CATETERES VENOSOS DE INSERÇÃO PERIFÉRICA: IMPLEMENTAÇÃO DE EVIDÊNCIAS NAS PRÁTICAS DE ENFERMAGEM
Introdução: O cateter venoso periférico (CVP) é utilizado na maioria dos pacientes internados em hospital, que necessitam de medicamentos intravenosos(1). As evidenciam apontam altas taxas de complicações e diversos fatores de risco associados ao CVP, entre eles os medicamentos irritantes(2-3). Tendo em vista que o cateter venoso central de inserção periférica (PICC) é indicado(4) para administração desse tipo de medicamento, ele é uma alternativa ao CVP para melhorar os resultados da assistência de enfermagem. No entanto, a implementação do PICC nas práticas de enfermagem requer a aquisição de conhecimentos fundamentados em evidência científica, os quais diferenciam-se daqueles habitualmente utilizados nos cuidados aos pacientes com o CVP. Assim, é necessário desenvolver atividades de educação, como instrumento para promover cuidados de enfermagem de qualidade e resultados positivos para os pacientes(5). Objetivo: Analisar o impacto de uma intervenção educativa sobre as práticas de enfermagem relacionadas com o PICC, nomeadamente na taxa de incidência de complicações. Método: Fase 1: Estudo de coorte prospectivo com 110 pacientes portadores de CVP, durante 82 dias; Fase 2: Intervenção educativa teórico-prática sobre cuidados de enfermagem na inserção, manutenção e vigilância do PICC; Fase 3: Estudo-piloto de coorte com 36 pacientes portadores de CVP e nove de PICC, durante 40 dias consecutivos. Foram incluídos pacientes maiores de 18 anos de um serviço de medicina de Portugal. Os dados foram submetidos a estatística descritiva. O estudo obteve parecer favorável do Comitê de Ética do Centro Hospitalar de Coimbra (CHUC-087-15/CHUC-020-15). Resultados: No estudo de coorte (Fase 1) evidenciaram-se as seguintes complicações nos pacientes portadores de CVP e suas respectivas taxas de incidência cumulativa: flebite (35,5%), infiltração (45,5%), obstrução (50%), remoção acidental do CVP (41%), saída de fluido pela inserção (19%) e dor no local da inserção durante a administração de fluidos (11,8%). A intervenção educativa (Fase 2) com 15 enfermeiros para aquisição de competências para prestação de cuidados aos pacientes na inserção, manutenção e vigilância do PICC. O estudo-piloto de coorte (Fase 3) evidenciou as seguintes complicações nos pacientes portadores de CVP: flebite (22,2%), infiltração (38,8%), obstrução (27,7%), remoção acidental do CVP (47,2%), saída de fluido pela inserção (36,1%) e dor no local da inserção durante a administração de fluidos (5,5%). Nos pacientes portadores de PICC a obstrução foi a única complicação evidenciada (22,2%). Comparando os resultados do estudo-piloto de coorte (Fase 3) com aqueles do estudo de coorte (Fase 1) verificou-se um decréscimo na incidência cumulativa das seguintes complicações nos pacientes portadores de CVP: 13,3% na flebite, 6,7% na infiltração, 22,3% na obstrução e 6,3% na dor no local da inserção durante a administração de fluidos. Conclusões: A implementação da intervenção educativa proporcionou aos enfermeiros a aquisição de conhecimentos baseados em evidências científicas e o desenvolvimento de competências para prestarem cuidados a pacientes que necessitam do PICC ou são portadores do mesmo. Os resultados evidenciaram melhorias nas taxas de complicações relacionadas com o CVP. O PICC apresenta-se como uma alternativa favorável, em determinadas situações, para melhorar a qualidade da assistência de enfermagem prestadas aos pacientes que apresentam indicação deste cateter.