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Fenomenologia do corpo próprio em psicopatologia

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No inicio dos anos 1920 a fenomenologia, criada no campo filosófico por Edmund Husserl, é levada pela primeira vez para o campo clínico com os trabalhos dos psiquiatras Minkowski, Binswanger e outros que os seguiram, dando início à tradição da Psicopatologia Fenomenológica. Mais recentemente temos utilizado o termo fenomenologia clínica, que tem um sentido mais amplo, se referindo não apenas à psicopatologia como às clínicas psiquiátrica ou psicológica, bem como aos modelos de psicoterapia de natureza fenomenológica. Inspirada pela fenomenologia filosófica, ela nos permite levar em consideração a construção do discurso teórico da psicopatologia a partir do contato clínico. Esta comunicação tem como objetivo discutir noção de corpo próprio a partir da contribuição de Maurice Merleau-Ponty e de Arthur Tatossian. Tomamos o corpo próprio como ferramenta para a compreensão do vivido psicopatológico, apresentando, como exemplo, o vivido depressivo. Apresentamos, inicialmente, a relação de implicação e não de aplicação entre as fenomenologias filosóficas e clínicas afim de situar como este diálogo pode ser estabelecido. Em seguida, exploramos a noção de corpo próprio na filosofia de Merleau-Ponty, em sua fase existencial da Fenomenologia da Percepção. Finalmente, expomos a ideia do corpo que eu sou versus aquele que eu tenho na fenomenologia clínica de Arthur Tatossian, inspirada pela noção de corpo próprio, o que permite compreender o vivido depressivo e ilustrar as possibilidades que a noção de corpo próprio oferece na clínica. Concluimos que a noção de corpo próprio na fenomenologia clínica, inspirada por e implicada com a fenomenologia de Merleau-Ponty, contribui para o desenvolvimento da psicoterapia e de intervenções clínicas, compreendendo o corpo de forma ambígua, como sujeito e objeto, tocante e tocado, o corpo que eu só posso ser se eu o tenho.