura comunicar, bem como daquilo que ainda é difícil sentir. É neste sentido que a empatia é entendida como um fenômeno corporificado na TFE, como uma simulação corporal compartilhada que permite ao terapeuta compreender a experiência do cliente, incluindo aí as sensações, emoções e intenções. Conclui-se que além da necessidade do desenvolvimento pessoal do terapeuta, a dialética entre o conhecimento teórico e o experiencial, entre a lógica e a emoção, deve ser considerada como parte importante do trabalho do terapeuta na facilitação dos processos de mudança do cliente.
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