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Psicopatologia e Política

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Psicopatologia e Política
Resumo
A política seria, idealmente, o campo de atuação de pessoas com elevado espírito cívico. A realidade, entretanto, exibe um quadro bem diferente: nesse campo se apresentam abundantemente através da história tipos com personalidades desviantes da norma; Hannah Arendt analisou e escreveu sobre o surpreendente caso de Eichmann; ditadores e executores de políticas ditatoriais também foram analisados e revelaram, por trás de comportamentos cruéis e insensíveis, pessoas aparentemente normais, com vida familiar e social comum, e durante a ditadura argentina alguns desses militares até adotaram filhos de torturados mortos por eles mesmos.
No Brasil, o jornalista e escritor Fernando Morais biografou Assis Chateaubriand, não exatamente um político, mas uma figura pública de primeira ordem, caso exemplar do que deveríamos entender como um tipo de psicopata – ao lado dos agressivos e dos dependentes – não descrito pela psiquiatria, que nós gostaríamos de designar por “bem sucedido”. Trabalhando com o conceito de psicopatia segundo o qual esses tipos são aqueles que não estabelecem vínculos intersubjetivos com o outro, tratando-o sempre como objeto a ser usado, explorado e manipulado para objetivos egoísticos e notoriamente materialistas, esse ensaio procurará explorar a inserção dos mesmos no cenário político brasileiro de hoje e de sempre com vistas a explicitar sua ação característica e os resultados disso para eles mesmos e para a sociedade.
Paralelamente, exploraremos também as mesmas perspectivas para outro tipo freqüente em nosso mundo político, especificamente os designados como perversos, que definiremos como aqueles que se colocam no lugar da lei. Tentaremos, nos dois casos, responder às questões: 1. O que motiva esses tipos, se não é o espírito cívico, a militarem na política? 2. O que obtém através dela? 3. Que espécie de relação se estabelece entre eles e seus eleitores e seguidores? E como chegam eles ao poder?