Ações da terapia ocupacional no atendimento às crianças com necessidades complexas de comunicação em uma unidade saúde escola

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Comunicação oral
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Resumo

Introdução: 

A Tecnologia Assistiva (TA) no Brasil tem se constituído como um importante campo de desenvolvimento teórico e prático com vistas a estabelecer estratégias que promovam ampliação da funcionalidade e participação social de pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida. Atuando em contextos diversos, propõe assim estratégias para a superação das barreiras vivenciadas pelas pessoas com deficiência, atuando inclusive no acesso à comunicação por meio da implementação de recursos e sistemas alternativos em uma área denominada Comunicação Aumentativa e Alternativa - CAA (BERSCH, 2017).

De modo a contribuir com a área da TA, uma agenda de atividades de ensino, pesquisa e extensão tem se constituído desde 2018 na proposição de ações interventivas em terapia ocupacional e de formação de profissionais sobre o uso de recursos de TA junto a crianças com deficiência em contextos clínicos e escolares ao longo dos últimos anos. Nesse caminho trilhado, os resultados das ações realizadas têm indicado a demanda atual no município por práticas com meios alternativos de comunicação, tendo a intenção de favorecer o acesso de crianças com necessidades complexas de comunicação a esses sistemas.

A CAA tem mostrado efetividade em possibilitar o ganho em habilidades sociais e de comunicação ao promoverem o desenvolvimento da linguagem, a participação na escola e em outros ambientes, necessários para o desenvolvimento de crianças e jovens com necessidades complexas de comunicação advindos de condições como a paralisia cerebral ou os transtornos do espectro autista (NUNES, 2003).

Os sistemas de CAA contemplam o uso de figuras, símbolos, representações visuais, auditivas ou táteis, sobre os quais sejam estabelecidos significados e permitam a troca de mensagens e interações (COOK; POLGAR, 2015). Dentre esses sistemas, o Picture Communication Symbols (PCS) é o mais comum por contemplar o uso de desenhos bidimensionais como representações de objetos concretos, além de incluir o uso de letras, numerais e fotos, conforme o repertório comunicacional dos sujeitos e suas necessidades cotidianas. Quanto aos recursos em si, com o PCS podem ser confeccionados materiais como pranchas de símbolos, álbuns e até mesmo o uso em aplicativos em tablets e celulares de modo a favorecer a interação entre seus usuários e seus interlocutores (PELOSI, 2009).

Nessa direção, a atual proposta se debruça na continuidade do investimento em propiciar práticas sobre TA, no caso específico de CAA, em prol de ampliar as oportunidades de participação e qualidade de vida de crianças com necessidades complexas de comunicação. A intenção é consolidar um espaço de ensino e de prática sobre CAA na UFSCar, fortalecendo o investimento teórico que tem sido produzido em disciplinas e pesquisas na universidade nas últimas décadas.

 

Objetivos: 

Planejar, implementar e avaliar as atuais práticas em Comunicação Aumentativa e Alternativa com as crianças com necessidades complexas de comunicação. Como objetivos específicos são identificar a demanda pelo uso de CAA; elaborar estratégias de CAA por meio de figuras e pranchas de comunicação (PCS) para a demanda identificada; implementar essas estratégias junto às crianças em parceria com seus respectivos familiares e cuidadores; e possibilitar a formação de acadêmicos em terapia ocupacional e pós-graduandos da área da terapia ocupacional e da educação especial sobre a temática envolvidos ao longo das práticas.

 

Público-alvo e ações desenvolvidas: 

Participam do projeto sete crianças em atendimento na Unidade Saúde Escola com necessidades complexas de comunicação, em condições de paralisia cerebral, síndromes e transtorno do espectro do autismo. O projeto teve início em agosto de 2024 contando com 88 sessões até o presente momento. As atividades desenvolvidas foram identificação de demandas a partir do primeiro contato com a criança, o planejamento das ações seguintes, a implementação da CAA por meio de atividades que são do interesse das mesmas, aplicação de avaliações contínuas para então prosseguir com as confecções de materiais que possam contribuir para o seu processo inclusão de crianças com necessidades complexas de comunicação de comunicação, favorecendo uma maior independência funcional.

O processo de planejamento das ações ocorreu com o mapeamento dessas demandas, onde a equipe do projeto se reunia semanalmente para decidir as práticas realizadas com as crianças e seus familiares, além da confecção dos materiais utilizados. Planejou-se também como ocorreria a avaliação de capacidades comunicativas, e fez-se o levantamento das atividades e vocabulário a serem utilizadas em cada contexto. Ressalta-se que para essa fase os pais/responsáveis pelas crianças são contatados para consentir com o desenvolvimento das respectivas ações. No que se refere à implementação, ao longo do projeto foram propostas atividades para proposição dos sistemas de CAA e treinamento da criança para esse uso, através do acompanhamento semanal. 

Além disso, as ações desenvolvidas pautaram-se na aplicação de avaliações padronizadas, como a Matriz de Comunicação, anamnese para coleta de informações gerais, como histórico familiar, rotina diária e recursos de apoio social, assim como o diálogo com os familiares e a observação clínica da criança nos ambientes da intervenção. As reavaliações ocorreram de modo ininterrupto durante o desenvolvimento das ações.

Por fim, a confecção de recursos estava ligada principalmente às demandas que foram sendo observadas durante os processos de implementação e avaliação, visto que são produzidos de acordo com as necessidades específicas de cada criança. Tais recursos são variados e podem ser desenvolvidos através de diferentes materiais, mas os principais giraram em torno de livros e músicas adaptadas, pranchas para rastreio visual - Eye Gaze -, pranchas giratórias, entre outros que auxiliaram na aquisição de inúmeras funções comunicativas, como “pedir”, “aceitar”, “recusar” ou “expressar emoções”. Esses materiais foram desenvolvidos pela própria equipe do projeto, prezando sempre a acessibilidade, versatilidade e fácil manuseio. Dessa forma, priorizou-se o uso de materiais de baixo-custo a fim de minimizar o impacto financeiro que inviabilizasse o desenvolvimento das ações. 

 

Conclusão

O projeto se mostrou uma iniciativa essencial para promover a independência e a inclusão social de crianças com necessidades complexas de comunicação, por trabalhar com estratégias personalizadas e tecnológicas que favorecem a superação das barreiras comunicativas presentes em diferentes contextos da sociedade. 

Os resultados reforçam que a efetividade da CAA depende de um processo contínuo e sempre associado com parceiros comunicativos da criança, sejam os familiares, amigos ou cuidadores. A utilização dos recursos como as pranchas de comunicação, livros adaptados e sistemas de rastreio visual permitiram avanços significativos nas habilidades comunicativas das mesmas. 

Dessa forma,  o projeto não apenas viabilizou meios alternativos de comunicação, mas também fortaleceu a autonomia e a sociabilidade. As experiências até agora mostram a importância de continuar investindo nas pesquisas e extensões em CAA, assegurando que a comunicação seja um direito garantido a todos.

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Instituições
  • 1 Universidade Federal de São Carlos
Eixo Temático
  • 3. Barreiras e Soluções na CAA
Palavras-chave
Terapia Ocupacional
Intervenção
Projeto de Extensão