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SEGURANÇA DO PACIENTE NA SAÚDE MATERNA E NEONATAL: UMA VISÃO DISCENTE

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Introdução: Uma atenção segura e de qualidade à saúde materna e neonatal ainda permanece como desafio a ser vencido. Embora o ensino na graduação para os profissionais de saúde sobre segurança do paciente esteja previsto no Programa Nacional de Segurança do Paciente1 e pela Organização Mundial de Saúde, ele ainda é abordado comumente de forma estanque e fragmentado. Objetivos: Verificar as informações que o discente ingressantes e concluintes do curso de obstetrícia possuem sobre segurança do paciente na saúde materna e neonatal e comparar os grupos quanto à proporção de informações respondidas corretamente. Método: Estudo descritivo, quantitativo, de campo, realizado na Escola de Artes, Ciências e Humanidades - EACH/USP. A população foi composta pelos discentes ingressantes (60 alunos) e concluintes (34 alunos) de obstetrícia. A amostra final foi de 20 ingressantes e 30 concluintes. A coleta ocorreu de junho a agosto de 2016, na sala de aula, através de um questionário elaborado com questões para caracterização da amostra e sobre o tema. A análise dos dados foi por estatística descritiva. O projeto obteve parecer favorável do Comitê de Ética da EACH (Parecer n. 1.544.144). Resultados: A idade média foi, respectivamente, de 20,05 ±3,48 e 25,03±5,91 anos, com predominância do sexo feminino em ambos os grupos (99%). Para 10,0% do ingressantes e para 53,3% dos concluintes, o tema é ensinado em algumas disciplinas ao longo do curso, mas não há uma conexão entre elas ou aumento de complexidade sobre o assunto. Apenas 5% e 32,1% respectivamente, afirmaram ter domínio dos conceitos e vivência prática do tema. Dos alunos, 40% dos concluintes afirmaram que o curso contribuiu muito para a compreensão sobre o tema, enquanto que 25% dos ingressantes disseram que o curso contribuiu totalmente. Quanto ao conceito de segurança do paciente, 26,3% (ingressantes) e 46,7% (concluintes) o conheciam, mas apenas 5% e 17,2% reconheciam casos práticos de evento adverso. As ações da Organização Mundial de Saúde para a Segurança do Paciente e os programas e resoluções nacionais sobre o assunto foram identificados pela maioria dos alunos (60% e 76,7%). Compreendiam “Near Miss” na saúde materna e neonatal, 78,9% (ingressantes) e 83,3% (concluintes). Reconheciam as barreiras para uma assistência segura e de qualidade às mulheres 75% e 80%. No entanto, somente 11,1% e 17,3% sabiam a proporção estimada de um evento adverso sério durante o parto. Nenhum ingressante reconheceu eventos-sentinelas maternos, fetais/neonatais e organizacionais, enquanto dos concluintes, apenas 3,4%, 7,1% e 13,8% os reconheceram. Conclusões: Houve poucas diferenças nas proporções de respostas corretas entre os ingressantes e concluintes do curso de Obstetrícia. A visão discente sobre segurança do paciente, em geral, e na saúde materna e neonatal, ainda é fragmentada, incompleta e contempla distorções. Os resultados são compatíveis com os encontrados na literatura em estudos com outros cursos de formação de profissionais de saúde2. A cultura de segurança do paciente deve permear o ensino de graduação em obstetrícia de forma transversal e compreensiva para uma formação adequada, que garanta uma atenção segura e de qualidade à mulher e seu filho.