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A tafonomia é uma ferramenta fundamental para compreender a evolução dos ambientes ao longo do tempo, pois permite analisar criticamente os processos que afetam a preservação dos fósseis. Empregando análises tafonômicas, é possível identificar os efeitos de alterações pós-morte, bem como reconstruir, com maior precisão, as condições ambientais que favoreceram, ou não, a fossilização. Visando compreender quais processos favorecem ou dificultam a preservação de fósseis, o presente estudo analisa dados paleobiológicos da Laguna Tramandaí (RS), sul do Brasil. A pesquisa é desenvolvida por meio de coletas sazonais de sedimentos de fundo e furos de sondagem realizados em seis pontos fixos (BG01 a BG06) da laguna. As coletas de fundo foram feitas com uma draga Van Veen, e os testemunhos sedimentares com tubos de PVC (50 mm de diâmetro). A triagem e análise são realizadas no Laboratório de Microfósseis Calcários da UFRGS, e a datação por ²¹⁰Pb foi conduzida no Laboratório de Química Inorgânica Marinha da USP. Uma comparação preliminar entre a fauna atual e o registro fóssil revela um padrão interessante. No ponto BG04, por exemplo, foram encontradas atualmente as espécies de ostracodes Cyprideis riograndensis, Cyprideis multidentata e Perissocytheridea kroemmelbeini. No entanto, os primeiros 40 cm do testemunho sedimentar não apresentam carapaças preservadas. Não obstante, dados históricos de 1984 apontam que, no mesmo ponto analisado neste trabalho, a espécie C. riograndensis ocorria viva. Essa observação levanta questionamentos, uma vez que os resultados da datação por ²¹⁰Pb indicam que os 40 cm iniciais do sedimento remontam à década de 1920. Isso sugere que a espécie registrada na década de 1970 não foi preservada no registro sedimentar. A ausência de carapaças pode estar associada à dissolução provocada pelo aumento do aporte de água doce, considerando que o ponto BG04 é o mais próximo do canal fluvial. Esse fenômeno destaca como processos tafonômicos podem comprometer a preservação dos fósseis e, consequentemente, enviesar interpretações paleoambientais. Embora os dados obtidos sejam parciais, eles reforçam a importância da tafonomia nos estudos de Paleobiologia da Conservação. Isso porque, é possível distinguir as mudanças faunísticas ao longo do tempo e lacunas no registro fóssil causadas por processos pós-deposicionais. [1CAPES 88887.962463/2024-00; 3CNPq 313830/2023-1 & 1,3CNPq 406129/2023-1]
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