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A Técnica Linha da Vida como recurso na psicoterapia de mulheres com histórico de violência por parceiro íntimo
Sândhya Siqueira Marques
PUCRS
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Crie um tópicoA violência contra a mulher é um problema de saúde pública que pode resultar em diversas consequências físicas e psicológicas. A psicoterapia com mulheres que experienciaram violência por parceiro íntimo (VPI) deve atentar às particularidades de cada caso e ao significado que cada mulher atribui a sua experiência. Diversos estudos apontam a dificuldade em diminuir significativamente sintomas de TEPT em mulheres que passaram por violência. Mulheres expostas à VPI comumente sofrem múltiplas experiências traumáticas antes de buscar psicoterapia. Em virtude da quantidade de traumas, as pacientes podem apresentar dificuldade de responder positivamente à intervenções clássicas para TEPT. Assim, a técnica Linha da Vida pode ser um recurso útil no tratamento de violências sistemáticas. Esta técnica permite a construção de uma narrativa sobre os eventos traumáticos que marcaram a história da paciente, a partir da qual ela pode identificar como o ciclo da violência aparece em sua vida. Este trabalho visa descrever a utilização da técnica da Linha da Vida para o tratamento de memórias traumáticas em mulheres com histórico de violência por parceiro íntimo, demonstrando sua eficácia no processo terapêutico. A técnica integrou a segunda etapa de um protocolo de psicoterapia cognitivo-comportamental (TCC) composto por 16 sessões, desenvolvido especialmente para esta população. Juntamente à construção da Linha do Tempo, buscou-se integrar as memórias relatadas à técnicas de regulação emocional. A amostra foi composta por 24 mulheres que passaram por violência no relacionamento íntimo. Foram realizados estudos de processo e impacto para análise da eficácia do protocolo e da técnica da Linha da Vida para o tratamento desta população. Como principais resultados, encontrou-se que a narrativa construída em terapia possibilitou que as pacientes percebessem as diferentes manifestações da violência ao longo de sua história e visualizassem padrões comportamentais e contextos disfuncionais. Esta técnica auxiliou no processo de ressignificação das violências e também na identificação e evitação de situações revitimizadoras. Ainda, a técnica mostrou-se eficaz para o trabalho de regulação emocional para situações traumáticas sistemáticas. A partir dos resultados, pôde-se perceber que a TCC necessita considerar o tipo de trauma vivenciado e os sintomas apresentados para definir as técnicas de exposição que serão empregadas na psicoterapia. A técnica da Linha de Vida pode contribuir como ferramenta em casos de traumas recorrentes, como é o caso das experiências de violência por parceiro íntimo.
Cláudia Guilger-Primos
Muito boa a temática e é de extrema relevância!
Gostaria de saber se vocês pretendem publicar o trabalho com enfoque nas estratégias utilizadas para regulação emocional de vítimas de violência!
Queria saber também se houve uma correlação das mulheres que sofreram violência dos seus parceiros com violências anteriores (familiares, por ex).
Elas conseguiram perceber o momento do início da violência ou já estava no relacionamento desde o princípio?
Obrigada pelo trabalho!
Att,
Cláudia
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Sândhya Siqueira Marques
Olá, Cláudia!
Muito obrigada pelo feedback!
O estudo mais recente que temos abordando as técnicas chama-se "Evaluation of the Impact of a Cognitive-Behavioral Intervention for Women in Domestic Violence Situations in Brazil" ( http://dx.doi.org/10.11144/javeriana.upsy17-3.eicb ). Além disso, a professora Luísa Habigzang, orientadora do projeto, tem muitas pesquisas publicadas que também utilizam técnicas de regulação emocional com pessoas que sofreram violências, sendo elas mulheres, crianças ou adolescentes.
Quanto à correlação encontrada no nosso estudo, todas as participantes que participaram do protocolo tiveram histórico de maus tratos na infância por familiares.
Sobre a terceira pergunta, as pacientes levavam mais tempo para identificar as violências no relacionamento quando estas iniciavam de forma mais sutil. Inclusive, muitas delas só perceberam as situações de violência ao longo do processo de psicoterapia e da construção da Linha da Vida.
Obrigada pelo interesse no tema!
Atenciosamente,
Sândhya