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Introdução: As pessoas com deficiência múltipla sensorial são aquelas que apresentam deficiência auditiva associada a outras deficiências ou que apresentam deficiência visual associada a outras deficiências. O foco desta pesquisa foram as crianças com deficiência visual associada a outras deficiências e necessidades complexas de comunicação. Essas crianças apresentam uma forma diferente de interagir com o meio, necessitando de intervenções. Em virtude das especificidades desses casos, o tato é uma das principais formas para a percepção das informações. A comunicação aumentativa e alternativa com recursos táteis, utiliza o toque como forma de comunicação. Estudos apontam (Falkoski; Maia, 2020; Moreira, 2021a) que ela tem se mostrado satisfatória no processo de estimular a interação e atos comunicativos de estudantes com deficiência visual associada a outras deficiências e surdocegos. Esses recursos são os símbolos texturizados, os símbolos tangíveis e os símbolos táteis (Moreira, 2019), além dos objetos de referência. Para esta pesquisa foram utilizados objetos de referência e símbolos tangíveis. Em outras palavras, os objetos de referência podem representar atividades, ações, pessoas, lugares, entre outros e auxiliam as pessoas que apresentam dificuldades nas formas convencionais de comunicação, tais como: palavras, sinais, fotos, entre outros. Já os símbolos tangíveis podem auxiliar crianças, jovens e adultos que não conseguem adquirir sistemas de símbolos abstratos (braille, imagens, sistemas de símbolos, sinais manuais, entre outros) para se comunicar. Por serem objetos tridimensionais, são percebidos com o tato e, portanto, são apropriados para pessoas sem visão. Desse modo, partimos do seguinte questionamento: de que forma os objetos de referência e os símbolos tangíveis podem favorecer a comunicação de crianças com deficiência visual associada a outras deficiências e necessidades complexas de comunicação por meio da orientação de professores e familiares? Objetivo: identificar os desafios e as possibilidades na orientação de professores e familiares para favorecer a comunicação de crianças com deficiência visual associada a outras deficiências e necessidades complexas de comunicação. Método: O presente estudo ocorreu no ano letivo de 2024 e foi submetido à plataforma para a apreciação do comitê de ética, sendo aprovado sob o número de parecer 6.736.405, e trata-se de uma pesquisa-ação, com abordagem qualitativa visto que o local da pesquisa possibilitou um espaço de formação e colaboração entre participantes e pesquisadores, além de apresentar uma proposta de intervenção. Para a coleta de dados foram realizadas entrevistas, registros de campo e roteiro autorreflexivo para análise dos vídeos nas sessões de autoscopia. A autoscopia consiste na filmagem com o objetivo de se observar atuando na atividade profissional, logo, a formação de professores e orientação das famílias ocorreu por meio dela e com ajuda de quatro textos com informações sobre o tema em questão. À medida que a pesquisa avançava, os textos eram entregues. Nesses textos, tinham orientações de como utilizar os recursos com a criança. A pesquisa foi realizada em uma escola pública especializada localizada na cidade do Rio de Janeiro e na casa da criança. As participantes eram: uma menina, que na época da pesquisa tinha 10 anos, diagnosticada com baixa visão, apresentava hidrocefalia, paralisia cerebral e usava cadeira de rodas, a mãe e a professora dela. Resultados: A análise dos dados coletados mostrou que inicialmente a comunicação da criança ocorria por meio de balbucios, choros, gritos, expressões corporais (balançar a cabeça, levantar o braço, direcionar o olhar, entre outros), e o derrubamento de objetos indesejados por ela e tanto a mãe quanto a professora não tinham um recurso ou algo sistematizado para se comunicar com a criança. A fase da intervenção teve duas etapas: as formações das participantes adultas (mãe e a professora) com auxílio dos textos, conversas, caso houvesse dúvidas sobre os textos, e sessões de autoscopia; e as interações com os recursos utilizados pela mãe e pela professora com a criança. Os materiais entregues para auxiliar na comunicação foram: objetos de referência com representações da rotina escolar e a rotina de casa para antecipar atividades/ações e fazer escolhas. Após um período, foram introduzidos os símbolos tangíveis com os objetos no cartão. No decorrer da pesquisa, houve a necessidade de fazer uma prancha com símbolos tangíveis para a criança sinalizar quando estivesse com dor, a prancha foi feita com partes do corpo de uma boneca e com materiais de silicone. As orientações eram para a mãe, com auxílio de uma boneca, nomear as partes no corpo da boneca e ir sinalizando também no corpo da criança, para ela ir relacionando o nome com as partes do corpo. A mãe foi apresentando os símbolos tangíveis da prancha de dor para a criança ir se familiarizando e identificando os cartões. A criança também foi estimulada a usar um vocalizador para chamar a mãe quando precisasse. Os recursos utilizados nesse estudo auxiliaram as participantes da pesquisa na interação e nas habilidades comunicativas da criança, pois no término da pesquisa, os comportamentos inadequados como choros e arremessos da criança diminuíram, aumentou o tempo segurando os recursos, começou a mexer o braço que quase não se movia para sinalizar suas escolhas, as mãos estavam mais abertas e ela apertava o vocalizador para chamar a mãe. De modo resumido, a formação da mãe e da professora por meio dos textos foram essenciais para o início da utilização dos objetos de referências e posteriormente o uso dos símbolos tangíveis. Considerações finais: Apesar das intercorrências que foram acontecendo ao longo do estudo: a criança ficou afastada, recesso escolar, a professora esteve de licença médica e quase no final do ano a criança ficou doente novamente, necessitando reprogramar o cronograma mais de uma vez, está pesquisa alcançou seu objetivo. Como sugestão para pesquisas futuras, é fundamental mostrar práticas envolvendo os objetos de referência e símbolos tangíveis como recursos que favoreçam a comunicação de crianças com deficiência visual associadas a outras deficiências de forma institucionalizada, de maneira que faça parte da identidade escolar, registrada no projeto político pedagógico (PPP) da instituição ou escola, pois dessa forma a prática será desenvolvida por todas as pessoas que trabalham no espaço, pois a comunicação de crianças com deficiência visual associada a outras deficiências que apresentam necessidades complexas de comunicação é um desafio e, como tal, necessita de atitudes e práticas que auxiliem e estimulem as habilidades comunicativas dessas crianças.
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