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INTRODUÇÃO: A internação hospitalar, especialmente em unidades de cuidados intensivos e semi-intensivos, frequentemente expõe pacientes a situações em que a fala não constitui uma forma de comunicação viável, devido às suas condições de saúde. Nestes contextos, diversas condições — como alterações neurológicas, uso de dispositivos de suporte à vida e limitações motoras — podem comprometer a linguagem oral, colocando a pessoa em situação de vulnerabilidade comunicativa (BLACKSTONE, 2015).Pessoas nessa condição enfrentam barreiras significativas para exercer seu direito à comunicação, o que impacta diretamente sua autonomia, segurança e bem-estar. Estudos indicam que alterações de linguagem e fala durante a hospitalização estão associadas ao aumento do tempo de internação, maior uso de sedativos e medicamentos, além de maior risco de eventos adversos (HEMSLEY et al., 2016). Esses fatores não apenas comprometem a qualidade do cuidado, como também intensificam sentimentos de frustração, medo e insegurança para a pessoa hospitalizada. Diante desse cenário, a Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA) constitui uma estratégia essencial para ampliar as possibilidades expressivas de pessoas em vulnerabilidade comunicativa. Sua implementação visa minimizar os impactos do não falar, promover a participação ativa no próprio cuidado e garantir o exercício do direito humano à comunicação (BASTABLE; DADA, 2020).OBJETIVO: Investigar o impacto do não falar de pessoas internadas em enfermarias e Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) de um hospital-escola, do interior de São Paulo, compreendendo suas vivências e percepções quanto às dificuldades comunicativas durante a hospitalização. MÉTODO: Trata-se de estudo qualitativo, transversal e descritivo, aprovado pelo Comitê de Ética da Universidade que foi realizado o estudo com aprovação do comitê de ética , resultados parciais da tese de doutorado de uma das autoras sob orientação da outra signatária. Participaram 12 pessoas em situação de vulnerabilidade comunicativa, internadas em enfermarias e unidades de terapia intensiva do Hospital escola de uma cidade do interior de São Paulo. A amostra foi obtida por conveniência a partir do encaminhamento de profissionais desses serviços.A coleta de dados foi realizada a partir dos seguintes procedimentos: a) levantamento de dados de prontuários; b) aplicação do protocolo Unit Care Screening Protocol (ICUCS) (Yorkston, 1992), traduzido e adaptado para o português do Brasil pelas autoras em pesquisa prévia; c) Proposta de Implementação da CAA e acompanhamento dos participantes (de 1 a 5 encontros) com registros dos encontros em prontuário e diário de campo da pesquisadora. A análise dos dados foi realizada pelos critérios de repetição e relevância definidos por Turato (2005), tendo sido estabelecido 5 eixos temáticos de análise: (a) Condições de saúde que impactam a comunicação (b) Impactos na linguagem (c) Sentimentos e percepções (d) Relações com os outros parceiros e (e) Impacto do uso da CAA. RESULTADOS: Os resultados são apresentados por categoria de análise: Quanto às Condições de saúde que impactam na comunicação, incluíram-se quadros tais como Miastenia Gravis, Esclerose Lateral Amiotrófica, Síndrome do Encarceramento (Locked-in), uso de traqueostomia e ventilação mecânica, que impossibilitaram a produção oral. Tais condições restringiram severamente a linguagem oral, porém, com a compreensão preservada. Além disso, pela relevância, destaca-se o impacto da medicação, que conforme um dos participantes, “deixava com sono e atrapalhava a sua comunicação”. Em relação aos impactos na linguagem, os participantes relataram alterações importantes na fala e na articulação, como apraxia, disartria e anomia, além de dificuldades com a escrita. Em muitos casos, não conseguiam utilizar recursos alternativos como caneta ou lousa, devido às limitações motoras e falta de materiais disponíveis à beira do leito. Sobre os sentimentos, os relatos evidenciam sentimentos de angústia, frustração, medo e impotência. Alguns participantes expressaram, por meio de olhares ou gestos, o incômodo de não conseguirem comunicar necessidades básicas, como dor, sede ou desconforto. Outros participantes destacaram o fato de não se sentirem seguros e medo de morrer por não conseguirem pedir ajuda ou comunicar um sintoma ou situação que pudesse agravar seu quadro. Em respeito aos impactos nas relações, os resultados mostram que a ausência da fala compromete a interação com familiares e profissionais de saúde. Alguns participantes relataram que eram compreendidos, apenas, quando seus familiares estavam presentes, os quais se tornavam intérpretes informais. Outros referiram que seus gestos ou tentativas de comunicação foram ignoradas ou mal interpretadas pela equipe, intensificando a tendência ao isolamento. Quanto ao impacto do uso da CAA, os achados evidenciam que a introdução de pranchas de comunicação com símbolos, letras e temas hospitalares, além do uso de gestos e escrita quando possível, foi percebida como um recurso que auxiliou de modo positivo. Participantes relataram alívio ao conseguir expressar vontades, sentimentos e perguntas sobre seu tratamento. O uso da CAA proporcionou uma retomada da participação no cuidado, promovendo segurança e vínculo com a equipe, garantindo a possibilidade de comunicação com a equipe e familiares. CONCLUSÃO: Os resultados mostram que o não falar em ambiente hospitalar intensifica a vulnerabilidade comunicativa e impactam emocionalmente as pessoas hospitalizadas, colocando-as em possíveis riscos, além de limitar sua participação nos próprios cuidados e de sua autonomia comunicativa. A CAA demonstrou ser uma ferramenta essencial para promover o direito à comunicação e a humanização no cuidado. Os achados evidenciam a importância de sua implementação nesse ambiente ser promovida como estratégia clínica e política. Os achados possibilitam identificar barreiras institucionais, relacionais e instrumentais pelas dificuldades de comunicação no ambiente hospitalar a. sendo que a CAA se mostra como alternativa para ampliar a autonomia e a participação das pessoas em situação crítica de saúde. Dessa forma, os resultados mostram que a implementação da CAA e dar voz às silenciadas, contribuem para o enfrentamento de barreiras de comunicação nesse Este estudo evidenciou a CAA, ao menos para o grupo estudado, como solução acessível e eficaz. Sua implementação permitiu atenuar os impactos da vulnerabilidade comunicativa, evidenciando-se como solução viável na prática Fonoaudiológica, favorecendo cuidado integral a saúde.
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