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Introdução
A comunicação envolve intencionalidade e reciprocidade. Sendo assim, é fundamental que tenhamos parceiros de comunicação com intenção comunicativa para a troca de mensagens. A forma da comunicação não será o foco principal, e sim o entendimento bem-sucedido dos sentidos e conteúdos comunicados. Em relação à forma, sabemos que ela pode assumir diferentes modos e meios, tais como: escrita, fala, imagens, pictogramas, língua de sinais, gestos, expressões, entre outros.
A partir do exposto, compreendemos o conceito de comunicação para além da fala, como base das relações sociais. Sabemos que sujeitos com necessidades complexas de comunicação irão necessitar de estratégias diferenciadas para que a ponte comunicativa aconteça e suas habilidades de expressão e recepção sejam estabelecidas. Sendo assim, os sistemas manuais, gestos, expressões corporais e língua de sinais fazem parte das diferentes estratégias da CAA. Contudo, sinais manuais e língua de sinais são estratégias não apoiadas, ou seja, não utilizam elementos externos ao usuário, como pictogramas ou acionadores de voz. Esses recursos são expressos e recebidos pelo corpo, mãos, olhos, tronco, face, ou seja, todo o corpo trabalha para romper barreiras e permitir que o processo de comunicação aconteça.
A relevante pesquisa de Nunes e Nunes Sobrinho (2010), que objetivou analisar as características metodológicas de um acervo constituído por 56 trabalhos científicos focados na Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA) para educandos com autismo, produzidos no período de 1980 a 2007, aponta importantes contribuições para os estudos em CAA. A pesquisa considerou o levantamento e a análise metodológica dos 56 estudos. Dentre eles, 18 versaram sobre o uso de sistemas manuais e língua de sinais em populações com autismo; 26 empregaram sistemas pictográficos de comunicação; 9 utilizaram sistemas assistidos com acionadores de voz; e 3 utilizaram sistemas híbridos, contendo mais de uma modalidade de CAA.
Assim, podemos observar que as pesquisas em CAA que utilizam estratégias baseadas na língua de sinais estão em crescimento. Contudo, a maioria dos estudos, como os citados por Nunes e Nunes Sobrinho (2010), focaram em línguas de sinais de outros países, especialmente a Língua Americana de Sinais (ASL). Isso evidencia a escassez de trabalhos no Brasil que investiguem as possibilidades e implicações metodológicas do uso da Língua Brasileira de Sinais (Libras) como forma de Comunicação Aumentativa e Alternativa.
Objetivos
Considerando esse cenário, surgem os seguintes objetivos de pesquisa:
Método
Sabemos que toda pesquisa com rigor científico estará embasada em pesquisa bibliográfica. Sendo assim, a presente pesquisa possui natureza básica, com abordagem qualitativa, de caráter exploratório, utilizando procedimentos de pesquisa bibliográfica. De acordo com Gil (2002), a pesquisa bibliográfica é realizada com base em material já construído, organizado e divulgado. Para tanto, foi estabelecido como critério de inclusão pesquisas nacionais que tivessem em seu título ou resumo os seguintes descritores: Libras, Língua de Sinais e Comunicação Alternativa e Aumentativa (CAA), nos seguintes bancos de pesquisa: Scielo, Capes e Google Acadêmico. Como critérios de exclusão, não foram consideradas as pesquisas com objeto de pesquisa de línguas de sinais de outros países.
Resultados
Os resultados da busca indicaram que a hipótese primária de escassez de trabalhos que discutem o uso da Língua Brasileira de Sinais em nosso país é uma realidade. Considerando os três bancos de dados que atenderam aos critérios de inclusão desta pesquisa — Scielo, Capes e Google Acadêmico — apenas o último apresentou pesquisas que possuíam em seu título ou resumo as palavras que atenderam aos critérios de inclusão: Libras, Língua de Sinais e CAA. A seguir, organizamos um quadro com os dados encontrados, selecionados para compor a amostra qualitativa de análise:
Quadro 1 - Pesquisas sobre Língua Brasileira de Sinais e CAA
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AUTOR |
ANO |
RESULTADOS |
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DIAS, G. R.; SILVA, R. D. M.; MACEDO, M. C. A |
2025 |
Os resultados indicam uma tendência positiva no uso da Libras como CA, embora haja um número incipiente de pesquisas nacionais relacionadas à temática. |
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CHRISTO, Alzira Fabiana; SANTOS, Bárbara Vitória dos Reis. |
2024 |
Em síntese, o uso da Libras como meio de comunicação para crianças autistas não verbais oferece uma abordagem promissora para melhorar sua qualidade de vida, interação social e desenvolvimento cognitivo. |
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LUIZ, Kelly; LABIAK
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2023 |
Com este estudo podemos concluir que crianças autistas minimamente verbais podem ter sua fala desenvolvida, mas que, sobretudo, podem desenvolver sua linguagem e compreensão do mundo com o uso da língua de sinais |
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TEIXEIRA, Camila Menezes
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2023 |
Os resultados demonstraram que ambos os métodos PECS e Língua de Sinais se apresentaram eficazes para o ensino de habilidades verbais para pessoas autistas. |
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Fabíola Sucupira Ferreira Sell; Carla Berkenbrock; Gabriel Amâncio Hoerning. |
2019 |
Como resultados, observa-se melhor domínio da Libras, sendo utilizada em diferentes contextos de comunicação e melhora em seu processo de alfabetização. |
Fonte: Produzido pelo autor
Considerações Finais
De acordo com os resultados das pesquisas nacionais, podemos identificar que há um apontamento positivo no uso da Língua Brasileira de Sinais como estratégia de Comunicação Alternativa e Aumentativa. Todas as amostras selecionadas, que atenderam ao critério de inclusão desta revisão bibliográfica, corroboram essa possibilidade e indicam resultados promissores em seu uso para o ganho de habilidades comunicativas.
Contudo, as amostras corroboram os objetivos da pesquisa quando apontam os seguintes resultados:
(a) O levantamento bibliográfico realizado aponta possibilidades no uso da Língua Brasileira de Sinais, mas não sistematiza estratégias metodológicas para o seu ensino e uso por parceiros de comunicação. Isso indica a necessidade de pesquisas que sistematizem estratégias de uso, ensino e generalização da Libras como forma de comunicação não apoiada em CAA.
(b) As pesquisas selecionadas apontam possibilidades para o uso da Libras como CAA, mas ainda não definem as implicações. Ou seja, apontam benefícios, mas ainda carecem de estudos que discutam as variáveis de aplicabilidade em diferentes grupos e seu processo de implementação.
(c) Os resultados corroboram caminhos iniciais para o uso da Língua Brasileira de Sinais, contudo é necessário que novas pesquisas, com diferentes grupos e abordagens metodológicas, sejam realizadas para que seu uso não esteja apoiado em usabilidade de senso comum.
Portanto, esta pesquisa inaugura as discussões no cenário nacional sobre o uso da Comunicação Gestualizada, uma abordagem inovadora e promissora que unirá os princípios da comunicação visual espacial, pictogramas e léxicos icônicos da Língua Brasileira de Sinais em uma abordagem intramodal e intersemiótica de comunicação. Ou seja, comunicação dentro do mesmo idioma, considerando sua estrutura gramatical oral-auditiva, mas com forma de registro distinta, utilizando léxicos visuais da Língua Brasileira de Sinais, especialmente em sua manifestação icônica. Assim, a utilização da Libras na CAA é possível e funcional. No entanto, não podemos esquecer quem são os parceiros comunicativos e sua língua materna de partilha comunicativa, pois, nesse caso, não estamos falando em ensinar Libras para pessoas com necessidades complexas de comunicação, e sim no ensino de habilidades comunicativas com base na Comunicação Gestualizada.
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