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A percepção pública da ciência, em levantamentos realizados entre 1987 e 2010, já reconhecia a biblioteca como um local de acesso à informação científica, em meio a diversos centros culturais (Caribé, 2015). Isso corroborava o papel tradicional da biblioteca na comunicação científica, conforme descrito por Garvey e Griffith (1979). Com o advento da internet na metade da década de 1990, e a convergência de tecnologias de informação e comunicação, o acesso à informação foi facilitado trazendo novas perspectivas para a Divulgação Científica como campo de estudo. Segundo Bueno (2010) a divulgação científica cumpre um papel essencial de democratizar o acesso ao conhecimento científico e estabelecer condições para a chamada alfabetização científica, ou seja, acomodar a escrita para a realidade do leitor contribuindo para incluir os cidadãos no debate sobre temas especializados, que podem impactar sua vida e seu trabalho. Visto que pessoas leigas passaram a ter acesso à produção científica, surgiram novos mediadores para trazer maior qualidade à interação entre pessoas e essa informação. Tal contexto, evidencia as bibliotecas universitárias como “um agente de mediação da informação” (Sala; Lopes; Sanches; Brito, 2020, p. 13), com os bibliotecários atuando nesse sistema dialógico de necessidade e uso de informações e como descreveu Massarani e Moreira (2021, p. 128): “colocar (o público) no papel de pesquisadores e fazer com que utilizem, mesmo que em um nível restrito, os métodos da ciência [...]”. Este projeto visa verificar se os serviços de bibliotecas universitárias da área de biologia disponíveis em sites e redes sociais digitais, como Instagram e blogs, podem ser identificados como práticas de divulgação científica. Para isso, foram selecionadas 10 universidades brasileiras mais bem avaliadas no ranking Webometrics 2024, incluindo a UFPA, totalizando 11 bibliotecas. A metodologia proposta é a de cunho bibliográfico e documental com abordagem qualitativa utilizando a observação direta não participante visando à identificação e “extração” manual dos serviços disponíveis em suas páginas e redes sociais digitais. Para fins de análise dos dados com o objetivo de organizar, codificar e categorizar os serviços e práticas de biblioteca e divulgação científica, os dados coletados serão analisados segundo a técnica de análise de conteúdo. Parte-se do pressuposto de que muitos serviços em bibliotecas universitárias surgiram ou foram adaptados, principalmente nas redes sociais digitais, influenciados por um momento de crise, no caso, a pandemia de Covid 19. A identificação de tais serviços e práticas podem evidenciar o papel da biblioteca universitária como um recurso que deve ser utilizado na comunicação pública da ciência, e apresentar o bibliotecário como novo agente nesse processo de alfabetização científica sob o olhar da interferência na informação.
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