FORMAÇÃO CONTINUADA E COLABORATIVA EM CAA: ESTRATÉGIAS, IMPACTOS E TRANSFORMAÇÕES NAS PRÁTICAS INCLUSIVAS

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Comunicação oral
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Resumo

1.INTRODUÇÃO
 

A inclusão de estudantes com deficiência é um direito assegurado por normativas como a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (BRASIL, 2008) e a Lei Brasileira de Inclusão (BRASIL, 2015). No entanto, sua efetivação nas escolas ainda enfrenta desafios relacionados a barreiras pedagógicas, comunicacionais e atitudinais. A Tecnologia Assistiva (TA), especialmente a Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA), constitui uma ferramenta potente para promover o acesso ao currículo, à interação e à expressão de estudantes com deficiência (BEZERRA et al., 2024). A formação docente, segundo Schirmer e Nunes (2020), é um fator essencial para garantir o uso qualificado dessas tecnologias, sendo que a ausência dela compromete a autonomia e a criatividade dos profissionais, impactando diretamente a eficácia das práticas inclusivas.

Este estudo, que integra uma pesquisa com foco na capacitação de profissionais da Educação Especial em uma perspectiva colaborativa, tem como objetivo analisar os impactos de uma formação continuada, colaborativa e interdisciplinar voltada ao uso da CAA como estratégia de inclusão social e escolar. Busca-se compreender como essa iniciativa contribuiu para a transformação das práticas pedagógicas e terapêuticas de profissionais da educação e da saúde, a partir da identificação de estratégias desenvolvidas, da aplicabilidade dos recursos de CAA em contextos reais e da construção de ações colaborativas com famílias e equipes multiprofissionais.

2.MÉTODO


Trata-se de uma pesquisa qualitativa, cuja abordagem permite a compreensão das experiências vividas pelos sujeitos e das transformações em suas práticas. Participaram do estudo nove profissionais da educação e da saúde vinculados a um polo de uma universidade pública do Rio de Janeiro, com atuação junto a estudantes com diferentes tipos de deficiência. A formação ocorreu entre abril e novembro de 2024, de forma híbrida: presencialmente na universidade e virtualmente por meio de encontros síncronos, utilizando a plataforma Google Meet.

A abordagem adotada baseou-se na Metodologia da Problematização com o Arco de Maguerez, articulando teoria e prática, desenvolvimento de soluções contextuais e produção colaborativa de materiais acessíveis. As etapas da formação partiram da realidade prática das profissionais e foram organizadas em momentos teóricos, oficinas práticas e trocas de experiências entre os participantes, favorecendo a escuta ativa, o planejamento centrado na pessoa e o fortalecimento do trabalho em rede.

A coleta de dados envolveu transcrições de falas, registros escritos, diários de campo e análise dos materiais produzidos. Os dados foram organizados e analisados com base na Análise de Conteúdo proposta por Bardin (2016).

3.RESULTADOS E DISCUSSÃO
 

A análise permitiu a identificação de três categorias principais. A primeira refere-se à ampliação do conhecimento técnico e teórico sobre a CAA. Os participantes relataram maior segurança e domínio no uso de pranchas e cartões de comunicação, livros acessíveis e aplicativos como o Expressia, TD Snap e LetMeTalk. A compreensão gradual dos conceitos possibilitou sua aplicação prática de forma contextualizada, considerando as necessidades e preferências dos estudantes.

A segunda categoria aponta para mudanças nas práticas pedagógicas e terapêuticas. Houve ênfase na personalização dos materiais, com a adaptação de histórias, músicas e objetos às preferências dos estudantes — como exemplificado pelo uso de alimentos e itens do cotidiano para fins comunicativos. Esse planejamento centrado na pessoa favoreceu o engajamento e a autonomia dos estudantes. Também foram desenvolvidas pranchas com símbolos pictográficos e tangíveis, livros digitais narrados, recursos concretos e jogos sensoriais. As participantes demonstraram criatividade ao integrar elementos do cotidiano dos estudantes aos materiais produzidos.

A terceira categoria revelou o fortalecimento do trabalho colaborativo com as famílias e a escola. A criação de grupos de WhatsApp, o compartilhamento de vídeos e orientações, bem como o envolvimento dos responsáveis na construção de recursos, indicaram uma ampliação da rede de apoio à inclusão. Os relatos das famílias destacaram avanços na comunicação, no comportamento e na socialização das crianças, reafirmando os efeitos positivos da formação. A iniciativa também incentivou o diálogo entre diferentes profissionais e o reconhecimento da corresponsabilidade pela inclusão.

Esses resultados reforçam o que foi apontado por Bezerra et al. (2024), ao destacar que o uso da CAA exige mais do que apenas conhecimento técnico. É necessário também sensibilidade, criatividade e compromisso com a escuta ativa dos estudantes. Schirmer e Nunes (2020) também ressaltam que formações baseadas em metodologias problematizadoras valorizam o protagonismo dos profissionais, permitindo que as soluções construídas estejam alinhadas aos desafios reais enfrentados no dia a dia. Nesse sentido, a utilização do Arco de Maguerez, que parte da realidade concreta dos participantes, foi essencial para integrar teoria e prática e gerar mudanças significativas nas atitudes e concepções sobre inclusão. A análise mostra que a formação contribuiu não apenas para ampliar o repertório técnico das profissionais, mas também para promover uma nova forma de olhar para a diversidade, reconhecendo o estudante com deficiência como um sujeito de direitos, com potencial e possibilidades.

4.CONSIDERAÇÕES FINAIS

A formação continuada descrita demonstrou potencial para transformar práticas pedagógicas e terapêuticas, contribuindo para uma educação inclusiva mais eficaz e sensível. A articulação entre teoria e prática, aliada a metodologias colaborativas, promoveu o empoderamento técnico e humano dos profissionais. A escuta ativa, o protagonismo dos estudantes e o fortalecimento das relações com as famílias mostraram-se fundamentais para a efetividade do uso da CAA.

Fica evidente que a inclusão de estudantes com deficiência requer mais do que recursos materiais. É necessário um olhar atento às necessidades individuais, compromisso ético, criatividade e preparo profissional. Diante disso, investir em formações continuadas, colaborativas e interdisciplinares é fundamental para garantir a participação plena de todos na vida escolar e na sociedade.

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Instituições
  • 1 Universidade do Estado do Rio de Janeiro - Uerj
  • 2 Fonoaudióloga e Professora Associada da Faculdade de Educação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, e do Programa de Pós-graduação em Educação ProPEd-UERJ
  • 3 Fonoaudióloga, professora UERJ, membro da ISAAC-Brasil
Eixo Temático
  • 3. Barreiras e Soluções na CAA
Palavras-chave
tecnologia assistiva
comunicação aumentativa e alternativa
formação docente
práticas inclusivas