Implementação de Plano de Comunicação Aumentativa e Alternativa em Centro de Referência em Educação Inclusiva

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Comunicação oral
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Resumo

Introdução

A comunicação é um elemento crucial à socialização. Constitui-se em um direito humano essencial e condição fundamental ao desenvolvimento integral dos sujeitos, entre si e com o ambiente. Crianças, adolescentes e adultos com dificuldades na fala funcional, assim como indivíduos diagnosticados com Transtorno do Espectro Autista (TEA), Deficiência Intelectual (DI) e Trissomia do Cromossomo 21 (T21), frequentemente enfrentam barreiras significativas para comunicar e expressar seus desejos, emoções e necessidades básicas. Nesse contexto, a Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA) compreende estratégias e ferramentas objetivando o acesso à linguagem, à interação social e à autonomia do indivíduo.

O presente relato apresenta a experiência de implementação de um plano de CAA no Centro de Referência em Educação Inclusiva SESC SENAC RJ - CREI SESC SENAC1. Neste espaço, adotamos a nomenclatura “atendidos” para nos referirmos aos sujeitos. Assim, o perfil dos atendimentos corresponde aos indivíduos com idades entre 2 e 29 anos, alocados em grupos e acompanhados por uma equipe transdisciplinar composta por profissionais de Arteterapia, Fonoaudiologia, Musicoterapia, Nutrição, Pedagogia, Psicologia, Psicomotricista, Psicopedagogia, Serviço Social e Terapia Ocupacional.

Conforme proposto por Walter (2012), a CAA deve ser compreendida como uma via legítima de linguagem e um instrumento para assegurar o direito de comunicar-se em todas as fases da vida. Portanto, a proposta vem sendo elaborada objetivando ampliar as possibilidades de expressão dos usuários por meio de recursos personalizados de comunicação, garantindo maior participação e inclusão nos atendimentos e nas interações cotidianas.

1- O Centro de Referência em Educação Inclusiva SESC SENAC RJ - CREI SESC SENAC é um espaço de atendimento trandisciplinar, situado na unidade SESC Tijuca, localizada na Rua Barão de Mesquita, no 539 - Tijuca, Rio de Janeiro - RJ.

 

Objetivo Geral:

Implementar um plano de Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA), em espaço de atendimento transdisciplinar situado na cidade do Rio de Janeiro, promovendo a autonomia comunicativa e o protagonismo dos indivíduos em diversos contextos de atendimento.

 

Objetivos Específicos:

  • Apresentar o conceito e os recursos da CAA à equipe, às famílias e aos usuários.
  • Avaliar as necessidades comunicacionais individuais dos usuários.
  • Escolher sistemas adequados de CAA e planejar formas efetivas de inserção.
  • Promover acessibilidade comunicacional nos ambientes físicos comuns da instituição
  • Monitorar os resultados da aplicação da CAA no cotidiano terapêutico e institucional.

 

Método: 

A presente pesquisa encontra-se em andamento e trata-se de um estudo de abordagem qualitativa, de natureza descritiva, com foco no relato das experiências de fonoaudiólogas na implantação do plano de Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA) em serviço voltado aos atendimentos de sujeitos com diagnóstico de TEA, DI e T21, com idades entre 2 e 29 anos. 

 

Público-alvo e Descrição das Ações Desenvolvidas

O plano de CAA encontra-se em fase de desenvolvimento, visando contemplar o público composto por crianças e jovens, com diagnóstico de TEA, DI e T21, atendidos nesse espaço com proposta transdisciplinar. Os perfis comunicacionais são variados: constituídos por sujeitos não oralizados, com fala limitada, fala ecolálica e com vocabulário funcional restrito. Cabe ressaltar que uma parte significativa dos atendidos apresentou dificuldades em iniciar e manter interações sociais de forma descrita como funcional. 

Assim, o plano de CAA foi elaborado em quatro etapas principais. São elas:

 

1a etapa: Apresentação e sensibilização - Introdução do conceito e dos objetivos da CAA à equipe de profissionais responsáveis pelos atendimentos, às famílias e aos atendidos. Através de formações, vídeos, dinâmicas e materiais educativos, buscou-se desmistificar a ideia de que a CAA substitui a fala, reforçando sua função de ampliar as possibilidades de expressão (Walter, 2012).

2a etapa: Avaliação individual - Avaliação das habilidades comunicativas, considerando aspectos motores, sensoriais, cognitivos e sociais, através de protocolos de levantamento do vocabulário, entrevistas com os responsáveis e observações dos sujeitos durante os atendimentos. Essa prática está alinhada aos pressupostos apontados por Berenguer et al. (2022), que ressaltam a importância de considerar a comunicação pré-existente e as preferências dos indivíduos e suas famílias antes de definir o sistema de CAA a ser implementado, visando favorecer a adesão e a continuidade do uso em contextos naturais.

3a etapa: Escolha dos sistemas e inserção - Essa fase está em desenvolvimento e envolve a seleção de sistemas personalizados de CAA, como pranchas de comunicação com figuras (PCS) elaboradas com o sistema pictográfico ARASAAC, objetos concretos e aplicativos de comunicação (LetMeTalk, Livox, por exemplo). A equipe definiu estratégias de inserção progressiva, com treinamento dos usuários e apoio dos familiares e profissionais para garantir o uso funcional dos recursos nos atendimentos e em casa.

4a etapa: Acessibilidade comunicacional no ambiente físico - Além da aplicação da CAA nas sessões de atendimentos terapêuticos, o plano também prevê ações de acessibilidade nos espaços comuns da unidade, com sinalizações com símbolos pictográficos em salas de atendimento, cozinha pedagógica terapêutica, banheiros, recepção e corredores. Essa iniciativa tem contribuído para que os atendidos identifiquem os espaços e circulem com mais autonomia, reforçando o uso da CAA fora dos contextos individualizados. As ações estão sendo coordenadas pela equipe transdisciplinar, a partir de registros, evoluções e encontros semanais de planejamento e supervisão interna.

 

Resultados

A implementação do plano de CAA tem promovido avanços na comunicação funcional dos atendidos. Observou-se aumento na frequência e diversidade de interações espontâneas, redução de comportamentos desafiadores associados à frustração comunicativa e maior engajamento nas atividades.

Nesse contexto, destacam-se dois casos de atendidos que se encontram na terceira etapa de implementação do plano de CAA, atualmente em andamento, no qual as estratégias têm sido progressivamente inseridas aos núcleos familiares dos sujeitos.

LMA, adolescente, do sexo masculino, 16 anos, diagnosticado com TEA, com comunicação verbal presente, porém com muita ecolalia e pouca funcionalidade. LMA iniciou a utilização de aplicativo de CAA para expressar desejos e fazer escolhas, reduzindo episódios de auto agressão. 

Ademais, apresenta-se o caso de SSD, criança, do sexo feminino, 8 anos, diagnosticada com TEA e pouco oralizada. Após contato inicial com a CAA em símbolos pictográficos, tem ampliado seu vocabulário expressivo e interagindo de forma mais funcional com a equipe profissional e seus familiares.

As famílias que aderiram ao recurso de comunicação relataram melhora na compreensão das necessidades dos filhos e maior segurança no uso externo ao CREI. Berenguer et al. (2022) evidenciam o engajamento familiar como crucial à eficácia da CAA em contextos naturais. Assim, a participação familiar potencializa estratégias comunicativas e promove autonomia e autoestima ao sujeito.

Logo, os avanços individuais e a implementação da CAA impactaram positivamente a cultura institucional, reforçando compromisso com acessibilidade e inclusão.

 

Considerações finais

O presente estudo, em andamento, relata as experiências de implementação do uso de recursos de CAA na atuação transdisciplinar com indivíduos com diagnóstico de TEA, DI e T21. A abordagem sistematizada, incluiu a apresentação de conceitos, avaliação individualizada, escolha adequada dos sistemas à cada atendido e adaptação dos espaços físicos, possibilitando assim, conquistas tangíveis na autonomia comunicativa dos sujeitos e na qualidade das interações interpessoais.  

Walter (2012) evidencia que a CAA deve ser reconhecida como uma tecnologia assistiva de acesso à linguagem e à participação. A aplicação dessa prática, aliada ao compromisso ético da equipe e ao envolvimento das famílias, mostrou que é possível romper barreiras comunicacionais e ampliar as oportunidades de desenvolvimento e inclusão para pessoas com deficiência.

Recomenda-se estimular práticas similares em outros contextos clínicos e educacionais, considerando as especificidades individuais e a importância de ambientes acessíveis e acolhedores para a comunicação.

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Instituições
  • 1 SESCRIO
  • 2 CREI SESC SENAC
  • 3 CREI SESC SENAC RJ
Eixo Temático
  • 1. Avanços e Inovação
Palavras-chave
Comunicação Aumentativa e Alternativa
Pessoa com deficiência
Acessibilidade
Linguagem
Família