Ana Carolina e Rosemeri,
Gostei muito do trabalho de vocês. Parabéns pela pesquisa. Envio algumas reflexões para suscitar desde já um debate em torno do que o trabalho de vocês provocou.
A pichação é uma escritura passível de criminalização. Pensando na produção de sentidos e seus efeitos, ela é criminalizada e também criminaliza o sujeito que a faz. Como você compreende esse gesto de escrita que se dá “no limite” do real da cidade, aquilo que escapa à urbanização enquanto lei? A pichação é um grito silencioso, mas estridente, que incomoda de qualquer maneira, que reivindica um lugar na cidade ou reivindica outra cidade? Outra universidade?
Pensando na relação entre sociabilidade e hostilidade, tal como Orlandi (2004) coloca em Cidade dos Sentidos, como você significa a relação de pertencimento à cidade desse sujeito que se marca no limite da segregação, já que “Cotas Sim” diz, justamente, de sujeitos segregados?
Todas essas questões podem se resumir na seguinte: Como o político está significando no gesto de pichar? O que é o político para você?
Orlandi (2001) diz que gesto é um ato no nível simbólico, que intervém no mundo, no real do sentido, como pichar pode ser compreendido a partir dessa afirmação?
Orlandi (2001, p. 25) diz: “Os gestos são atos no nível simbólico, diz M. Pêcheux (1969), e cita como exemplo assoviar em uma reunião, atirar bombas em uma assembleia, etc. Quando falo em gestos de interpretação, estou considerando a interpretação como prática simbólica, uma prática discursiva que intervém no mundo, que intervém no real do sentido.”