OSTRACODES (CRUSTACEA) E TAFONOMIA COMO FERRAMENTAS INTEGRADAS À PALEOBIOLOGIA DA CONSERVAÇÃO

Vol 1, 2025 - 328328
Oral
Favoritar este trabalho
Como citar esse trabalho?
Resumo

A tafonomia é uma ferramenta fundamental para compreender a evolução dos ambientes ao longo do tempo, pois permite analisar criticamente os processos que afetam a preservação dos fósseis. Empregando análises tafonômicas, é possível identificar os efeitos de alterações pós-morte, bem como reconstruir, com maior precisão, as condições ambientais que favoreceram, ou não, a fossilização. Visando compreender quais processos favorecem ou dificultam a preservação de fósseis, o presente estudo analisa dados paleobiológicos da Laguna Tramandaí (RS), sul do Brasil. A pesquisa é desenvolvida por meio de coletas sazonais de sedimentos de fundo e furos de sondagem realizados em seis pontos fixos (BG01 a BG06) da laguna. As coletas de fundo foram feitas com uma draga Van Veen, e os testemunhos sedimentares com tubos de PVC (50 mm de diâmetro). A triagem e análise são realizadas no Laboratório de Microfósseis Calcários da UFRGS, e a datação por ²¹⁰Pb foi conduzida no Laboratório de Química Inorgânica Marinha da USP.  Uma comparação preliminar entre a fauna atual e o registro fóssil revela um padrão interessante. No ponto BG04, por exemplo, foram encontradas atualmente as espécies de ostracodes Cyprideis riograndensis, Cyprideis multidentata e Perissocytheridea kroemmelbeini. No entanto, os primeiros 40 cm do testemunho sedimentar não apresentam carapaças preservadas. Não obstante, dados históricos de 1984 apontam que, no mesmo ponto analisado neste trabalho, a espécie C. riograndensis ocorria viva. Essa observação levanta questionamentos, uma vez que os resultados da datação por ²¹⁰Pb indicam que os 40 cm iniciais do sedimento remontam à década de 1920. Isso sugere que a espécie registrada na década de 1970 não foi preservada no registro sedimentar. A ausência de carapaças pode estar associada à dissolução provocada pelo aumento do aporte de água doce, considerando que o ponto BG04 é o mais próximo do canal fluvial. Esse fenômeno destaca como processos tafonômicos podem comprometer a preservação dos fósseis e, consequentemente, enviesar interpretações paleoambientais. Embora os dados obtidos sejam parciais, eles reforçam a importância da tafonomia nos estudos de Paleobiologia da Conservação. Isso porque, é possível distinguir as mudanças faunísticas ao longo do tempo e lacunas no registro fóssil causadas por processos pós-deposicionais. [1CAPES 88887.962463/2024-00; 3CNPq 313830/2023-1 & 1,3CNPq 406129/2023-1]

Compartilhe suas ideias ou dúvidas com os autores!

Sabia que o maior estímulo no desenvolvimento científico e cultural é a curiosidade? Deixe seus questionamentos ou sugestões para o autor!

Faça login para interagir

Tem uma dúvida ou sugestão? Compartilhe seu feedback com os autores!

Instituições
  • 1 Universidade Federal do Rio Grande do Sul
  • 2 Centro de Estudos Costeiros, Limnológicos e Marinhos, CECLIMAR, Campus Litoral Norte, UFRGS, Imbé, RS
  • 3 Centro de Estudos Costeiros, Limnológicos e Marinhos, CECLIMAR, Campus Litoral Norte, UFRGS, Imbé, RS.
Eixo Temático
  • Sessão especial acerca de Paleobiologia da Conservação
Palavras-chave
Ambientes lagunares
Preservação Fóssil
Holoceno