Olá, Bete. Parabéns pelo trabalho! A análise do enunciado em que aparece "... a doida é feminazi' é muito instigante. De um lado, temos a palavra 'doida', determinando a mulher, o que nos permite pressupor que ela é desprovida de razão. Isso nos permite subentender que quem tem razão é o homem. E isto quem assume no dizer é um enunciador universal, como vc aponta. Esse discurso infelizmente circula na sociedade há bastante tempo, especialmente na tradição judaico-cristã (lembremos que a serpente teria seduzido Eva e não Adão, e este, interpelado por Deus, põe a culpa na mulher...). Voltando ao nosso tempo, temos, de outro lado, a palavra 'feminazi', formada por 'feminista' e 'nazista'. Trata-se, salvo engano, de uma palavra-valise, pois '-nazi' de 'feminazi' não é um sufixo da língua portuguesa. Como vc bem diz, há uma equivalência que não se sustenta no acontecimento: feminista = nazista? Para o Locutor, sim. Acho que vale a pena uma investida na análise da designação dessa palavra, 'feminazi', em situações em que vc analisa, e também em outras. Que outros sentidos teria a palavra 'feminazi' no acontecimento de enunciação? De que lugar social de dizer e de que posição-sujeito no interdiscurso se diz a palavra?