Robert Pagès e a Neodocumentação

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Propostas de Trabalho - Etapa 2
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Resumo

PROPOSTA GERAL

A proposta da pesquisa é sistematizar a produção de Robert Pagès (1919-2007), filósofo, psicólogo social, documentalista e ativista político que, tendo publicado cerca de 300 textos, não sintetizou suas ideias. Revelar a obra de Robert Pagès enriquece, tanto em questões históricas como atuais, o debate na Ciência da Informação.

OBJETIVO

A pesquisa tem como objetivos acessar a obra de Robert Pagès, e refletir sobre as ideias centrais em Ciência da Informação, enriquecendo o debate epistemológico da área.

REFERENCIAL TEÓRICO

Robert Pagès entende que o conhecimento é transmitido por uma relação dialética entre os símbolos socialmente disponíveis e a interpretação individual destes. O documento é o “símbolo, ou agrupamento de símbolos capazes de perdurar natural ou artificialmente para além do momento de sua expressão” ([1948] 2021, 7). A documentação exerceria na cultura papel equivalente ao das máquinas para uma indústria, ou seja, o de infraestrutura.

O autor diferencia os documentos em dois tipos: os auto-documentos, que carregam em si informação que os determinam; e os representativos de um conjunto. O chapéu de Napoleão Bonaparte seria o exemplo do primeiro grupo, enquanto um gorila enjaulado exemplificaria o segundo tipo (2021).

A ideia de que um animal pode ser um documento é comumente atribuída à Suzanne Briet, que inicia seu manifesto afirmando que um antílope em um zoológico é um documento. Pagès foi aluno e interlocutor de Briet em seus estudos documentários (Hudon, 2018). 

Briet ([1951] 2016) define o documento em primário (o próprio antílope) e secundário (documentos derivados), conceito reconhecido por Bernd Frohmann (2012) como precursor da ideia de documentalidade como propriedade intrínseca dos objetos. Ronald E. Day (2024) retoma a noção de auto-documento de Pagès com a mesma intenção de identificar um precursor à documentalidade, mas apontando uma diferença conceitual entre os entendimentos de Briet e Pagès sobre documentos: enquanto a primeira sustenta o documento como evidência que apoia um fato exterior, para o segundo haveria um potencial intrínseco de uma entidade se tornar evidência.

METODOLOGIA

O trabalho se dá em âmbito exploratório com aplicação de técnica bibliográfica. A pesquisa foi realizada nos arquivos físicos de Pagès na Bibliothèque Henri-Piéron, além de bases de dados nacionais e internacionais. 

RESULTADOS

A pesquisa enriquece o debate sobre os percursos histórico e epistemológico da Ciência da Informação, agregando concepções originais a um campo que se coloca como “guardiã da memória social, [mas] não atribui a devida importância à sua própria memória” (Tálamo e Smit, 2007, 56).

CONCLUSÃO

A sistematização da obra de Robert Pagès oferece ao debate da Ciência da Informação novas perspectivas, tanto do percurso histórico das disciplinas originárias quanto para reflexões críticas em temas atuais, como o da interdisciplinaridade, e do movimento da neodocumentação enquanto resgate ou apropriação.

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Instituições
  • 1 Universidade de São Paulo
Eixo Temático
  • I Epistemologia da mediação e organização do conhecimento: teorias, métodos e conceitos em transformação na realidade digital
Palavras-chave
Robert Pagès
Documento
Documentação
Neodocumentação
Documentalidade